Moradoras do DF dão exemplo de solidariedade no Dia Nacional do Voluntário

Professora aposentada de 83 anos lidera grupo de mulheres que monta enxovais para distribuir entre mães carentes

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postado em 28/08/2017 20:45 / atualizado em 28/08/2017 20:49

Ed Alves/CB/D.A Press
A professora aposentada, Neida Nasser, 83 anos, não se lembra de quando começou a fazer trabalhos voluntários. E não é por causa da idade. Ajudar aos mais necessitados sempre foi um dos valores mais importantes de sua família. Desde criança, no município de Alegre (ES), onde nasceu e passou a infância, Dona Neida ajuda o próximo com entusiasmo. Hoje, ela lidera um grupo de 11 amigas que costuram enxovais de bebês para serem distribuídos para mães carentes do Distrito Federal. As peças saem com arremates de crochês e com bordados. Mas, no controle de qualidade, os itens obrigatórios da produção são amor e carinho. “Gosto de ajudar. Nessa altura da vida, o que me motiva é continuar servindo ao próximo”, diz.

 
A história de vida de Dona Neida é um dos exemplos que marcam o Dia Nacional do Voluntário, celebrado nesta segunda-feira (28/8). O desejo de ajudar o próximo é a principal motivação para os brasileiros se tornarem voluntários, de acordo com a Pesquisa Opinião do brasileiro sobre o voluntariado, realizada pela Fundação Itaú Social, em parceria com o Datafolha, com 2.024 pessoas de 135 municípios de todo o país. Quase três anos após a divulgação da pesquisa, os resultados continuam atuais e são referência para se traçar um perfil dos voluntários e saber quais são as suas motivações para a prestação de serviços para a comunidade, em geral, sem remuneração.

De acordo com a pesquisa, entre as pessoas que já participaram alguma vez de uma atividade voluntária, 55% declaram ter sido por solidariedade e 17% por satisfação pessoal. A professora aposentada não tem dúvidas – amor, compaixão, compromisso e satisfação fazem parte da rotina daqueles que realizam trabalhos voluntários e a combinação de tudo isso resulta em ternura e afeto para com os semelhantes. “Sou de uma família em que minha mãe fazia colchas de retalhos para dar aos pobres, minhas tias distribuíam cobertores para quem estava com frio e todo mundo se esforçava para ajudar as pessoas mais carentes, no que fosse preciso. E isso sempre me trouxe uma alegria muito grande”, explicou Dona Neida.

A sensação de fazer o bem é o principal retorno que uma pessoa obtém quando realiza atividade voluntária, na opinião dos brasileiros, de acordo com a pesquisa. Em seguida, aparece o sentimento de sentir-se útil e prestativo, e depois, gratificação pessoal. É essa felicidade de fazer o bem que dá força para Maria Lúcia Queiroz da Cruz, 70 anos, professora aposentada que também participa do grupo que confecciona enxovais de bebês. Dona Lúcia aprendeu a costurar com a mãe, que tinha o ofício como profissão. Mas jamais se dedicou a essa atividade para ganhar dinheiro. Até que surgiu a oportunidade de destinar um pouco do seu tempo para fazer as roupinhas de bebês. “Todas as mães querem o melhor para seus filhos e eu sinto uma felicidade muito grande em poder ajudá-las”, revelou Dona Lúcia.

O grupo de Dona Neida entrega, em média, 30 kits completos de enxovais de bebês. O kit é composto por dois conjuntos pagãos calça comprida, regata e casaquinho, feitos de flanela e algodão, dois cueiros, dois pares de sapatinho de tricô, uma manta de algodão ou um cobertor, quando o clima está mais frio, além de sabonetes e 12 fraldas. Várias peças avulsas também são acrescentadas aos kits, ocasionalmente, de acordo com a disponibilidades de tempo das voluntárias para costurar e da quantidade de tecidos e outros materiais disponíveis para o serviço.

As entregas não são em locais fixos e, sim, de acordo com a procura. Mas o grupo já chegou a fornecer os enxovais para mães que cumpriam penas no presídio feminino do DF (Colméia) e para o Centro de Atendimento Juvenil Especializado (Caje/DF), quando funcionava na Asa Norte. Atualmente, o grupo atende as demandas individuais, que não param de chegar, até por quem tem condições de comprar roupinhas de bebês, mas que quer fazer um agrado entregando todo o kit a alguém especial. Cheia de amor no coração, Dona Neida pode até concordar, mas trata logo de pedir uma doação em tecidos para o interessado. 

Doando tempo


De acordo com o estudo, o brasileiro ainda participa pouco em ações sociais. O resultado da pesquisa mostra que apenas 28% da população declara já ter participado de atividade voluntária. Desse total, 11% continuam envolvidos. Conforme aumentam o grau de escolaridade e a classe social cresce a preferência por exercer atividade relacionada à habilidade pessoal ou à formação profissional. A opção por desempenhar qualquer atividade é mais forte entre as mulheres. A falta de tempo e a dificuldade de encontrar informações são as principais justificativas para aqueles que já participaram de atividades de voluntariado, mas que precisaram parar de se dedicar a essa atividade.

A falta de informações sobre o tema não é desculpa para aqueles que querem continuar se dedicando ao voluntariado. Aproximadamente 60% daqueles que se envolveram nesse tipo de trabalho sabem onde encontrar informações sobre o assunto, segundo a pesquisa. Já entre os 72% da população que nunca participaram de trabalho voluntário, 80% declararam não saber onde encontrar informações sobre o assunto e oito a cada 10 jovens de 16 a 24 anos nunca exerceram atividade voluntária.

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