Zoológico constrói ninhos para a época de acasalamento das aves

Com a aproximação da primavera, funcionários do Zoológico de Brasília começam a preparar os ninhos para o acasalamento das aves

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postado em 26/08/2017 07:00 / atualizado em 26/08/2017 10:59

Minervino Junior/CB/D.A Press


De um pequeno furo, em um grande cilindro de concreto, surgem as carinhas curiosas das araras-azuis que ali se escondem. Elas observam tudo de lá, sem querer sair. Isso por um motivo bem específico: o casalzinho está “em núpcias”. Pode parecer trivial, mas, por trás do namorico, há um enorme esforço da equipe do Zoológico de Brasília.


Depois da metade do ano — e com a aproximação da primavera -, algumas espécies de aves começam a entrar no período reprodutivo. Por isso, a equipe do Zoo começou a se mobilizar e garantir que os animais tivessem tudo que precisam para passarem por essa época de forma confortável. “O Zoológico não tem mais como objetivo principal a exposição dos animais”, explica Paula Luíza Cezário, 29 anos, veterinária e assistente de plantão da diretoria de Aves. “Nossa meta é a conservação e bem-estar dos animais”, explica a veterinária.



Segundo Paula, cada período do ano exige um cuidado diferente. Na época do frio, a equipe adiciona feno nos viveiros; quando há muito vento, galhos são colocados para servirem de quebra-vento, e agora, na temporada reprodutiva, os pássaros recebem espaços propícios para construírem seus ninhos. Contudo, não é um trabalho fácil. As aves são exigentes, cada uma de seu jeito.

Quem explica é José Ribamar da Conceição Sousa, de 50 anos, que há seis anos trabalha como cuidador no Zoológico. Ele é o responsável pela construção dos abrigos. “Enquanto alguns pássaros, como a arara-canindé, gostam de ninhos em madeira, a arara-azul prefere fendas em paredes de rocha. Nós tentamos ao máximo imitar como seriam esses ninhos na natureza”, explica.

A estrutura é feita de cimento em armação de aço, e ainda é dividida em dois compartimentos para dar às aves opções de altura para fazerem o ninho. A técnica foi ensinada em um curso oferecido aos funcionários pelo próprio Zoo, há 5 anos, e as dimensões e formatos foram baseados em estudos que obtiveram sucesso na reprodução dessa espécie.

Segundo Ribamar, as araras adoraram o ninho e não saem de lá. “É uma satisfação muito grande, uma alegria pra gente trazer felicidade para esses bichinhos da natureza”, conta o cuidador.

Minervino Junior/CB/D.A Press

Comportamento


A equipe do Zoológico conta que os cuidados especiais têm dado certo. Assim que identificaram o ninho, as aves começaram a adotar uma postura de reprodução, se mostrando protetoras e tentando afastar quem se aproxima, contam os funcionários. “Pode parecer assustador, mas esse é um comportamento bom, já que mostra que nossos esforços foram efetivos”, tranquiliza Paula. Com o objetivo de evitar o estresse das aves, que pode atrapalhar o namoro, o casal de araras-azuis foi transferido para um recinto mais reservado, fora do alcance dos visitantes. “Tudo foi feito pensando no bem-estar delas”.

Não foram só as araras que receberam ninhos pensados de acordo com seus hábitos na natureza. Os periquitos-rei ganharam ninhos que imitam os cupinzeiros que as espécies usam na natureza e os urubus-rei estão com um abrigo rente ao chão. Outras espécies, como os tucanos, gostam de ninhos feitos em madeira.

“Se tivermos sorte, vão colocar ovos, que vão chocar e dar filhotes. Um dia poderão passar por um processo de adaptação e serem soltos na natureza”, conta Paula. De acordo com ela, apesar do foco na geração de prole, os animais recebem a possibilidade de acasalarem principalmente como medida para garantir qualidade de vida.
Paula conta que uma das espécies, o ganso-do-havaí, ameaçada de extinção, está mais avançada no processo, com três filhotes nascidos no Zoo.

Minervino Junior/CB/D.A Press


Na natureza

O Zoológico de Brasília tem um ótimo histórico, no que diz respeito à recuperação de animais e preservação de espécies. Segundo a assessoria de comunicação da instituição, atualmente cerca de 120 bichos estão sendo preparados para serem devolvidos à natureza pelo Ibama. “Nosso intuito não é manter os animais aqui. Um exemplo é a soltura que realizamos de duas jiboias que ficaram cinco anos no nosso serpentário e do tamanduá que está para ser solto pelo Ibama”, destaca a assessoria. Contudo, a instituição alerta que tem se tornado cada vez mais difícil encontrar áreas de preservação propícias para a soltura dos animais.


Mimos

E os paparicos dos funcionários do Zoo não são exclusivos das aves. Com a morte da tigresa Laila em junho, o tigre Rabisco, que habitava o mesmo recinto, tem ganhado cada vez mais atenção dos cuidadores, preocupados com o bem-estar do animal. Segundo os cuidadores, o tigre ganhou uma cascata para aliviar o calor e um filtro para garantir a qualidade da água que chega até ele.

*Estagiário sob supervisão de José Carlos Vieira

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