Festival reúne músicos em prol de instituição de São Sebastião

Artistas brasileiros e internacionais se apresentam no teatro do Royal Tulip Brasília pelo "Festival Mais Arte Concertos"

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postado em 18/08/2017 06:00 / atualizado em 17/08/2017 22:30

Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press
 

 

Movidos pelo mesmo objetivo, quatro grupos compostos por músicos brasileiros e estrangeiros se juntaram em nome de uma mesma causa. Os musicistas promoverão uma série de concertos com o objetivo de angariar fundos para o Centro Social Ingá, em São Sebastião, que atende crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. A primeira edição do “Festival Mais Arte Concertos” contará com quatro apresentações no teatro do hotel Royal Tulip Brasília Alvorada até o fim de novembro.

 

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Realizado por meio de uma parceria entre o hotel, a Sociedade de Concertos de Brasília (SCB) e a Associação Assistência, Cultura e Educação Humana (ACEHU), o projeto foi idealizado pela regente residente da Orquestra da Sociedade de Concertos de Brasília (OSCB), a maestrina Mariana Menezes.

Dona de extenso currículo no ramo da música erudita, Mariana também é organizadora do festival e professora de música no projeto Mais Arte, promovido pela ACEHU no Centro Social Ingá. “Nesse festival serei mais do que regente, porque atuei como produtora. Juntamos músicos do Brasil, do Canadá, dos Estados Unidos, da Itália e da Venezuela. São grupos de altíssima qualidade reunidos em concertos beneficentes para ajudar crianças carentes”, explica.


O festival terá uma apresentação por mês, a partir de hoje, e seguirá até 30 de novembro. Antes de cada um dos concertos, os músicos participarão de um bate-papo com o público, no qual conversarão sobre o histórico do gênero musical adotado pelo grupo e dos instrumentos utilizados. O cardápio de um dos restaurantes do hotel também será especial para a noite.

O saguão do teatro ainda contará com uma pequena exposição e venda de obras artísticas produzidas pelas crianças e adolescentes participantes do Mais Arte. “Não será apenas um concerto, mas uma parceria. É por isso que queremos que seja a melhor música, no melhor ambiente, para que a plateia também se sinta acolhida, da mesma forma que essas crianças também se sentem”, diz a maestrina Mariana Menezes.

 

 

 

Programe-se

 

» Todas as apresentações acontecerão no teatro do hotel Royal Tulip Brasília Alvorada (SHTN Trecho 1), sempre às 19h30. Nos quatro dias, 45 minutos antes do concerto, haverá ainda um bate-papo com os músicos.

Hoje
» Brasília Sax Quarteto
Quarteto de saxofones
Tema: Música francesa

27/9, quarta-feira
» Duo das Américas
Piano e trombone
Tema: História das Américas ao longo dos anos contada por meio da música

26/10, quinta-feira
» Quarteto Henrique Oswald
Quarteto de cordas da Orquestra Filarmônica de Goiás
Tema: Canções brasileiras e composições clássicas para quartetos de cordas

30/11, quinta-feira
» Quinteto Brasília Brass
Quinteto de metais
Tema: Clássicos natalinos

 

Ingressos

 

» Os ingressos custam R$ 60 (inteira) e podem ser adquiridos pelo site da Bilheteria Rápida ou nos pontos de venda listados no endereço: bilheteriarapida.com/festivalmaisarte.
» Uma das maneiras de se ganhar desconto é por meio da compra dos “vales-lanche” ou do pacote de ingressos para os quatro concertos.
» Os vales são vendidos por 
R$ 15 para os espectadores que pagam inteira. Nesse caso, o valor do ingresso sai a R$ 30. A ação garante o lanche para uma das meninas atendidas pelo projeto durante uma semana.
» Já os interessados em comprar os tíquetes para as quatro apresentações podem adquiri-los por R$ 180 (R$ 45 cada).
» Os ingressos também poderão ser comprados na bilheteria do teatro a partir das 13h, no dia da apresentação.

 

Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press
 

 
Para além do jazz

Os primeiros a se apresentarem no festival são os integrantes do Brasília Sax Quarteto. Os quatro componentes do grupo (um brasiliense, um potiguar, um paulista e um venezuelano) estão juntos desde 2013. Os musicistas se conheceram durante o Curso Internacional de Verão da Escola de Música de Brasília (EMB), em 2012. Depois de formado, o quarteto já se apresentou em cidades do Brasil, Uruguai e França.

Segundo o integrante Carlos Gontijo, o diferencial do grupo é o repertório adotado, cujas músicas incluem composições eruditas francesas. “O saxofone ficou muito conhecido por conta da música popular, especialmente o jazz. Já com a música clássica, ele foi menos difundido. Nossa proposta, portanto, envolve a apresentação de música de câmara que, no Brasil, ainda é muito pouco explorada (com o saxofone)”, observa. Ainda de acordo com Carlos, a riqueza do grupo se encontra na “fusão de experiências musicais tão diferentes”, dada a bagagem e a origem de cada integrante.

Na última terça-feira, os quatro músicos se apresentaram na sede da instituição beneficiada pelo projeto. Em conversa com o Correio, após a apresentação de clássicos de Pixinguinha e outros compositores brasileiros para as crianças, o integrante Carlos Cárdenas contou que experiências como essa contribuem não apenas com o crescimento delas, mas também com o desenvolvimento pessoal. “Levamos música clássica para as crianças. E a música é para todos mesmo. Não devem haver barreiras. Por isso, tudo é feito com o coração”, afirma. 

 
Encorajamento desde a infância

“Nosso foco é formar a mulher e contribuir com o desenvolvimento e empoderamento dela.” É assim que a diretora-presidente da Associação Assistência, Cultura e Educação Humana (ACEHU), Heloíse Velloso, descreve o projeto promovido pela entidade no Centro Social Ingá, em São Sebastião.

A instituição atende, gratuitamente, meninas entre 9 e 14 anos moradoras da cidade e em situação de vulnerabilidade ou sem ter onde passar o período contrário ao da escola. As atividades promovidas pelas voluntárias incluem aulas de canto, violão, pintura, fotografia, teatro e reforço escolar, além de debates sobre ética, cidadania, empoderamento e valores humanos.

Segundo Heloíse, a ACEHU existe há 23 anos e, hoje, promove atividades sociais e voluntárias por todo o DF. “O centro social tem o objetivo de atender mais de perto a comunidade e de estar no dia a dia das meninas. Já o Mais Arte, além do foco artístico, também favorece a formação humana e os estudos. Fomentamos a vontade de ir bem na escola por meio do reforço escolar. As artes são complementos”, detalha.

O projeto surgiu em março e atualmente oferece 80 vagas divididas nos turnos da manhã e da tarde. A equipe pedagógica faz a divulgação do Mais Arte na vizinhança e em escolas da região e, depois, seleciona as meninas por meio de entrevistas. “Geralmente, o critério é baseado na necessidade que a mãe pode apresentar. Crianças que não têm com quem ficar no contraturno da escola, que não estejam indo bem nos estudos etc. Mas é necessário que elas se comprometam a participar das atividades, levem a sério e que sejam pontuais e frequentes”, explica Heloíse.

Mayara Kelly Oliveira, 13 anos, é uma das participantes do projeto. A adolescente, que pretende seguir na
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carreira de gastronomia, está na instituição desde março e conta que as mudanças pessoais são perceptíveis.“Minhas aulas favoritas são as de violão, mas já aprendi várias coisas novas, inclusive sobre postura. Acho que, mais na frente, tudo isso vai contribuir para conseguirmos empregos melhores”, avalia.


Boas cidadãs

Já no caso da estudante Daniela Costa, 11 anos, as melhores aulas são as de fotografia. Ela afirma que o projeto contribui não só com o desenvolvimento artístico, como também com o civil. “Aqui é muito bom porque, além de brincar com as amigas, a gente aprende várias coisas. Conversamos sobre como ser boas cidadãs, respeitar as regras e ajudar as pessoas”, descreve.

Em dezembro, as meninas cantarão com a Orquestra da Sociedade de Concertos de Brasília (OSCB) em uma apresentação natalina na Catedral Metropolitana de Brasília. O projeto tem dado certo por propiciar um ambiente amigável, de acolhimento e identificação entre as participantes. No entanto, apesar de existir há 5 anos, o centro é gerenciado por uma entidade sem fins lucrativos e, por isso, depende da colaboração de voluntários e empresas para se manter em atividade. Os interessados em ajudar podem se informar pelo site: acehu.org.br/contribua. 

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