Parceria público-privada pode ser solução para ampliar oferta de tratamento

Governo espera recursos do Ministério da Saúde e, para aliviar a demanda, tenta ampliar oferta na rede privada de hospitais. Hoje, apenas o Sírio-Libanês recebe pacientes do sistema público. Desde 2015, 112 pessoas foram atendidas na unidade do DF

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Gustavo Moreno/CB/D.A Press


A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) afirma que a atual gestão abriu um edital de credenciamento para ampliar a oferta de radioterapia em instituições privadas que tenham o acelerador linear. Segundo a pasta, com essa medida, o número de vagas para os pacientes da rede pública pode chegar a 30 por mês. A SES também informa que solicitou ao Ministério da Saúde a substituição de um dos aparelhos de radioterapia do Hospital de Base e a aquisição de mais um para a unidade. Contudo, ainda não há previsão de quando isso será feito.

O Hospital Universitário também está com previsão de receber um novo aparelho no próximo semestre. De acordo com a coordenadora de Atenção Especializada à Saúde da secretaria Viviane Rezende, o equipamento será um acelerador linear mais moderno e a assistência aos pacientes terá melhorias que resultarão na redução da fila.

Em maio de 2012, o Ministério da Saúde instituiu o Plano de Expansão da Radioterapia no SUS. O projeto gerou, em outubro de 2013, a maior compra pública mundial de aceleradores lineares. Foram investidos R$ 119,9 milhões em 39 projetos de ampliação e 41 projetos de abertura de novos serviços de radioterapia. O HUB aderiu ao plano e recebeu o aparelho que, atualmente, atende aos pacientes. O Hospital Regional de Taguatinga (HRT) também está na lista. Porém, não há previsão  para o recebimento da máquina.

Para além do que foi planejado, a construção do Hospital do Câncer é a promessa para resolver a demanda por radioterapia no Distrito Federal. A previsão é de que a instituição conte com outros dois aparelhos. No entanto, a ideia demora para papel, já que as obras do centro médico ainda não começaram e seguem sem previsão de término. A estimativa da Secretaria de Saúde é de que, nos próximos anos, o DF tenha pelo menos oito aparelhos de radioterapia, número suficiente para atender às demandas da população local.

Distribuição

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que, para cada 300 mil pessoas, deve haver ao menos um aparelho de tratamento de radioterapia. Segundo um artigo publicado em 2015 pela revista The Lancet, periódico inglês sobre medicina geral, o Brasil tinha, no ano anterior, 337 aceleradores lineares e 34 bombas de cobalto distribuídos entre 243 instalações. Porém, pelo menos metade pertencia à rede privada de saúde.

Atualmente, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população do DF é de pouco mais de 3 milhões de habitantes. Com isso, ao menos 10 aparelhos deveriam existir para atender aos pacientes. Assim, a única máquina em funcionamento passou a trabalhar em sobrecarga de horário e de número de pacientes.

Chefe do Departamento de Oncologia do Hospital Universitário de Brasília, o médico Marcos Antônio dos Santos afirma que a radioterapia é essencial no tratamento de vários tipos de câncer, como o de mama, o de próstata, o de colo do útero, o de pulmão e o de intestino. “Esses tumores representam mais da metade dos diagnósticos do mundo, e a rádio é usada como medida paliativa — algo que alivia e melhora momentaneamente ou com o objetivo de ampliar a chance de cura do paciente”, explica.

Ele afirma que, com base nos dados do Ministério da Saúde, o SUS por si só precisaria de 400 aparelhos para atender à demanda populacional do país. Segundo ele, os radioterapeutas do Hospital de Base foram transferidos para o HUB com o objetivo de tornar a situação menos grave. “É o que dá pra fazer numa situação de crise. Tem gente morrendo por isso”, lamenta.

Marcos ainda destaca que a compra do aparelho para radioterapia é uma das medidas de melhor custo efetivo: apesar de caro (um investimento de aproximadamente R$ 6 milhões), adquirir o equipamento se mostra como uma boa opção a médio e longo prazo, já que muitos pacientes seriam tratados. “Embora o investimento inicial possa ser significativo, a manutenção é relativamente barata se comparada aos altos custos da manutenção dos aparelhos obsoletos existentes”, analisa.

Acordos cancelados

A coordenadora Viviane Rezende explica que, até 2015, a Secretaria de Saúde tinha um credenciamento com clínicas privadas que prestavam serviços de radioterapia, mas elas não tiveram interesse em continuar com a parceria, porque o valor oferecido pelo SUS é cerca de quatro vezes menor que os valores cobrados pela rede privada. “Os acordos com as clínicas ajudavam a equilibrar a situação (nos hospitais públicos), mas a desistência causou um grande aumento (na demanda de tratamentos) nesses últimos anos”, justifica.

Atualmente, o único hospital particular que recebe pacientes da rede pública é o Sírio-Libanês, que, desde 2015, atendeu a 112 pessoas. Segundo a direção da unidade brasiliense, 88 tratamentos serão feitos até o fim deste ano e a inclusão de mais 151 pacientes está em aprovação.

* Estagiárias sob supervisão de José Carlos Vieira


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