Amigos relembram sonhos e planos da jornalista Maria Vanessa

Vista como conselheira dos demais colegas no Ministério da Cultura e na UnB, ela fazia pesquisa sobre blogueiras de moda e havia trocado o Rio por Brasília por questões de segurança

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 10/08/2017 06:00 / atualizado em 10/08/2017 06:51

Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press
 
O 12º andar de um edifício próximo ao Parque da Cidade ganhou tons frios depois do assassinato de Maria Vanessa Veiga Esteves, na noite de terça-feira. O colorido fashion da “Lady”, como era apelidada, ficará na memória dos funcionários da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura. Saem de cena a garrafa d’água cor-de-rosa-choque e a letra cursiva bem desenhada nos post-it para dar lugar ao vazio e à revolta de perder uma amiga para a violência.
 
 
Entre as paixões, a jornalista enumeraria arte, música, gatos e plantas. Nos depoimentos publicados na página pessoal de Vanessa no Facebook, muita gente relatou o cuidado que a servidora tinha com mudas, bonsais e pés de feijão cultivados pelos amigos. Também era apaixonada por exposições de diversos temas. Vanessa frequentava o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) e fazia questão de marcar presença em shows.
 
Solidária, recebia estudantes de intercâmbio em casa e os hospedava no apartamento. Recentemente, um coreano e uma norte-americana moravam com a jornalista, que oferecia mais do que o acolhimento: conduzia-os aos locais dos compromissos. A solidariedade não era só com estrangeiros. Ela também abria a porta da residência para receber os conhecidos da pós-graduação que viviam fora de Brasília.

Perto de colegas entre 25 e 35 anos, Vanessa, aos 55, era uma mãe entre os estudantes da Faculdade de Comunicação (FAC) da Universidade de Brasília (UnB), onde cursava mestrado na linha de pesquisa de jornalismo e sociedade. Diante das reclamações típicas sobre prazos e dificuldades com a dissertação, vinha da mineira a palavra de incentivo. O mesmo ocorria no Ministério da Cultura. “Era ela quem pedia para a gente ter paciência e quem aconselhava sobre o ritmo de trabalho”, relata a jornalista Bárbara Pina. “Uma pessoa maternal”, acrescenta o gerente do setor e chefe da servidora, Wanderlan Fernandes. “Ela se preocupava com todos e sempre tinha uma palavra amiga para quem estivesse triste ou desanimado.”. Na secretaria, a mineira de Juiz de Fora atuava como analista de projetos culturais patrocinados pela Lei Rouanet.
 
Era tanto amor à moda que Vanessa estava prestes a defender a dissertação de mestrado sobre blogueiras e influenciadoras do mundo fashion. Muito emocionada, a orientadora dela, Fernanda Martinelli, preferiu não falar com a reportagem. O coordenador do programa de pós-graduação em comunicação na UnB, João Curvello, só tinha elogios. “Aluna exemplar. Ela era sempre a primeira a chegar e lia todos os textos pedidos na disciplina”, detalha.
 
O currículo de Vanessa preenche sete páginas. No início da carreira, entre 1988 e 1990, a jornalista atuou no Rio de Janeiro como editora de Imagens na Rede Manchete, no auge da emissora de Adolpho Bloch. De lá, participou da criação da televisão por assinatura nos canais Globosat, onde ficou até vir a Brasília, em 2013. A competência a levou a coordenar a programação do GNT, que dedica parte da programação ao universo da moda.
 
Não fosse a tragédia, a jornalista ampliaria ainda mais o currículo. Nesta semana, Vanessa recebeu a notícia de que havia sido aprovada para apresentar suas pesquisas em um congresso em Lisboa, em novembro. Depois das apresentações no mestrado, seria hora de alçar voos ainda mais longos: sonhava em começar o doutorado. “Estava superfeliz, cheia de planos. Não merecia ter partido dessa forma”, lamenta Wanderlan.

Ironia

Quando soube da aprovação no concurso público para analista temporário no Ministério da Cultura em 2013, Vanessa comemorou a ida para uma cidade mais “tranquila e segura”, segundo relato de colegas. Afinal, as notícias de violência eram rotina no Rio de Janeiro, onde ela morava. 
 
Por ter morado tantos anos em um local cuja criminalidade assusta, Vanessa alertava sobre os riscos de reagir a um assalto. Mesmo considerando a capital um lugar mais seguro do que o Rio, a servidora sabia dos casos de roubos e sequestros-relâmpagos no Plano Piloto. “A gente inclusive tem certeza de que não houve reação porque ela sempre nos alerta para deixar o ladrão levar tudo e nunca reagir”, revela Wanderlan Fernandes.
 
Essa preocupação, no entanto, escondia a calma e o bom humor de Vanessa. “Era ela quem mediava os pequenos conflitos entre os servidores”, relembra Sávio Amâncio, servidor no Ministério da Cultura.
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.
 
Júlio
Júlio - 10 de Agosto às 10:35
Segundo o "Rollembeg no País das Maravilhas", aqui está tudo ótimo, o número de homicídios baixou, a cidade está segura... Rollemberg conseguiu ser incompetente em absolutamente quase tudo em seu governo. A única coisa que vejo de positiva neste governo, isso devo reconhecer, é a ação da AGEFIS no combate às grilagens. De resto, só na contagem regressiva para acabar essa lástima de governo mesmo.
 
FERNANDO
FERNANDO - 10 de Agosto às 07:56
Muito triste, e as leis continuam as mesmas, se não conseguimos colocar leis mais severas para crimes como esses e outros, vamos para de copiar outros países. Acorda Brasil