Família conta com ajuda de amigos e vizinhos para sobreviver após acidente

Desde a morte de Mariana Kleber da Silva em acidente na DF-290, a família busca apoio para se reerguer. Além da vítima, o marido e três filhos seguiam no veículo que capotou após colisão próximo ao balão entre Santa Maria e Novo Gama

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 06/09/2017 06:00 / atualizado em 05/09/2017 23:50

Minervino Junior/CB/D.A Press


A pequena tevê da sala, ligada em volume baixo, dá voz ao silêncio da casa que, desde 24 de agosto, não tem a mesma alegria. Alguns alimentos doados, espalhados pelo chão, se misturam aos poucos brinquedos das três crianças que, há duas semanas, sentem a ausência da mãe. Sem poder contar com o suporte da mulher, Mariana Kleber da Silva, 28 anos, morta em acidente de trânsito envolvendo a família, Genilson da Silva Freitas, 33, passou a madrugada de ontem em claro no Hospital de Base, acompanhando o filho Ryan da Silva, 5. O menino sofreu traumatismo craniano quando o carro da família capotou na DF-290, próximo ao balão entre Santa Maria e Novo Gama.




Os irmãos Yan da Silva, 10, e Joaquim da Silva, 1, carregam cicatrizes físicas e psicológicas. O caçula, segundo Genilson, chora com frequência e está com pneumonia. Ele ainda não conseguiu atendimento na rede pública. “Eu tento ser forte, abraçar o meu pai e pedir para ele não chorar. Eu vou ajudá-lo em tudo”, diz o mais velho, que diz não dormir mais direito e segura o choro, tentando se distrair com um carrinho de plástico.

A humilde casa de dois quartos da família, no Jardim Céu Azul, tinha Mariana como chefe do lar. Além de sustentar financeiramente o marido e os filhos, a ex-funcionária de uma lanchonete, no Shopping Pier 21, era ativa, apesar de sofrer de depressão e ter síndrome do pânico, como conta Genilson, desempregado há dois meses. “Ela era minha inspiração, minha amiga, minha protetora, minha parceira. Eu sonho, todos os dias, que ela está entrando por essa porta e sorrindo para mim”, conta o viúvo, que ainda usa a aliança. Com olhar distante, ele acaricia o anel como quem busca, no gesto, sentir novamente o carinho da companheira. “Fazíamos tudo juntos. Ela me ajudava nos ‘bicos’ (trabalho informal), e eu cuidava das crianças e dos serviços de casa”, afirma.

Genilson é serralheiro e também trabalha com manutenção de portões eletrônicos. Dos seis filhos, três moram no Ceará com parentes da mãe. Mariana costumava dizer que o marido havia trabalhado demais e que era a vez dela. O casal tinha um bar no Entorno, mas, em abril, vendeu o negócio e tentou a vida no Ceará. Em junho, retornou à capital e, desde então, tentava reorganizar as finanças.

O acidente aconteceu em uma manhã de quinta-feira. Mariana estava de folga, e o casal decidiu resolver pendências na rua, segundo detalha Genilson ao Correio. Pegaram o Uno, colocaram os três filhos no banco traseiro e seguiram para o Lago Sul, onde a ex-funcionária abriria uma conta para receber o salário da empresa. Ela não gostava de dirigir e costumava ter crises de ansiedade ao volante; por isso, pediu que o marido conduzisse o veículo, mesmo sem habilitação. “Eu vi que um carro vinha muito rápido atrás da gente e bateria. Segurei o meu irmão na cadeirinha (Joaquim) e fechei o olho com medo”, relembra Yan.

Ryan, o do meio, foi transportado para o Hospital de Base de helicóptero pelo Corpo de Bombeiros. O mais velho contou que quebrou o vidro do carro para que os irmãos saíssem. “O Ryan estava paralisado. Ele não falava e não reagia. O Joaquim só chorava”, ressalta. O Uno da família colidiu com o Golf conduzido por Sandro de Freitas Xavier, 34, saiu da pista e capotou. Após ser avaliado por bombeiros, ele não precisou de transporte para atendimento médico.

Lembranças

Mariana e Genilson estavam casados havia 12 anos. Para o futuro, ele só pensa em cuidar da saúde dos filhos, conseguir um emprego e quitar a casa, que, segundo ele, corre o risco de ser leiloada por acúmulo de dívidas. Na tarde de segunda-feira, Genilson se apresentou à 33ª Delegacia de Polícia, em Santa Maria, e prestou depoimento. Segundo Ricardo Aquino, advogado dele, esta ainda é uma fase de instrução do processo, onde há recolhimento de provas e de depoimentos. “Ainda estamos aguardando resultados, como o laudo pericial, e o depoimento para poder concluir qualquer coisa”, disse Aquino. Por meio da Associação de Moradores de Santa Maria, que oferece advogados para defender pessoas de baixa renda, Aquino decidiu acompanhar Genilson no decorrer das próximas fases judiciais.



Ajude


» Os interessados em ajudar a família de Genilson podem entrar em contato pelo telefone (61) 9 9100 2224. Aceitam-se fraldas, roupas, alimentos e dinheiro.


Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.