Defesa: inquérito de racha na L4 Sul mostra que suspeitos estavam bêbados

De acordo com a defesa da família Cayres, imagens anexadas ao inquérito policial mostram os homens envolvidos em suposto racha que resultou na morte de mãe e filho trôpegos, momentos antes do acidente na L4 Sul

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postado em 16/06/2017 07:00 / atualizado em 16/06/2017 11:27

Hugo Gonçalves/Esp. CB/D.A Press


As peças do quebra-cabeça do trágico acidente na L4 Sul, em 30 de abril, que culminou na morte de mãe e filho e ainda deixou dois feridos, estão praticamente montadas. Segundo o advogado das vítimas, Tiago Pugsley, consta no inquérito um vídeo, com imagens dos dois homens suspeitos de participar do suposto racha, que mostra a dupla “cambaleando” minutos antes da batida.  O áudio de uma conversa telefônica de um dos suspeitos também foi anexado à investigação, de acordo com Pugsley. “São provas complementares importantes para esclarecer e apontar os culpados”, disse a defesa da família de Cleuza Cayres, 69 anos, e Ricardo Clemente Cayres, 46, mortos na tragédia.

Ainda de acordo com o advogado, as imagens exibem os dois suspeitos no estacionamento da marina do Lago Paranoá antes de eles entrarem em seus respectivos carros e se dirigirem à L4 Sul, onde aconteceu o acidente. “Os registros apresentam os dois andando tropegamente e sem nenhum equilíbrio. O vídeo mostra um deles segurando uma lata, possivelmente de cerveja”, relatou Pugsley. “A outra peça importante que faz parte do inquérito é o áudio de um dos acusados que demonstra claramente uma voz arrastada.” 

O laudo da perícia, divulgado na quarta-feira, confirmou que o Jetta, conduzido pelo advogado Eraldo José Cavalcante Pereira, estava a uma velocidade de 110km/h. O advogado, que atingiu a traseira do Fiesta, e Noé Albuquerque Oliveira, 42, sargento do Corpo de Bombeiros e enfermeiro da Secretaria de Saúde, que dirigia uma Range Rover Evoque, são investigados por envolvimento em um possível pega.

Eraldo, 34 anos, negou no primeiro depoimento à polícia, em 1º de maio, que tivesse participando de racha. Também contestou que estava dirigindo em alta velocidade e sob efeito de álcool. Disse, ainda, ter fugido do local, a pé pela L2 sul, por ter ficado assustado com a situação.  Noé  também desmentiu o fato de que estivesse fazendo pega e confirmou que eles voltavam de uma festa, em uma lancha no Paranoá. Ele disse ter ingerido uma lata de cerveja, mas não fez o teste do bafômetro.

Dez pessoas prestaram depoimentos à polícia na fase inicial das investigações. Um funcionário do DER, que estava no local do acidente, disse que o bombeiro e a irmã, Fabiana Albuquerque Oliveira, 37, estavam com hálito etílico e se recusaram a fazer o teste de bafômetro. Ele informou também que Fabiana não apresentava outros sinais de embriaguez, por isso, não foi autuada. Noé, porém, estava com os olhos vermelhos, tinha a fala arrastada e “fugiu do local durante o flagrante”.

O sargento dos bombeiros e o advogado serão interrogados na próxima semana pelo delegado-adjunto da 1ª DP, João de Ataliba Nogueira. O delegado só vai se pronunciar sobre o inquérito ao fim da investigação. O advogado de Noé e Eraldo, Alexandre Queiroz, não atendeu as ligações da reportagem.

Tiago Pugsley disse ainda que a família Cayres entrará com uma ação cível na Justiça contra os acusados por danos morais e materiais, no valor de R$ 2 milhões, no início da semana que vem.

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