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Estado de Minas

Tendência entre jovens, narguilé traz problemas à saúde e leva ao vício

O narguilé se consolida como uma forma de socialização entre jovens da capital; especialistas alertam para as substâncias tóxicas que o produto contém


postado em 11/07/2017 06:02 / atualizado em 11/07/2017 07:44

O uso do narguilé em bares virou tendência entre jovens do DF(foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press )
O uso do narguilé em bares virou tendência entre jovens do DF (foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press )
O narguilé virou tendência entre o público jovem do Distrito Federal. O cheiro agradável das essências os atrai e incentiva a se reunirem em grupos em torno do equipamento. No entanto, o uso do cachimbo de mesa pode gerar riscos no futuro. Também conhecido como cachimbo d’água, shisha — em árabe — ou hookah — na Índia e em países que falam inglês —, é um equipamento de origem árabe em que o tabaco aromatizado é aquecido por meio da queima de carvão. A fumaça gerada passa por um filtro de água antes de ser aspirada por uma mangueira. Como usa mecanismos de filtragem com água, pode passar a impressão de que o consumo é inofensivo, mas especialistas alertam para a possibilidade de gerar problemas de saúde ou até levar ao vício.

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O pneumologista e professor da Universidade de Brasília (UnB) Carlos Alberto Viegas explica que o consumo do cachimbo d’água não é inofensivo. “A água do narguilé absorve 5% das substâncias químicas da fumaça. O resto é inalado. Além disso, muitas pessoas substituem o líquido por bebida alcoólica, intensificando os riscos”, observa. O especialista lembra que o mesmo composto que provoca o vício do cigarro, a nicotina, está presente no fumo usado no narguilé. “A depender da quantidade tragada, o fumante pode se viciar.”

Muitos jovens, no entanto, não se intimidam com os riscos. Das 10 pessoas entrevistadas pelo Correio, todas usam o hookah cientes das ameaças à saúde. “Eu penso que a maior parte das pessoas que são fumantes sabem dos perigos que correm, na própria embalagem da essência está o alerta. As pessoas que usam drogas, lícitas ou ilícitas, sabem dos problemas que cada uma acarreta”, opina a publicitária Elisa Borges, 22 anos.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), os adeptos do cigarro normalmente terminam de fumar entre cinco e sete minutos, enquanto uma sessão de narguilé dura de 20 a 80 minutos. Isso corresponde a uma exposição aos componentes tóxicos presentes na fumaça de aproximadamente 100 cigarros. A queima do carvão também favorece a inalação de diversas substâncias cancerígenas, entre elas, o monóxido de carbono, potencializando a agressividade ao organismo.


Socialização


O jeito charmoso de fumar se tornou sucesso entre os jovens. De olho na tendência, o cachimbo de mesa conquistou vários bares do Distrito Federal. Victor Bastos, gerente de um dos estabelecimentos especializados em comercializar o produto, lembra que a origem do modismo remonta à cultura árabe. “Eles se juntam para fumar narguilé. É como um momento de união.”

Bruno Lucas, 22, usa o cachimbo d’água uma vez por semana. Morador do Jardim Botânico, o estudante conta que, além de gostar do sabor, aprecia o momento que o fumo propicia com os amigos. “Curto narguilé não apenas pela sensação, mas por todo o resto que está envolvido: fazer uma ‘social’ com os amigos, jogar conversa fora, tudo isso fica mais divertido com o equipamento”, relata. “Narguile é diferente. O cigarro afasta as pessoas, especialmente por causa do cheiro desagradável. Já o shisha, devido ao odor agradável, não afasta ninguém, incluindo aquelas pessoas que não fumam. Todos ficam reunidos, sem ninguém se incomodar”, defende.

Segundo Andréa Cardoso, da Divisão de Controle do Tabagismo do Instituto Nacional de Câncer (Inca), aromatizantes e lavorizantes são uma estratégia que a indústria do tabaco utiliza para que os jovens possam começar a fumar. “Esse fator colabora com a disseminação desse dispositivo de fumar, pois o cheiro pode atrair novos usuários e reforçar o comportamento”, avalia a especialista.

De acordo com o pneumologista Carlos Alberto Viegas, da UnB, todas as formas de utilização do tabaco liberam nicotina para o sistema nervoso central, com risco potencial de causar dependência. Além disso, reforça que não existe nenhuma forma segura de consumo (veja arte).

Um estudo divulgado pelo Ministério da Saúde e pelo Inca mostrou que o uso do tabaco foi responsável por 156.216 mortes no Brasil em 2015. A pesquisa ainda alerta que as mulheres que fumam perdem, em média, 6,7 anos de vida, e os homens, 6,1 anos. Já as ex-fumantes perdem 2,4, média um pouco inferior à dos homens que param de fumar (2,7).

A política de controle do tabaco reduziu em 35% a prevalência de fumantes nas capitais brasileiras, no período de 2006 a 2016. O aumento dos preços devido aos impostos, a proibição de publicidades e pontos de consumo em ambientes fechados, bem como a obrigatoriedade das imagens de advertência nos maços, são algumas das ações apontadas como importantes para a diminuição da população de fumantes no país, que já é uma das mais baixas do mundo.

(foto: Arte/CB/D.A Press )
(foto: Arte/CB/D.A Press )


Apoio

»  Os Centros de Referência em Tabagismo oferecem auxílio de graça a quem pretende parar de fumar. Informações: 99214-6112 (Maria Suelita, assistente social).

Reflexos

R$ 56,9 bilhões
Prejuízos causados pelo tabagismo no Brasil


212 mil
Brasileiros maiores de 18 anos que afirmam usar narguilé

35%
Redução gerada pela política de controle do tabaco (de 2006 a 2016)

*Estagiários sob supervisão de Mariana Niederauer.

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