Moradores do Lago Norte criam comissão para avaliar implantação da Luos

Na última sexta-feira, o grupo entregou um relatório que diverge da proposta. Nessa terça (8), a comissão se reuniu com o governador no Buriti

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postado em 09/08/2017 14:45 / atualizado em 09/08/2017 14:51

Antonio Cunha/CB/D.A Press
 
A discussão sobre a Lei de Uso e Ocupação do Solo do DF (Luos) ainda gera polêmica em algumas regiões do Distrito Federal. No Lago Norte, a Prefeitura montou uma comissão para questionar alguns pontos do projeto. Na última sexta-feira (5/8), eles se reuniram com a Secretaria de Gestão do Território e Habitação (Segeth) e entregaram um relatório para detalhar a posição de divergência da proposta. 
 
 
Claudio Luiz Viegas, 71 anos,  é o vice-prefeito da cidade e presidente da comissão. Segundo ele, os moradores não são contra a Luos, apenas querem que objetivo da lei fique mais claro. “Estamos questionando uma série de condições, não está bem definido. O governo tem que mostrar o que realmente quer”, indaga. Claudio diz que o mais importante durante o processo é que a população conheça e defenda a região em que reside. “O problema não é só aqui, pega o DF inteiro. Com a nossa iniciativa, moradores que nem sabiam do que se tratava, agora, estão por dentro do assunto e lutam pelo Lago Norte”, afirma. O vice-prefeito afirma que, em uma semana, foi possível arrecadar mais de 2 mil assinaturas de pessoas que não concordam com a Luos. 

O professor Wilson Pereira, 54, é o porta-voz do grupo. Segundo ele, a Península do Lago Norte é uma área diversificada em que o uso misto não cabe. Ou seja, não seria viável atividades comerciais dentro das residências, como permite a proposta em alguns casos. “A nossa península tem uma área bem diversificada. Os moradores estão inquietos com os impactos que isso pode gerar”, aponta. "Buscamos subsídios para levantar qual era, realmente, a necessidade e qual era a vontade dos moradores do lago."
 
Participante da comissão, o analista judiciário Renato César Pereira, 45, morou durante 16 anos no Sudoeste. Há quase dois, vive no Lago Norte. “É uma concepção completamente diferente. Aqui se tem sossego e qualidade de vida. Se eu quisesse toda a agitação, eu continuava onde morava antes”, analisa. Segundo ele, a autorização de atividades na área residencial vai gerar um fluxo maior de pessoas e, com isso, a insegurança deve aumentar. “Estamos muito preocupados com isso, pois temos visto que a segurança é um problema nacional”, alega. 

A Secretaria de Gestão do Território e Habitação (Segeth) afirma que não há risco de perda de áreas verdes e que a autorização de atividades comerciais nas residências terá restrições. Segundo o secretário Thiago de Andrade, casas e apartamentos já são usados como local de trabalho por autônomos, o que
será feito é dar amparo legal para isso. De acordo com ele é importante para se chegar a um consenso. “Estamos analisando cada questionamento com bastante minúcia. A Luos tem uma visão de confrontar ideias para poder adequar as possibilidades. Assim, não vamos ficar demais em lado nem em outro, ficamos no meio de tudo. Queremos uma cidade mais contemporânea”, explica.
 
Antonio Cunha/CB/D.A Press
 
 
O projeto deve chegar à Câmara Legislativa no fim deste mês. “Estamos terminando de ouvir e receber os documentos por parte da população, em seguida, vamos consolidar as contribuições das audiências e consultas públicas. Aí, o texto será revisado pela equipe técnica e levado ao Conselho de Planejamento Territorial e Urbano do DF (Conplan).”
 

Reunião 

 
Na noite de terça-feira (8), o governador do DF recebeu os moradores do Lago Norte no Buriti. Durante a reunião, Rodrigo Rollemberg garantiu ao grupo que só tem intenção em mexer na vegetação da cidade no caso de construção de infraestruturas para a população, como ciclovias. “Vocês têm o meu compromisso de preservar integralmente as áreas verdes”, afirmou o chefe do Executivo local.  
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