Taxa de desemprego cai pelo quarto mês no DF, mas desigualdade continua

Levantamento mostra que em julho houve uma redução de nove mil desocupados no DF. Conseguir vaga no mercado pode ser mais complicado conforme sexo, idade ou cor da pele

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postado em 30/08/2017 12:53 / atualizado em 30/08/2017 22:53

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press


Em meio à crise, o brasiliense ganha um alento. Pelo quarto mês consecutivo, o número de desocupados caiu no Distrito Federal. O dado consta da Pesquisa de Emprego e Desemprego do DF (PED) referente a julho. A taxa recuou de 19,9%, em junho, para 19,5%. Isso significa uma redução de nove mil inativos. Assim, julho fechou com 320 mil pessoas sem trabalho.

Apesar da boa notícia, os números revelam uma desigualdade maior na região. Conseguir um lugar no mercado pode ser mais complicado conforme o sexo, a idade ou a cor da pele. De acordo com a PED, a taxa de desemprego entre as mulheres chega a 21,2%, enquanto entre os homens atinge 17,8%. O mesmo acontece com os jovens de 16 a 24 anos, que representam 41,3%. Esse número diminui para 16,9% na faixa etária de 25 a 39 anos. Outra diferença aparece entre os que se declaram negros ou não negros. Enquanto o primeiro grupo chega a 21,3%, o segundo está em 16,1%.
 
 
O levantamento foi feito em conjunto com a Secretaria do Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos (SEDESTMIDH) e o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese). “É uma pesquisa para orientar o setor público na tomada de decisões, para ajudá-lo a determinar políticas públicas e combater o desemprego nessas regiões”, explicou o secretário da pasta, Gutemberg Gomes.

Para ele, a solução não está apenas em criar vagas de emprego, mas também gerar formas de qualificar a população economicamente ativa. “O que a gente percebe é que sem a qualificação devida a gente não consegue colocar os trabalhadores no mercado”, explicou.

A pesquisa também dividiu as regiões administrativas em quatro grupos, de acordo com o nível de renda. Segundo os dados, o desemprego no grupo 4 (áreas de baixa renda, como Fercal, Estrutural e Varjão) cresceu 0,6%. Já no 1 (formado por lugares de alta renda, como Plano Piloto, Lago Norte e Lago Sul) teve uma redução de 8,1%. Para o gerente de pesquisas socioeconômicas da Codeplan, Jusçanio Umbelino, isso pode apontar uma diminuição dos projetos sociais. “Efetivamente, traz um drama para essa população, seja pela dificuldade de inserção no mercado de trabalho, seja pela redução da capacidade do governo de Brasília de fazer de ações protetivas”, afirmou o gerente.


Reforço


Em contrapartida ao mês anterior, o segmento de serviços teve um acréscimo em julho e recebeu o reforço de sete mil pessoas. A indústria de transformação também mostrou alta. Entretanto, houve uma redução na construção civil e no comércio.

A PED também mostrou crescimento na quantidade de trabalhadores assalariados — tanto no setor privado (0,5% ou 3 mil pessoas), quanto no público (2,7% ou 8 mil) —, assim como na de autônomos (1,8% ou 3 mil).
 
Em comparação com o mesmo período do ano passado, o contingente de desempregados teve uma elevação de 45 mil. Estima-se que esse número, porém, reflete o aumento de 97 mil pessoas na população economicamente ativa do DF.

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