"Fizemos a adequação à realidade", diz presidente do BRB ao mostrar balanço

Banco registrou aumento de lucro líquido de R$ 90,4 milhões, 118,3% a mais em relação ao mesmo período do ano passado

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postado em 16/08/2017 06:00

Ed Alves/CB/D.A Press
 

 

O Banco de Brasília (BRB) apresentou ontem o balanço do primeiro semestre de 2017 com aumento de lucro líquido de R$ 90,4 milhões, 118,3% a mais em relação ao mesmo período do ano passado. Boa parte desse crescimento está ligado à melhoria de eficiência do banco e à redução de despesas administrativas. Entre as medidas de enxugamento estão o Programa de Demissão Voluntária, corte de cargos, renegociação de contratos e novas licitações. No total, a instituição diminuiu em 20% as despesas.
 

Além disso, o BRB atuou forte em diminuir a inadimplência de empréstimos. Entretanto, o banco teve queda em indicadores financeiros como a carteira de crédito (-4,3%) e na receita de intermediação financeira (-5,1%), o que significa que a quantidade de dinheiro emprestado recuou, assim como a entrada de caixa no banco.

Em entrevista ao Correio, o presidente da instituição, Vasco Cunha Gonçalves, ressalta os cortes nos custos para o bom desempenho do BRB e credita a diminuição de crédito à redução da procura por empréstimos por causa da crise econômica. Ele informa que acompanha de perto a situação do salário dos servidores do GDF — que correspondem à metade da carteira de clientes — e prevê dobrar a oferta de crédito para micro e pequenas empresas com recursos de fomento do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) e do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO). Além disso, promete, para o ano que vem, a implementação total do banco digital.


O BRB apresentou retração no crédito, mas fechou o semestre com lucro. Como estão equilibrando essa equação? 

Nós tivemos uma redução da carteira PJ (pessoa jurídica). Ela veio se reduzindo pelo efeito de as empresas estarem mais recuadas em termos de crédito. Então elas pagavam as parcelas que vinham vencendo e não retomavam novo crédito. De um lado, tivemos retração de crédito, do outro, isso foi importante para nós, porque nossa inadimplência de PJ estava fora do mercado. Esses pagamentos ajudaram no balanço. Além disso, houve diminuição no custo da intermediação financeira. As nossas despesas administrativas diminuíram porque renegociamos contratos, refizemos licitações, diminuímos o custo. Tivemos também o plano de demissão no ano passado e o reflexo dele veio para este ano. Ou seja, vários itens vão contribuindo para o resultado: despesa de pessoal menor, despesa administrativa menor, custo de captação menor e recuperação de crédito.


Vocês deram uma enxugada nas despesas…

Sim. Desde 2015, quando chegamos. Começamos de cima. Éramos 14 diretores, hoje são 8. Diminuímos gerências e cortamos alguns cargos que existiam antes do programa de demissão voluntária. Fizemos coisas menores também, mas que fazem efeito. Por exemplo: diminuímos a quantidade de carros executivos. O diretor não tem carro para levar e buscar em casa. Então ele vem no próprio veículo e depois tem o do banco para fazer as atividades do banco, isso diminui a hora extra de motorista, diminui hora extra de vigilância. Vai diminuindo vários custos em várias localidades. Fizemos as renegociações de contratos em todas as frentes.

  
Ed Alves/CB/D.A Press
O GDF estuda a possibilidade de pagamento parcelado do salário, e a carteira de vocês tem uma importante quantidade de servidores públicos. Essa desconfiança do funcionalismo em relação ao futuro atrapalha o BRB?

Atrapalhar, em si, não atrapalha. Mas como parte significativa da nossa carteira é o servidor público, a gente está acompanhando essa dificuldade do GDF. Não é a primeira vez que se fala em parcelamento. Em 2015, o governo chegou a parcelar. Claro que essa situação não é rotina normal, mas a gente procura qual a linha (de crédito) é mais adequada para o servidor do GDF.


A resposta direta do servidor à crise é tomar menos crédito? O que o banco tem percebido desse cliente?

Na verdade, nesses últimos anos, temos visto que o crédito está estabilizado. Não vimos um aumento de tomada de crédito pelo servidor. No fim do ano passado, tinha uns superendividados. Nós fizemos a adequação à realidade, foi um trabalho longo em que incluímos não só a renegociação em si, mas oferecemos várias turmas de educação financeira básica.


Pelo balanço, o BRB está esperando uma recuperação no crédito. Sobretudo, no imobiliário. Por que apostar no crédito imobiliário neste momento? O banco está percebendo uma retomada no preço dos imóveis? Há interesse dos brasilienses em voltar a adquiri-los?

A gente acredita que essa retomada venha. Ela ainda não aconteceu, não identificamos ainda, mas é um produto que a gente entende como importante para a instituição, para oferecer aos nossos clientes. Até porque o cliente que faz o crédito imobiliário estará com a gente por muito tempo, então é uma fidelização. 


Vocês pensam em lançar algum produto específico para a pessoa jurídica? Em especial, para microempresa, uma vez que o BRB é um banco estadual que pode fomentar a economia local?

Nosso foco são as pequenas e médias empresas. Essas empresas, ao longo dessa crise, sofreram bastante. A gente mudou o nosso modelo de concessão e de avaliação de crédito. Estamos tornando isso mais seguro para a instituição. Entendemos que essas empresas não necessitam só do dinheiro em si, precisam de acompanhamento. Foi isso que a gente focou. Nas agências focadas em PJ, nós estamos treinando melhor os nossos gerentes para estar atendendo essas empresas a contento. Nós temos várias linhas de crédito que os atenderam, mas a gente quer não só dar o crédito como atender em outros serviços, como, por exemplo, melhoria do sistema da folha de pagamento, esse já está em fase de teste.


Ed Alves/CB/D.A Press
Há alguma parceria para fomento da economia?

Nós estamos conversando com o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômicos e Social) para ampliar as nossas linhas, conversando com o FCO (Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste) e agora com a Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), que tem uma vertente de trabalhar com os bancos. Nós precisamos de recurso de longo prazo para trazer para o BRB. Recurso próprio, comercial não é o mais adequado.


Se essas parcerias forem firmadas, em quanto pode aumentar o montante de financiamento para as empresas?

A gente pode dobrar a nossa capacidade rapidamente, temos pessoal para isso. É claro que algumas linhas a gente tem que ir aprendendo também.Queremos dar o crédito, acompanhar o cliente, mas sempre com o pé no chão.


Qual o tamanho dessa carteira hoje?

Ela é pequena. São R$ 240 milhões em linhas de investimento FCO e BNDES. Temos capacidade de dobrar isso até o fim do ano que vem.


O mercado está estimando que os juros fiquem abaixo de 8% ainda neste ano. Vocês têm repassado essa queda na taxa de juros para as linhas de financiamento?

Isso já começa a refletir na ponta sim. Nós temos feito esse repasse em todas as linhas. Cada mês que passa, a gente senta, analisa. Já fizemos algumas reduções.


O BRB pretende ampliar linhas de crédito para a pessoa física? O que tem feito para esse cliente?

O GDF é mais ou menos metade da nossa carteira. A outra metade são clientes espontâneos, clientes que têm o BRB como banco da cidade, o banco que ele quer trabalhar. Um dos desafios são os nossos canais de oferta de produto. Por exemplo, não tínhamos o mobile, o instalamos em 2015, e o melhoramos em 2016. A tendência é que esse canal atenda quase 90% das necessidades dos clientes. A gente quer ampliar isso e dar mais conforto ao nosso cliente pessoa física. Estamos focando muito em tecnologia. Inserimos em 2015 e, de lá pra cá, estamos avançando. Um projeto importante é o modelo digital que está em discussão na área financeira. Hoje podemos colocar em funcionamento uma plataforma digital desligada do banco. Ela vai rodar sozinha, sem depender de sistemas do banco.


A ideia seria todo tipo de serviço por meio de aplicativo, como, por exemplo, abertura de conta…

A ideia é essa. Ter esse serviço em funcionamento já no ano que vem. Fazer tudo por smartphones e tablets, como já tem em algumas instituições. A gente está se preparando para isso. Eu creio que será ainda no primeiro semestre.
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Gustavo
Gustavo - 16 de Agosto às 10:50
Banco que explora seus correntistas. Maioria dos servidores do gdf que estão super endividados são pouco escolarizados e não sabem quanto estão pagando de juros e de seguros embutidos que não são informados. O consignado mais caro do Brasil, não deixa fazer um doc ou ted para outro banco sem antes falar com o gerente, no caixa eletrônico você faz todo tipo de empréstimo sem nenhuma orientação. Muita atenção com esse banco