Enterrado motorista da Caixa que morreu em delegacia do Distrito Federal

Luis Cláudio Rodrigues foi enterrado no cemitério de Sobradinho. O clima era de inconformidade. Ele era motorista de carreira da Caixa Econômica Federal

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 16/07/2017 11:45 / atualizado em 16/07/2017 17:48

Minervino Junior/ CB/ D.A Press
Dezenas de pessoas se reuniram na manhã deste domingo (16/7), no Cemitério de Sobradinho, para o velório e enterro do motorista terceirizado da Caixa Econômica Federal Luis Cláudio Rodrigues, 48 anos. Ele foi encontrado sem vida na 13° Delegacia de Polícia (Sobradinho) na última sexta-feira (14/7), após ter sido detido por dirigir embriagado e se envolver em um acidente de trânsito com um policial militar.


Leia mais notícias em Cidades

O velório, que contou com a presença do presidente da Caixa, Gilberto Occhi, teve início às 9h e o clima era de inconformidade. "A única certeza que eu tenho é que meu irmão jamais tiraria a vida dele", afirmou Marta Rodrigues. "Não tem como ele ter se matado", concordou Marcos Eustáquio, 48 anos, marido de Marta. 

Marcos segurava nas mãos uma camisa polo tamanho P, que pertencia ao cunhado, similar à que ele teria usado para cometer o suicídio. "A camisa é muito pequena e o tecido, grosso. Os policiais que levaram meu cunhado para a delegacia disseram que ele não estava nem conseguindo ficar em pé de tão bêbado. Como iria ter conseguido se matar com essa camisa? É impossível", completou.

Eduardo Feitoza, 38 anos, primo de Luis Cláudio, garante que a família entrará com um processo contra a Polícia Civil. "Só estamos aguardando os laudos periciais do IML e da SSP, para dar início à ação", diz. "Era para a lei seca estar salvando vidas e, não, ceifando. Meu primo foi levado para a delegacia por estar embriagado e, em menos de três horas, estava morto", protesta.
 
O presidente da Caixa Econômica Federal, Gilberto Occhi, estava presente no velório e afirmou que tinha uma relação muito próxima com Luis Cláudio. "Eu o via todos os dias. Ele me levava para o trabalho, para casa, para o aeroporto, para o médico, para todos os lugares. Flamenguista como eu, sempre conversava comigo sobre o time. Era como da família", disse o presidente. "Ele era muito bem-quisto por todos, uma pessoa dinâmica, proativa, disponível. É uma dor para a família e também para nós que o víamos diariamente", frisou.

Lembranças


O enterro começou às 10h30, com discursos do filho de Luis Cláudio, Vinícius Rodrigues, 29 anos, e de Marta. Vinícius disse que a família e os amigos sempre foram os maiores tesouros do pai e pediu que todos amassem mais seus pais. "Muitas vezes meu pai me ligava, mas sou muito frio. Não tenham vergonha de dizer que amam seus pais! Amem mais seus pais!", pediu emocionado.

Minervino Junior/ CB/ D.A Press

Marta lembrou que o irmão gostava de celebrar a vida e, certa vez, teria dito que não gostaria que chorassem quando morresse, mas que tocassem uma música animada. "Vamos lembrar dele feliz, esbanjando felicidade", cravou. Assim, o corpo foi enterrado ao som da música favorita de Luis Cláudio, Push Push, da banda norte-americana Brick, enquanto as pessoas presentes acompanhavam com palmas.

Entenda o caso


Arquivo Pessoal
Luis Cláudio Rodrigues, 48 anos, acabou detido por dirigir embriagado e bater no carro particular de um policial, por volta das 15h de sexta-feira (14/7). Segundo a Polícia Civil, o teste de bafômetro da vítima apontou 1,35 miligrama por litro de ar. A família chegou ao local por volta das 16h e, após o pagamento da fiança na 13ª Delegacia de Polícia (Sobradinho), o cunhado o encontrou sem vida dentro da cela.
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.