Infecção de pele de presos chega ao sistema socioeducativo

As jovens foram retiradas do contato com outras internas e receberam atestado médico para se tratarem em casa. 13 adolescentes contraíram também caxumba

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postado em 08/08/2017 12:05 / atualizado em 08/08/2017 23:11

O surto de doenças infectocontagiosas que tomou conta do Sistema Penitenciário atingiu, também, o Sistema Socioeducativo do Distrito Federal. Todas as adolescentes da Unidade de Semiliberdade Feminina do Guará contraíram a doença de pele escabiose, mais conhecida como sarna. Além disso, 13 adolescentes de duas unidades do Recanto das Emas, além de Santa maria, São Sebastião e Planaltina estão com caxumba. Quatro funcionários também contraíram a doença. Atualmente, o sistema que conta com 910 vagas e tem 925 infratores.


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O presidente do Sindicato do Sistema Socioeducativo do DF, Walter Marques, reclama que faltam itens de higiene pessoal para os jovens e da lotação do sistema, e afirma que isso prejudica, inclusive, o trabalho de ressocialização. O coordenador de internação e semiliberdade da Subsecretaria do Sistema Socioeducativo da Secretaria da Criança, Carlos Augusto Pereira de Sousa, por sua vez, admite a lotação, mas garante que o GDF dá condições de habitabilidade e higiene para todos os internos, mesmo nos casos de quartos superlotados.
 
No caso da escabiose, a unidade de semiliberdade do Guará conta com sete internas. Elas passam o dia em atividades externas, dormem no local e voltam para casa no fim de semana. Elas teriam se queixado de desconforto na sexta-feira, foram levadas para o Hospital Regional do Guará, onde receberam atestado de sete dias para ficarem em casa e cuidarem da doença.
 
No sábado, a unidade passou por higienização e troca de colchões e roupas de cama. “Os servidores estão assustados e o governo não reconhece a insalubridade, mas ela existe. Em algumas unidades, eles disponibilizam um rolo de papel higiênico por semana para um quarto com cinco internos. Sabonete é a mesma dificuldade. O governo é rápido para remediar uma situação. O problema é que não há uma política preventiva de saúde, nem para servidores e nem para adolescentes.”
 
Carlos Augusto Pereira de Sousa, destaca que o assunto é delicado, mas garante que o governo toma todas as medidas necessárias para garantir a situação de adolescentes e funcionários. Ele destaca, ainda, que doenças como a escabiose e a caxumba ocorrem isoladamente no sistema. “Sobre a escabiose, as adolescentes têm contato externo, e podem ter adquirido de pessoas próximas e depois se contaminado. Não temos casos em outras unidades e nenhum funcionário foi contaminado”, garante.

Contaminações

O coordenador lembra, ainda, que não há nenhuma ligação entre o sistema socioeducativo e o penitenciário. “No nosso caso, o único indício de insalubridade seria o fato de termos várias pessoas em um mesmo espaço. Mas garantimos todas as condições de habitabilidade. Sobre a caxumba, não há surto. Além do número baixo, são situações pontuais que sempre aconteceram no sistema. Quando há diagnóstico, tratamos e imunizamos adolescentes e servidores”, afirma.
 
O médico infectologista César Carranza destaca que não são os números que indicam se há surto de algum tipo de doença. “O importante é o que é esperado para o período.  No inverno, por exemplo, muita gente se resfria. Mas, se aparece um único caso de uma doença desconhecida, de outro país, já é um surto. A situação das unidades socioeducativas chama a atenção, mas não sabemos como ficaram os outros anos. Nessas épocas de frio, existem muitas infecções relacionadas à aglomeração de pessoas e sarna e caxumba são algumas delas”, avalia.
 
Ele ressalta a necessidade de uma campanha entre os internos e os funcionários, para reforçar a higiene pessoal. “Nesses locais, é preciso cuidados de higiene. Principalmente em períodos de frio em que as pessoas são mais descuidadas. É preciso informar sobre a necessidade de lavar as mãos, cobrir o rosto para espirrar, que são comportamentos que evitam o contágio. Estamos falando de doenças benignas, que não comprometem a vida da pessoa, mas causam muito desconforto”, lembra.
 
Em nota, a Vara de Execução de Medidas Socioeducativas do Distrito Federal (Vemse) afirmou que está acompanhando a situação com preocupação, "atenta aos procedimentos adotados pela Unidade de Semiliberdade Feminina do Guará, uma vez que é dever dos entes que integram o sistema socioeducativo resguardar a integridade física e a saúde das socioeducandas". "A Unidade está comunicando a Vemse sobre todos os procedimentos adotados, seja em relação aos cuidados com as adolescentes, seja em relação à limpeza e desinfecção da Unidade, sob orientação da Diretoria de Saúde da Secretaria de Estado de Políticas para Crianças, Adolescentes e Juventude e da própria Secretaria de Saúde do Distrito Federal, a fim de que o problema não volte a se repetir", continua o texto.

Segundo a Vara de Execuções, os servidores da Unidade também estão sendo orientados para os cuidados de prevenção. As adolescentes deverão retornar à unidade em 14 de agosto, quando serão novamente encaminhadas para consulta. "Caso liberadas pela equipe médica, retornarão ao cumprimento da medida. Até o momento, não foi verificada situação de ação ou omissão da Unidade para instauração de procedimento de apuração por parte da Vemse", garantiu.
 
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