Papais quarentões e de primeira viagem contam experiências ao Correio

No Dia dos Pais, o Correio conta como é a vida quando a paternidade só chega depois dos fios brancos

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postado em 13/08/2017 08:00 / atualizado em 13/08/2017 10:31


O grisalho que começa a aparecer na cabeça de Álvaro Larrabure Costa Corrêa, 44 anos, contrasta com os cabelos ralos de Beatriz, a filhinha nascida há dois meses. Ainda aprendendo a pegá-la com segurança, o pai de primeira viagem dá colo à criança sob o olhar atento da mãe, Priscilla Paz Godoy, 43. Ela dá algumas dicas: “Apoie a mão no pescoço. Apoie a cabeça”. No balançar dos braços dele, a criança se acalma e cai no sono. Dessa forma, Álvaro prova que nunca é tarde para se tornar pai.
 
 
Com 15 anos de casado, o advogado conta que, desde o início, ele e Priscilla pensavam em ter filhos, mas a vida “atropelou” os planos. “Apareciam outros projetos, como viagens e várias mudanças de endereço. Assim, foi ficando para cada vez mais tarde”, conta. Segundo o morador da Asa Sul, só nos últimos dois anos, a vida deu abertura para a paternidade.
 
Assim como Álvaro, o gestor ambiental Fernando Luiz Oliveira Melo, 41, também se tornou pai depois dos 40. “Vai ser engraçado. Quando o Bento tiver 10 anos, eu terei passado dos 50. Então, terei de malhar muito para acompanhar esse garoto”, brinca Fernando, também da Asa Sul.
 
Álvaro se diverte ao contar que, em uma ida à farmácia a fim de comprar coisas para Beatriz, perguntaram se seria “para sua neta”. Contudo, ambos os pais concordam que o momento era propício à paternidade. “Se eu fosse pai mais cedo, não teria a maturidade e a calma que eu tenho hoje”, adverte Álvaro.
 Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press

“Eu não aguentaria o peso se não fosse o Fernando.” Quem afirma é a mãe de Bento e mulher do gestor ambiental, Anira Jorge da Cunha Melo, 42. Segundo ela, o casal faz revezamento para cuidar do recém-nascido. A mãe, que está de licença maternidade, se ocupa das tarefas durante a noite, e o pai cuida de tudo durante o dia.
 
Os dois casais se emocionaram ao se encontrar. Eles têm mais de 15 anos de amizade, mas, desde o nascimento dos filhos, não houve oportunidade para se ver — as crianças nasceram com três dias de diferença. “Eles poderão crescer juntos e se tornar grandes amigos”, brincam os pais.

Os quarentões fazem parte de realidade crescente em Brasília: a das famílias que escolhem ter filhos cada vez mais tarde. Quem explica é a professora Ana Maria Nogales Vasconcelos, da Universidade de Brasília (UnB). Ela cita estudo divulgado pela Companhia de Planejamento do DF (Codeplan) em 2016, que mostra o aumento de mães, e, consequentemente, de pais que tiveram o primeiro filho entre 30 e 49 anos. Segundo a pesquisa, em 2013, 37% dos primogênitos foram gerados por mulheres nessa faixa de idade, comparado com menos de 7%, em 2000. “Hoje, elas esperam estudar e adquirir segurança financeira antes de ter filhos. Isso faz com que os pais sejam mais velhos também”, explica Ana Maria.

Saúde

 
Ter filhos mais tarde exige cuidados. É o que explica o professor Fábio Firmbach, urologista da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (Sbra). Segundo ele, a cada ano, a qualidade das células reprodutivas produzidas pelo homem diminui, aumentando a chance de doenças decorrentes de problemas genéticos. Contudo, é possível tomar algumas precauções para evitar qualquer problema.

Segundo o professor da Universidade de Caxias do Sul, a alimentação tem papel crucial na prevenção de doenças, sendo recomendada a moderação no consumo de carne vermelha. Ele explica que fatores como fumo, consumo exagerado de álcool e obesidade são prejudiciais. “Temos essa tendência de os pais esperarem mais para ter filhos, mas os homens precisam se cuidar”, alerta.
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