Polícia quer saber se Glauber conhecia vítima de latrocínio da 408 Norte

Investigadores do latrocínio apuram se Maria Vanessa e o locatário da quitinete que abrigou os suspeitos trabalharam ou estudaram juntos no Ministério da Cultura e na UnB. Ambos devem responder o questionamento até a próxima semana

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Minervino Junior/CB/D.A Press


Reprodução
 

A Polícia Civil aguarda um posicionamento oficial do Ministério da Cultura (MinC) e da Universidade de Brasília (UnB) para confirmar se existiu algum contato profissional ou acadêmico entre Glauber Barbosa da Costa, 42 anos, e a jornalista Maria Vanessa Veiga Esteves, 55, morta na última terça-feira, na 408 Norte, vítima de latrocínio. Segundo o Portal da Transparência, Glauber trabalhou no MinC entre 2010 e 2015, período que coincide com o de atuação da vítima no mesmo órgão, onde era funcionária desde 2013. Morador de uma quitinete na comercial da 208 Norte, a 400m do local do crime, ele abrigou a dupla responsável pela morte da servidora. Os suspeitos permaneceram no local até o momento da prisão, realizada menos de 24 horas depois do crime. Levado para a 2ª DP (Asa Norte) para prestar esclarecimentos, Glauber adiantou não ter ligação com a vítima, assinou um termo circunstanciado e, inicialmente, responde por favorecimento pessoal.

Ao Correio, o delegado-chefe da 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte), Laercio Rosseto, disse que os questionamentos ao MinC e à UnB servirão para descartar ou não Vanessa como alvo premeditado dos dois acusados de matá-la —  Alecsandro de Lima, 26, e um adolescente de 15 anos estão detidos pelo latrocínio desde a noite de quarta-feira. “Estou aguardando uma resposta oficial com relação a eventual vínculo empregatício e eventual aposentadoria dele e se eles foram colegas de trabalho”, afirmou o chefe das investigações.

Em depoimento, os suspeitos admitiram que havia a intenção de cometer um assassinato naquela noite, independentemente de quem fosse a vítima. O garoto também confessou que foi o responsável pela facada nas costas de Maria Vanessa. Ele está na Unidade de Internação Provisória de São Sebastião (Uipss) desde a última quinta-feira (leia ao lado). O outro acusado, Alecsandro de Lima, 26, teve a prisão em flagrante convertida em preventiva na última quarta-feira. Ambos têm diversas passagens pela polícia, inclusive por roubo. A investigação não prevê intimar novas pessoas a depor, como o namorado e amigos da ex-funcionária do MinC.

O Correio encontrou Glauber na comercial da 208 Norte, horas depois de ele ter sido liberado pela polícia. Além de admitir que usa crack, explicou o porquê de ter abrigado os suspeitos do crime. Segundo ele, deixou a dupla ficar no imóvel por uma semana após serem expulsos de um acampamento irregular na 207 Norte. Depois disso, pediu que eles procurassem outro lugar para morar. A partir daí, passou a sofrer ameaças.

Glauber é aluno de pós-graduação de relações internacionais na UnB e trabalhou no MinC. Ele informou à reportagem que se aposentou do serviço público por causa de um quadro de esquizofrenia.


	Ed Alves/CB/D.A Press


	Carlos Vieira/CB/D.A Press


Viagem

O envolvimento de Glauber com as drogas piorou a situação dele, quando, até março, data em que começou a cursar a pós-graduação, tinha outra perspectiva de vida. Segundo amigos ouvidos pelo Correio, desde que passou a morar com os suspeitos pelo assassinato de Maria Vanessa, há um mês, os sinais do efeito dos entorpecentes ficaram mais aparentes. Ele sobrevive com o salário da aposentadoria do MinC, com o qual paga o aluguel da quitinete na 408 Norte, no valor de R$ 1,5 mil. “Ele é esperto. Não anda com dinheiro, porque sabe que seria assaltado. Então, guarda o salário no banco e, quando precisa comprar algo, vai até um caixa eletrônico e saca”, conta um colega.

Estudiosa, Maria Vanessa também tinha planos. A mulher, que abrigava intercambistas no apartamento da 408 Norte, cursava mestrado em jornalismo e sociedade pela UnB. Em novembro, viajaria a Lisboa para defender uma dissertação sobre blogueiras de moda. Antes de assumir o cargo de analista de projetos do MinC, foi coordenadora de programação do Canal GNT e da área internacional dos canais Globo Internacional e Globosat, além de editora da TV Cultura e da TV Manchete, entre outros cargos.

Enquanto Glauber é conhecido por alunos de relações internacionais da UnB como “estranho”, mas não ameaçador, Maria Vanessa era vista como uma mulher elegante e educada pelos colegas da comunicação social. Devido às coincidências entre local de trabalho, estudo e moradia, a Polícia Civil espera uma resposta das instituições até o fim da próxima semana.


Para saber mais

Crime para porte de faca
Os três projetos de lei (PL) do senador Raimundo Lira (PMDB-PB) que devem ser votados na próxima quarta-feira, na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, poderiam ter dado um desfecho diferente para o crime ocorrido na 408 Norte caso estivessem vigentes. O PL nº 320/2015 define a tipificação do porte de arma branca, com pena de 1 a 3 anos de detenção. O de nº 358/2015 determina que o adulto que utiliza criança ou adolescente para a prática de crimes tenha a pena aumentada de 50% a 2/3. E, por último, o PL nº 469/2015 pede a alteração do Código Penal para agravar a pena de crimes praticados em situação de tocaia. Para o senador, a atual norma estimula a criminalidade. “Se o Código fosse rigoroso há 20 anos, nós teríamos uma realidade diferente”, disse Raimundo.
 
 
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