Preso homem acusado de seduzir, dopar e estuprar mulheres no DF

Conhecido como "Don Juan do Cerrado", o criminoso chegava às vítimas por meio de sites de relacionamento

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postado em 24/08/2017 15:43 / atualizado em 24/08/2017 16:36

Wenderson Oliveira

 
Mulheres de aproximadamente 30 anos e preferencialmente solteiras. Esse era o perfil das vítimas que costumavam ser alvo de um homem de 44 anos, acusado de seduzir as vítimas, dopá-las, estuprá-las e roubá-las. O autor desses crimes, que se passava por oficial da lei, foi detido na tarde dessa quarta-feira (23/8), após o cumprimento do mandado de prisão preventiva. A responsável pela ação foi a Coordenação de Crimes contra o Consumidor, à Ordem Tributária e a Fraudes (Corf), localizada no prédio do Departamento de Polícia Especializada (DPE).

                    
O homem, que tem casa no Guará II, começou a aplicar o golpe em agosto do ano passado. A fim de explorar mulheres financeira e sexualmente, ele se utilizava de redes sociais, como o Tinder e o Badoo, buscando selecionar as vítimas para caírem nas armadilha montadas por ele. Conseguindo conquistar o interesse das mulheres, o criminoso as levava para alguma festa ou barzinho, onde — com uso de comprimidos de Rivotril envoltos em uma embalagem de bala — dopava as pretendentes. Com isso, elas perdiam a consciência e se tornavam alvos fáceis na mão do homem. Os próximos passos, então, eram conseguir levá-las para um motel ou para a sua residência, estuprá-las e roubar pertences de valor, como aparelhos celulares.  

Depois que cinco mulheres registraram o golpe em boletins de ocorrência contra o suspeito, a polícia, cruzando as informações, identificou o acusado pelos delitos. Com as investigações em andamento, uma das vítimas reconheceu o autor dos crimes por meio de uma fotografia. Agora, com o suspeito detido, todas as mulheres que prestaram queixa terão a chance de encontrar o “Don Juan” novamente nesta quinta-feira (24) com o intuito de confirmar a identidade do homem. Ressalta-se que o acusado não verá as vítimas nesse processo de reconhecimento.

De frente com o suspeito     

             
Apresentado à imprensa na noite de quarta-feira  (23), o acusado entrou na sala com uma camisa preta cobrindo o rosto e com um distintivo pendurado no pescoço — roupa e objeto que ele utilizava para se identificar como delegado. Com voz trêmula, o homem de cabelos grisalhos confessou dopar as mulheres, mas tentou minimizar a gravidade dos atos, dizendo que elas sabiam o que faziam na companhia dele. “Nunca roubei, nunca extorqui nem pedi dinheiro para ninguém. Gostava apenas de ver a tontura nelas, o mesmo efeito que causava em mim quando eu tomava o rivotril. Do mesmo jeito que eu sabia o que estava fazendo, elas também sabiam. Sabiam dizer até o número da placa do carro delas”, argumentou o suspeito, dizendo, ainda, que houve consenso para que ocorressem as relações sexuais com duas delas.
               
O delegado adjunto responsável pelo caso, Robson de Almeida, por sua vez, afirma que o homem não tem qualquer vínculo com corporações policiais; e as ações deles eram premeditadas. Robson frisa que, depois de fazer com que as vítimas ingerissem bebida alcoólica, o acusado oferecia as pastilhas adulteradas. “Após conhecer o acusado pela internet e marcar de sair com ele, uma das vítimas disse que, ao retornar do banheiro de um bar, começou a passar mal. A partir daí, ela disse que não se recordava mais do que teria acontecido, sentiu falta do celular e também não sabia se tinha sido abusada sexualmente. Ou seja, ao dopar as vítimas, ele tirava qualquer forma de defesa delas”, analisa.
                      
De acordo com os policiais que investigam a história, pode haver muitas outras vítimas que ainda não deram queixa na delegacia. Isso porque elas podem estar sentindo vergonha e, também, por conta do número de boletins de ocorrência que ainda não foram associados ao caso.

O Dom Juan que atuava no DF nasceu no Piauí e se apresentava como delegado da Federação de Direitos Humanos da Bahia, após fazer um curso por “correspondência” no suposto órgão — que a Polícia Civil do DF não conseguiu localizar e, por isso, não a reconhece como legítima. A última vítima teria caído na armadilha em agosto deste ano.  

O delegado explica que, a princípio, o acusado será indiciado por roubo. Caso as relações sexuais mantidas com as mulheres sejam comprovadas, ele também responderá pelo crime de estupro. Além disso, o galanteador poderá incorrer no delito de falsidade ideológica, uma vez que as autoridades não encontraram a instituição na qual o homem diz representar. O Polícia Civil investiga também a possibilidade de o acusado ter filmado ou tirado fotos das vítimas nuas quando elas estavam inconscientes. A fim de encontrar evidências, o celular do suspeito foi encaminhado para uma perícia.
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