PM suspeito de matar vizinho será transferido para a Papuda após cirurgia

O militar aposentado estava foragido desde o dia do assassinato e foi preso por integrantes da Corregedoria da PM no sábado à noite, no Gama

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postado em 11/09/2017 06:00 / atualizado em 10/09/2017 22:19

O policial militar reformado José de Arimatéia Costa, 58 anos, deve ser transferido ainda hoje para o Núcleo de Custódia da Polícia Militar, mais conhecido como Papudinha, um pavilhão da Papuda destinado a presos da corporação. Ele é suspeito de matar o vizinho, o analista financeiro Adilson Santana, 36, após uma briga no grupo de WhatsApp do condomínio onde moram, em Samambaia. O crime aconteceu no feriado de 7 de setembro. O militar aposentado estava foragido desde o dia do assassinato e foi preso por integrantes da Corregedoria da PM no sábado à noite, no Gama.
 
 
José de Arimatéia está internado no Hospital Maria Auxiliadora, na mesma região administrativa onde foi encontrado. Segundo a comunicação da PM, quando os militares da corregedoria o encontraram, ele estava com o braço quebrado e a mão, machucada. As lesões teriam sido provocadas por uma queda sofrida durante a briga com o Adilson. Após a prisão, José foi encaminhado para a unidade de saúde, onde apresentou um quadro de alteração arterial. Na manhã de ontem, médicos o submeteram a uma cirurgia no local da fratura.

Assim que receber alta, o PM será encaminhado à Papudinha. Ele está preso preventivamente. Por se tratar de um militar, o acusado deverá permanecer no núcleo de custódia até que a investigação e o processo sejam concluídos. O delegado da 26ª Delegacia de Polícia, Fabio Michelan, afirmou que, nos depoimentos das testemunhas, não foi identificada ligação entre o autor do crime e a vítima. “Foi uma atitude tomada de cabeça quente. Faltou tranquilidade. Eles mal se conheciam”, disse.

O desentendimento entre José de Arimatéia Costa e Adilson Santana, que morava no apartamento de cima, teve início por conta de uma mancha branca que apareceu na janela do militar. O suspeito enviou mensagem no grupo de WhatsApp acusando o morador do apartamento no andar superior. “O sem-noção que mora no 1803-A, quando escovar os dentes, vê se não cospe a meleca na casa dos outros, eu moro aqui no 1703-A e vi essa sujeira que cuspiram lá de cima”, escreveu.

O analista financeiro respondeu à mensagem e, em seguida, os dois passaram a trocar mensagens de áudio no grupo público. Após a troca de ofensas, o militar foi até a casa da vítima e eles voltaram a brigar. José de Arimatéia disparou duas vezes e fugiu. Adilson deixou um filho de 3 meses. A 26ª DP investiga o caso, assim como a Corregedoria da Polícia Militar. Se for condenado, ele poderá pegar de 12 a 30 anos de prisão.

Ação impulsiva


Psiquiatra e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (UnB), Raphael Boechat acredita que, caso o militar  não estivesse com a arma durante a discussão, dificilmente teria atirado na vítima. “Esse tipo de decisão é tomada muito rapidamente. Ter acesso à arma faz toda a diferença”, explica.

Para o psiquiatra, eventos em que a pessoa perde o controle das emoções tem se repetido cada vez mais na sociedade. “É um efeito colateral do nosso tempo. É uma banalização da violência. Outra coisa é o uso profissional da arma, que também banaliza o instrumento. Acho que deveria haver uma lei. Se a pessoa não está mais trabalhando, não precisa mais se armar. Isso tinha de ser obrigatório. E, se quisesse o porte, teria de passar pelas mesmas restrições de um civil qualquer.”

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