Defesa de Filippelli explica fotos de dinheiro encontradas em celular

Alexandre Queiroz, advogado do ex vice-governador peemedebista, considera o relatório final da Operação Panatenaico 'frágil e pouco conclusivo'

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 19/08/2017 15:07 / atualizado em 19/08/2017 17:03

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

  
No relatório final da Operação Panatenaico, sobre fraudes cometidas na construção do estádio Mané Garrincha, a Polícia Federal menciona fotos de pilhas de dinheiro encontradas em um celular apreendido na casa do ex-vice-governador Tadeu Filippelli (PMDB). Neste sábado (19/8), a defesa de Filippelli mencionou esse trecho para criticar a qualidade do documento. 
 
Alexandre Queiroz, advogado de Filippelli, chamou o relatório de frágil e pouco conclusivo. "Não li todo o relatório, mas me chamou a atenção a fragilidade em relação às acusações a Filippelli. As imagens dos maços de dinheiro que supostamente foram tiraras do celular dele, não são fotografias dele", argumenta. 

PF/Divulgação
A defesa destaca que as fotografias são de uma reportagem do ano passado de um portal de notícias do Rio de Janeiro. "O exemplo do dinheiro no lixo. As imagens são de uma reportagem antiga que estão na rede mundial de computadores e circularam das redes sociais. A conotação da fotografia não tem ligação com o fato investigado. O próprio relatório diz que não pode concluir se as fotos são ligadas ao caso", ressalta.
 
De fato, a PF ressaltou não ser possível precisar o contexto das imagens, como informou o Correio. E, por meio de uma pesquisa na internet, é possível encontrar as fotos publicadas em diferentes sites, algumas há mais de um ano, como constatou a reportagem.
 
O nome do ex-governador aparece 95 vezes no relatório da Polícia Federal. "Todo mundo recebeu fotos do atentado terrorista em Barcelona, mas isso não envolve ninguém no acontecido. Todos nós recebemos várias fotografias em grupos de amigos e elas ficam armazenadas no telefone. Entretanto, isso não é fruto de algum ato ilícito", conclui Alexandre. 
 
PF/Divulgação
Alexandre diz que vai aguardar o posicionamento do Ministério Público Federal (MPF). O órgão pode denunciar os indiciados, pedir mais diligências ou arquivar o caso. "Esse momento é importante para saber o que a PF tem e em que está ancorando suas investigações", ressalta. 
 

A investigação


A Polícia Federal indiciou 21 pessoas por peculato, corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e fraude licitatória nas obras do Estádio Nacional Mané Garrincha. Além do ex-vice-governador Tadeu Filippelli (PMDB), o texto indicia os ex-governadores José Roberto Arruda (PR) e Agnelo Queiroz (PT), por envolvimento no esquema que teria superfaturado em R$ 559 milhões a construção da arena mais cara da Copa de 2014. 

Nas 350 páginas do inquérito, a PF pede ainda a reavaliação do contrato de leniência firmado entre o Ministério Público e a Andrade Gutierrez. Isso porque, apesar de as delações de ex-executivos da construtora terem sido fundamentais para as investigações, a empreiteira não teria reconhecido o sobrepreço total na construção do estádio. 
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.