Operação Check List: envolvidos podem ter prisão preventiva decretada

Ministério Público do DF vai analisar denúncia e acusados que já estão presos temporariamente podem ficar na cadeia por tempo indeterminado

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Ed Alves/CB/D.A Press


O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) começa a analisar as provas colhidas e a verificar se há elementos para oferecer denúncia contra os envolvidos em uma suposta fraude no transporte público do DF. Na manhã de ontem, a Polícia Civil e o MPDFT deflagraram a Operação Check List, que investiga cobrança de propina por parte de servidores lotados no terminal de vistoria da Subsecretaria de Fiscalização, Auditoria e Controle (Sufisa), da Secretaria de Mobilidade (Semob). De acordo com a apuração, há suspeita de fraude na vistoria de veículos de transporte coletivo. Apesar da identificação de irregularidades, os ônibus eram liberados para circular, colocando em risco a vida de passageiros. As falhas ocorreram nos últimos três anos.
 
 
A Justiça autorizou a prisão temporária de 14 investigados — 10 ocorreram ontem. Entre os detidos estão os vistoriadores William Ney Rosa, Edson Sousa de Oliveira e Carlos Pereira Rosa; o auditor fiscal Willians Fonseca; e o empresário Valdir Luis de França, o “Valdirzão”, conhecido de políticos do DF pela atuação como cabo eleitoral da família Roriz. (Leia Personagem da notícia). Após a conclusão da análise do MPDFT, os envolvidos presos temporariamente poderão sofrer prisão preventiva (por tempo indeterminado).

A investigação é conduzida pela 2ª Promotoria de Defesa do Patrimônio Público (Prodep) e pela Coordenação de Repressão aos Crimes contra o Consumidor, a Ordem Tributária e a Fraudes (Corf). O delegado Robson Rui, da Corf, disse que motoristas, diretores e presidentes de pelo menos três cooperativas estão envolvidos no esquema. São elas: Coopertran, Cootarde e Cootransp. O Correio tentou contato com a diretoria das empresas, mas não obteve retorno. A operação ocorreu em Planaltina, Samambaia, no Park Way, em Ceilândia, Vicente Pires, no Paranoá e Recanto das Emas.


O esquema

Segundo a investigação, a vistoria era feita em duas etapas. Na primeira, avaliava-se eixo, motor, pneu e óleo do veículo. No segundo momento, os auditores fiscais que participavam do esquema davam a autorização da primeira vistoria e analisavam outros itens, como os de segurança. Os envolvidos, então, determinavam horários para que os ônibus chegassem à garagem e encontrassem o vistoriador que receberia a propina. A corrupção, de acordo com o inquérito, ocorria, principalmente, na aprovação de vistorias de veículos irregulares, ou com defeitos, de cooperativas e permissionários do transporte rural na liberação do “selo de vistoria” para que pudessem rodar no DF.

A polícia informou que, por dia, eram realizadas, em média, 54 vistorias pela equipe da Sufisa. Dessas, pelo menos cinco eram feitas de forma ilegal. Servidores faziam vista grossa e não apontavam defeitos nos veículos em troca de dinheiro — de R$ 200 a R$ 800 — e até carros, de acordo com a apuração.

Segundo o promotor Fábio Nascimento, em um dos casos, um vistoriador encontrou um ônibus com vazamento de óleo e disse que, se fosse preciso, ele mesmo limparia. Depois, em um veículo em que o elevador estava com defeito, afirmou que “era só tirar o elevador que estava resolvido”. “Existem elementos robustos para comprovar as condutas ilícitas da associação criminosa de maneira que entendemos que seria necessário mais diligências para enfatizar todo o nosso trabalho. Isso se faria por meio das diligências que foram colocadas hoje (ontem) em prática: prisão temporária, condução coercitiva, busca e apreensão”, detalha o promotor.

Ontem, a Secretaria de Mobilidade suspendeu as vistorias e alegou, em nota, que todos os veículos relacionados à investigação passariam por novas avaliações. A pasta acrescentou que “tem atuado no sentido de moralizar e combater todo e qualquer tipo de ilegalidade no sistema de transporte”. Depois de recebida a denúncia, a Semob argumentou tê-la encaminhado à Polícia Civil.


Personagem da notícia

 
Valentão e cabo eleitoral
Preso na manhã de ontem, o empresário Valdirzão foi investigado em 2015 por crime semelhante: fraudes em licitação do transporte público e escolar de Planaltina de Goiás. Segundo a investigação do Ministério Público de Goiás, o grupo teria fraudado pelo menos R$ 5 milhões nos processos licitatórios. Os desvios teriam ocorrido entre 2009 e 2012. Além disso, em 2005, Valdirzão foi indiciado por participar da fraude no concurso do Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios (TJDFT). Ele entrou na lista de 30 pessoas — entre articuladores e beneficiários do esquema conhecido como máfia dos concursos — acusadas pela polícia de estelionato, falsidade ideológica e fraude em licitações.

O apelido de Valdirzão é devido à estatura. Ele tem 110kg e 1,92m. Formado em pedagogia, Valdirzão foi policial militar e salva-vidas. Atuou como cabo eleitoral da família Roriz e é conhecido como “valentão”. Devido ao tamanho, brigou e separou diversas confusões em comícios de Joaquim Roriz e Maria de Lourdes Abadia. Chegou a ser baleado no rosto por um adolescente, motivo que o levou às galerias do Congresso Nacional em apoio à diminuição da maioridade penal.

Valdirzão é famoso por protagonizar cenas marcantes. Por diversas vezes, levou Joaquim Roriz nos ombros durante comícios eleitorais. Em 2006, carregou o candidato à Presidência Geraldo Alckmin (PSDB) nos braços durante a inauguração de um comitê de campanha em Brasília.

Segundo a investigação, o ex-cabo eleitoral, a mulher e a filha exploravam o transporte rural em Planaltina. A mulher não foi localizada, e a filha foi levada à delegacia para prestar depoimentos. Na casa de Valdir, a Polícia Civil encontrou uma pistola calibre 22 com silenciador de uso proibido. Ele foi preso em flagrante por posse ilegal de arma de uso restrito, crime inafiançável. Além da pistola, os investigadores encontraram um rifle com mira telescópica. As armas foram apreendidas no cumprimento dos mandados de busca e apreensão.
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