Encontro de Violeiros do DF reúne até domingo o melhor da música caipira

Além da apresentação de violeiros, estão programados lançamento de livro, palestra, exposição de instrumentos musicais e de antigos discos de vinil

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 24/08/2017 06:00 / atualizado em 24/08/2017 10:39

Clube do Vileiro Caipira/Divulgação

 
A reafirmação da cultura caipira em Brasília é o foco principal do Encontro de Violeiros do Distrito Federal, que chega à 17ª edição com uma série de eventos de hoje a domingo, na Casa do Cantador, em Ceilândia. Além da apresentação de violeiros e duplas de cantadores, estão programados lançamento de livro, palestra, exposição de instrumentos musicais e de antigos discos de vinil.
 
 
“Essa manifestação já existia no DF antes mesmo da construção da capital. O que pretendemos com o encontro é preservar e dar maior visibilidade a essa cultura, buscando chegar também às novas gerações”, afirma Volmi Batista, o presidente do Clube do Violeiro Caipira, idealizador e diretor do encontro. “Pretendemos ainda criar um espaço de reflexão sobre a cultura popular brasileira”, acrescenta.

Para hoje, na abertura, às 20h, estão programadas as apresentações dos violeiros Jacarandá e Braúna, lançamento do livro Dossiê As Galvão — 70 anos de estrada, da dupla Zé Mulato & Cassiano e das Imãs Galvão. Quem for ao local pode apreciar também a exposição Elementos da Música Caipira.

Zé Mulato que, ao lado do irmão Cassiano, conquistou recentemente, pela quarta vez, o Prêmio da Música Brasileira, pelo CD Bem humorados, em solenidade no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, é um entusiasta do encontro. “Participamos dessa festa de características interioranas desde a primeira edição. As 15 primeiras ocorreram em Brazlândia, mas desde o ano passado temos ocupado a Casa do Cantador, em Ceilândia”.

Para ele, o encontro possibilita, entre outras coisas, a confraternização e a troca de experiência “entre nós, gente mais traquejada, e os violeiros que estão chegando agora na labuta”. O cantador entende que a viola caipira é o instrumento mais representativo da história da música sertaneja. “Faz parte da tradição e precisa ser preservada”, complementa.

Expoente


Mineiro de Campina Verde, radicado em Brasília desde 1975, e professor da Escola de Música há 32 anos, Roberto Correa é um expoente da viola caipira. Com 19 discos e três livros lançados — todos voltados para o tema — ele tem o trabalho reconhecido nacionalmente e levou o som do seu instrumento a 29 países de cinco continentes.

Na palestra que faz hoje, na Casa do Cantador, vai se deter na tese de doutorado, que defendeu na Unicamp, em 2014. “O título da tese é Viola caipira: Das práticas populares a escritura da arte. “Nesse estudo, que vai ser lançado em breve, o tema central é o avivamento da viola no Brasil, desde a década de 1960, e as novas perspectivas para a sua evolução”, anuncia. “Na conversa com os violeiros, vou colocá-los a par das reflexões atuais sobre o instrumento nos tempos modernos”, antecipa.

Outras atrações da abertura do encontro, as irmãs Mary e Marilene Galvão vão participar ativamente da programação. Hoje, lançam o livro, com 210 áginas, que conta a história dos 70 anos de carreira da dupla, escrito por Maikel Monteiro e, em seguida, fazem um show no qual interpretam seus maiores sucessos. “Não podem faltar Beijinho doce (Nhô Pai), No calor dos teus braços (Miceus Drumond e Cecílio Neno), Pedacinho (Carlos Randal), Colcha de retalhos (Raul Tona) e Coração laçador – O boi (Carlos Buby). Quem vai nos acompanhar é o violeiro, violonista e maestro Mário Campanha, que é o meu marido)”, destaca Mary Galvão.

Além do livro, as irmãs paulistas vão celebrar a data com o lançamento de um documentário e um DVD. “Ao longo da carreira, lançamos 86 discos, com mais de 300 músicas gravadas e temos mais de 11 milhões de cópias vendidas”, comemora. “Já cantamos para sete gerações e isso é uma prova de que a moda de viola está vivíssima, como comprova esse encontro na capital do país, reunindo violeiros de várias partes do Brasil”, observa Mary.

Entre outras atrações da programação dos próximos dias estão o compositor, violeiro e cantador mineiro Aparício Ribeiro, o ator e cantador  Jackson Antunes, que fazem show amanhã; a cantora e violeira brasiliense Karen Pereira, a dupla goiana Galvan e Galvãozinho, que se apresentam no sábado. No encerramento, domingo, o destaque é a dupla mato-grossense Mayk & Lyan, que chama a atenção pelas belas vozes em dueto. Em 10 anos de carreira, os irmãos já lançaram quatro CDs e dois DVDs e venderam mais de 300 mil cópias. A maioria das músicas gravadas por eles são autorais, mas eles fazem sucesso interpretando Sangue novo (Zé Mulato & Cassiano) e Trem bala (Ana Villela).


17º Encontro  de Violeiros do  Distrito Federal


De hoje a domingo, na Casa do Cantador (Quadra 32 AE Ceilândia Sul). Entrada franca. Classificação indicativa livre.


Programação


Hoje 
» Abertura da exposição Elementos da Música Caipira, às 19h; apresentação dos violeiros Jacarandá e Braúna, às 20h; lançamento do livro Dossiê As Galvão – 70 anos de estrada, às 21h; show de Zé Mulato & Cassiano, às 21h30; e show das Irmãs Galvão, às 22h30.

Amanhã 
» Palestra do violeiro, cantor e compositor Roberto Correa tendo como tema Viola caipira: Das práticas populares a escritura da arte, às 19h; apresentação dos violeiros Vanderley e Valtecy, Ânderes e Fernandes e da dupla Volmi Batista e Aparício Ribeiro e dos cantadores Reinaldo Cordeiro e Jackson Antunes, a partir das 20h.

Sábado 
» Apresentação da cantora e violeira Karwn Pereira e dos violeiros Dyego e Gustavo, Maike Rener e Valter Neto, Idelbrando e Barcellus, Paulo Cruz e Zé Eduardo, Galvan e Galvãozinho e o grupo de catira Os Considerados, a partir das 20h.

Domingo 
» Almoço com viola e o primeiro concurso de violeiros amadores, às 12h; apresentação dos violeiros Moisés Mozer e Luiz Borges, Sinval Gomes e Diamantino, Macedo e Mariano, Ênio Lima e Gustavo Neto e Thiago Henrique, às 15h; show de encerramento com a dupla Mayk e Lyan, às 18h.
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.