"Desespero", define vítima que teve casa destruída por água de adutora

A analista de sistemas Vanessa Dantas, 33 anos, conta que precisou quebrar a janela do quarto dos filhos para salvá-los

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Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press

 

Em meio à mais rígida crise hídrica da história do Distrito Federal, o rompimento de uma adutora fez o excesso de água causar destruição e caos nas regiões próximas ao Viaduto Israel Pinheiro, na Estrada Parque Taguatinga (EPTG). A força da água, que jorrou das 5h às 6h50 de ontem, foi tão grande que pedaços da adutora caíram nas pistas ao redor da estrutura viária. Um rio de lama se formou e invadiu casas do Condomínio Village das Pedras, em frente ao ponto da ruptura. Em uma das residências, a analista de sistemas Vanessa Dantas, 33 anos, precisou quebrar a janela do quarto dos filhos para salvá-los.

 

Horas depois da tragédia, Vanessa, mais calma, relembrou os momentos de terror ao ser acordada pelo barulho da água. “Quando saí da cama, escorreguei no chão molhado e caí”, conta. Ela percebeu que a casa estava alagada e gritou para que o marido socorresse os filhos, de 10 e 4 anos. “Tinha muita terra na porta do quarto deles, o que impedia que entrássemos. A força da água partiu os vidros da frente, então, corri para a janela lateral, quebrei-a com o braço e os tirei de lá. Foi um desespero”, detalha.  Além disso, quatro quartos e a sala ficaram inundados. “Perdemos tudo o que estava no quarto dos meninos. Estão sem cama, sem material escolar, sem roupas”, conta.

 

Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press
 


O autônomo Alessandro Oliveira, 35, morador de uma chácara em frente à Estrada Parque Vicente Pires (EPVC), também teve a casa invadida pela água. Ele quebrou um muro da residência para o escoamento. “Ouvi um barulho e achei que fosse chuva. Quando acordei e botei o pé no chão, a água estava na canela. Em um dos cantos, o nível chegou a 40cm”, conta. À tarde, a mulher dele, Eli Silva, 37, usou um rodo para tirar a lama. “Perdemos a máquina de lavar, sofá, móveis, cama, guarda-roupa, geladeira.”

O presidente da Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb), Maurício Luduvice, informou que a estatal reembolsará todas as perdas causadas às vítimas do acidente. Ainda durante a manhã, equipes do órgão começaram a atuar nos reparos da tubulação e na limpeza das áreas atendidas. Para impedir que mais água fosse desperdiçada, os registros foram fechados até que a Caesb concluísse os reparos no local, o que ocorreu por volta das 18h. Partes de Taguatinga, do Guará e de Vicente Pires ficaram sem água. O abastecimento será normalizado hoje.


Falhas

 

A Caesb apura o motivo do rompimento na EPTG. A expectativa é de ter uma resposta em 30 dias. Apesar de ter sido construída na década de 1970, Luduvice garantiu que há manutenção.

Especialista em redes de abastecimento de água, o professor da Universidade de Brasília (UnB) Sérgio Koide explica que o racionamento pode ser uma das possibilidades para explicar o rompimento. “Com o rodízio e para evitar problemas como o da adutora na EPTG, técnicos da Caesb reabrem as válvulas aos poucos, mantendo pontos de alívio de ar; por isso, o prazo de 48h após o racionamento para que o abastecimento seja normalizado”, diz.

Segundo Koide, há também a possibilidade de a adutora ter se rompido devido a um desmoronamento na fundação. É comum em áreas de erosão, de rios ou nascentes, como é o caso da EPTG (leia Para saber mais)”, afirma.

 

 

 
Tráfego complicado

Os congestionamentos matinais da EPTG ficaram piores devido à ruptura da adutora na altura do Viaduto Israel Pinheiro. Por causa do tráfego intenso, a reportagem precisou abandonar o carro na pista e caminhar cerca de 200m para chegar ao ponto exato do rompimento. No trajeto, flagrou motoristas que utilizavam os canteiros da rodovia para cortar caminho.

 

O Departamento de Estradas de Rodagem (DER) bloqueou a saída de Águas Claras pela DF-079, o que fez com que o fluxo da saída no balão na altura da Unieuro ficasse comprometido. Muitos moradores preferiram voltar para casa, deixar o carro e tentar chegar ao trabalho de metrô, o que causou filas e lotou trens. Outros tentaram chegar ao Plano Piloto pela Estrada Parque Núcleo Bandeirante (EPNB), o que também resultou em engarrafamento.

 

Alguns condutores desistiram dos compromissos marcados. A estudante de jornalismo Fernanda Soraggi, 20 anos, faltou às aulas na Universidade Católica de Brasília (UCB). “Demorei uma hora só para sair de Águas Claras”, relata. Por volta das 8h30, o DER liberou as faixas exclusivas da EPNB e da EPTG e ampliou a reversão da Estrutural até as 20h30, fazendo com que a situação do trânsito amenizasse.

Pela manhã, o Departamento de Trânsito (Detran) enviou equipes de fiscalização para Águas Claras que se posicionaram em dois pontos estratégicos. Segundo o órgão, não havia muito o que ser feito, pois a origem do engarrafamento era em uma rodovia de primordial importância para a fluidez na região. A PM também atuou em diversas ocorrências.

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