Saiba quem está por trás da segurança no Palácio do Planalto

No dia do desfile de Sete de Setembro, o Correio detalha o trabalho das duas unidades do Exército que se revezam na guarda do Palácio do Planalto, na Praça dos Três Poderes

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postado em 07/09/2017 06:05 / atualizado em 07/09/2017 14:38

Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press
 


Sempre imóveis e com olhar fixo, eles chamam a atenção de quem passa em frente ao Palácio do Planalto. Das 8h às 18h, são figuras marcantes na Praça dos Três Poderes. É impossível não se impressionar com tanta disciplina. Sempre em dupla, no topo da rampa, os soldados paramentados com uniformes históricos e fuzis nas mãos são responsáveis por proteger o ponto máximo da política nacional.

 

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Por seis meses, quem assume o posto é o Regimento da Cavalaria de Guarda (RCG), mais conhecidos como Dragões da Independência. No outro período, fica a cargo do Batalhão da Guarda Presidencial (BGP), unidade atualmente à frente do serviço. Pode ser brasiliense ou turista, sempre fica a curiosidade de como funciona a função. Na véspera do desfile de Sete de Setembro, o Correio foi conhecer os tradicionais guardas da Presidência.

Diariamente, cerca de 40 militares se deslocam para o Palácio do Planalto. São 33 soldados, além de três cabos, três sargentos e um oficial. No local, há 11 postos estratégicos. Os dois militares que assumem a rampa são figuras simbólicas, pois fazem uma representação da história (leia Memória) do ofício. Caso precisem entrar em combate, podem fazer parte da defesa, mas a roupa usada não é a ideal.
O esquema de trabalho funciona da seguinte forma: os militares ficam duas horas na posição, depois, trocam e ficam mais duas horas livres para descansar. Após esse período, ficam em um modo que se chama força de reação, para o caso de acontecer algum problema ou ameaça — esse período prevê mais duas horas de trabalho. Dessa forma, há três grupos de prontidão.

 

 

 

De acordo com o comandante do Pelotão de Ordem Unida Sem Comando do BGP, primeiro-tenente João Pedro Rodrigues, é desumano ficar parado na mesma posição por tanto tempo. Por isso, só são permitidos alguns movimentos, de ordem unida e simultânea. “Isso ocorre de vez em quando com o comando das duplas mesmo. Comunicam-se entre si, mas também de forma restrita. Não podem ficar batendo papo”, explica. As normas são seguidas com vigor. E, caso não sejam cumpridas, existe o Regulamento Disciplinar do Exército (RDE). Mas, segundo Rodrigues, o grau de disciplina na formação é tão intenso que, normalmente, não é preciso muita cobrança. “Como a Praça dos Três Poderes é um símbolo nacional, pessoas de todos os países chegam para visitar. Pelo ambiente, acabam sendo disciplinados”, conta.


O soldado, antes de tirar serviço na guarnição externa, como nos palácios e no Ministério da Defesa, ele passa por um período de ensinamentos. “Quando eles acabam de entrar no quartel, são chamados de recruta, pois foram recrutados recentemente, ou seja, não podem servir nesses locais por serem inexperientes”, detalha. Mas, apesar de toda obediência e restrição, algumas reações do corpo humano são involuntárias. “Acontecem essas eventualidades, como, por exemplo, alguém se sentir mal, mas é difícil. São preparados para isso, e tomamos as providências de colocar outro no lugar.”

Distrações


Para o soldado Samuel da Silva, 21 anos, a parte mais difícil é aguentar as dores nas pernas e o calor. “A vestimenta esquenta muito. No início, a dor no joelho é grande. Mas, depois, com o tempo, acostumamos com a função”, relata. Uma vez, passou mal quando estava no posto, mas sinalizou para o cabo que fiscalizava o serviço e logo conseguiu atendimento. Em relação às necessidades físicas, Samuel esclarece que todos são orientados a resolver isso antes de iniciar o trabalho. Mas, caso aconteça durante as duas horas, precisam esperar o fim do expediente.

O Palácio do Planalto recebe visitantes constantemente. Alguns tentam conversar e até distrair os militares. Segundo o soldado Thalison Carvalho, 20, às vezes, é difícil manter a seriedade, mas conseguem colocar todo o treinamento em prática. “Precisamos manter a postura para que o paisana (a pessoa) veja que estamos lá. Às vezes, tentam fazer a gente rir, mas mantemos a disciplina. E precisamos também ficar atentos, pois a distração pode ser uma ameaça para que outras pessoas entrem, e estamos lá a serviço”, explica.


Memória


Guarda e cerimonial


Em 1823, D. Pedro I criou o Batalhão do Imperador para defender o comandante supremo da nação. Mas, devido a questões históricas, a unidade foi extinta e voltou, em 1933, com o nome de Batalhão de Guardas, sediado na cidade do Rio de Janeiro, capital do Brasil à época. Quando houve a mudança de sede, a unidade foi transferida para o Planalto Central e passou a se chamar Batalhão da Guarda Presidencial. Os uniformes que os soldados utilizam representam a época do Imperador. Na atualidade, são responsáveis pela guarda e pelo cerimonial da Presidência da República, de chefes de Estado e do Corpo Diplomático.Também atuam em ações de garantia da lei e da ordem e representam o Exército e o país em solenidades e eventos diversos.
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