Prata da Casa: Amanda Soares, a jovem brasiliense que pertence às artes

"A arte é que me mantém viva, literalmente. Respirando, alimentada e viva espiritualmente". É assim que pensa a ilustradora brasiliense Amanda de Almeida, a Prata da Casa desta semana

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 16/06/2017 14:58

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press
 
Brasiliense de nascença, goiana de criação. Amanda Soares de Almeida, 21 anos, trabalha há seis anos com o que mais gosta na vida: desenhar. A ilustradora não tem formação em artes, mas carrega no DNA o dom de deixar os dias mais alegres com seus traços. Desde criança se aventura por entre linhas e cores e, apesar de já ter passado por várias áreas de atuação, escolheu a ilustração para ser sua parceira de vida. 
 
 
Amanda aprendeu a usar os lápis, e a ter noções de enquadramento, com um tio, quando ainda era pequena. Ela não nega: prefere desenhar mulheres, usando técnicas de anatomia, hachura, pintura com nankin e aquarela. Tudo aprendido com outros desenhistas, por meio da internet e de experimentações pessoais.

Na casa onde Amanda cresceu não havia televisão, videogames nem outras crianças para brincar. Então, ela passava todo o tempo livre desenhando. ''Desde que eu me entendo por gente eu desenho. A arte me faz estar viva. Não é ela que pertence a mim, sou eu quem pertenço a ela", conta. Dentre os trabalhos produzidos pela jovem, se destacam quadros, desenhos, grafites, cadernos ilustrados, marca-página, ímãs de geladeira, adesivos e zines. Ela também se aventura na música, escreve, distribui e recita poemas pelas ruas da capital.  
 
Há três anos, a arte tornou sua única fonte de renda, desde que foi expulsa de casa pela mãe, que não queria que ela trabalhasse com o que ama. Após conhecer um grupo de amigos que vendia poesias ela teve a ideia de fazer o mesmo, mas com cópias de seus desenhos anexados. ''Eu saía na rua, no Conic, Rodoviária, Conjunto Nacional parando as pessoas, falava 'oi tudo bem? Você gosta de desenho?'. E ela pagava o valor que achasse justo. Na época eu ganhava muito com isso, porque era um trabalho inovador. As reações eram inúmeras e já cheguei a ganhar R$ 50 por uma única cópia", detalha.

O queridinho 

De todos os seus trabalhos, o preferido é o grafite. Amanda conta que já foi contratada para tingir o quarto de algumas pessoas como forma de decoração. A criatividade é parceira 24 horas por dia, m as seus picos de criação acontecem durante a madrugada, em momentos de cansaço ou em meio ao caos. "As vezes um desenho surge de uma frase que eu penso. Minha inspiração geralmente vem de algum período em que eu estou passando, tristeza, raiva, saudade, frustração. Nunca alegria. A arte é uma maneira de traduzir o que está na minha cabeça, traduzir o que eu penso. Não consigo fazer isso de nenhuma outra maneira que não seja desenhando", explica. 
 
Arte é, para essa brasiliense, uma válvula de escape. "Ela me livrou de muitas coisas. De ter virado estatística, por exemplo. Cresci em uma família de baixa renda, sem pai, não tive a oportunidade de estudar em uma escola boa. Vários espaços não me completavam. Eu chegava em casa, desenhava e ficava bem. Tive muitas oportunidades de entrar para o mundo do tráfico, de fazer várias coisas erradas. Se eu não tivesse nenhuma válvula de escape, nenhuma outra coisa pra fazer teria acontecido…", relembra.

Apesar de se chamar Amanda, assina suas obras de arte com um codinome que surgiu de uma personagem: Olívia. O nome surgiu do grafite, como um personagem. Ela conta que, certa vez, sonhou com uma mulher, que tinha pele laranja e cabelos verdes, passando a desenhá-la compulsivamente. Desde então todos os trabalhos são assinados assim.

Amanda sofre de deficit de atenção, dislexia e disfemia. Já inciou e não concluiu os cursos de artes visuais, jornalismo e filosofia por não se adaptar ao método de ensino das instituições. 
 
Que fazer arte no Brasil não é para os fracos, todo mundo já sabe. Ao ser questionada sobre a vida de quem vive disso, ela responde: ''Ser autônoma é uma insegurança. É difícil mas dá para comer, tomar banho, pagar aluguel e ir até onde eu quero ir", comemora. Para o futuro, "Olívia" espera conseguir ampliar a venda dos seus trabalhos pela internet e entrar para o mundo da tatuagem, deixando os próprios desenhos marcados na pele das pessoas. "Já tem uma galera que tatuou desenhos meus e isso me instigou. Estou com a máquina e as coisas pra começar, mas ainda falta um investimento. Pretendo começar até o final do ano", planeja.
 
 
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.