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Estado de Minas

Shoppings do DF esperam crescer até 10% em 2017, apesar da crise

Representantes do setor no Distrito Federal estimam crescimento de até 10% para 2017, mesmo com a queda de 0,9% registrada no país. O otimismo é explicado pela liberação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS)


postado em 13/09/2017 06:00 / atualizado em 13/09/2017 13:32

O Conjunto Nacional confirma alta na venda de eletros:
O Conjunto Nacional confirma alta na venda de eletros: "Neste ano, com o incremento do FGTS, sentimos, desde março, o aumento nas vendas dessas lojas", diz Fernando Marchesi, superintendente do shopping (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)


O mercado de shopping centers começa a apresentar sinais de recuperação. Embora o setor tenha sido um dos menos abalados pela crise econômica, não saiu ileso. De uma sequência de crescimento de dois dígitos, chegou a registrar, no primeiro semestre do ano passado, uma queda de 0,9% em todo o Brasil. Entretanto, o cenário vem mudando. Representantes do segmento apontam que, desde março, as vendas voltaram a crescer, puxadas, principalmente, pela injeção de dinheiro da liberação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Com isso, para 2017, a expectativa nacional é de 7% de incremento no segmento.

No Distrito Federal,  os shoppings têm especial importância para o varejo — recebem quase 12 milhões de visitas por mês. São 20 empreendimentos em todo o território, o que coloca a capital do país como a unidade federativa com a maior quantidade de metro quadrado desses centros comerciais por habitante. “O DF tem concentração de shoppings porque, ao longo dos anos, regiões tradicionais de comércio de rua, como a W3 Sul, foram sendo enfraquecidas”, analisa Marcelo Martins, superintendente do ParkShopping. “O comportamento do consumidor de Brasília volta para o shopping pela segurança, pela ambientação térmica e pela variedade de serviços que os espaços oferecem”, complementa.

ParkShopping: consumidores atraídos pela variedade de serviços(foto: Edy Amaro/Esp. CB/D.A Press)
ParkShopping: consumidores atraídos pela variedade de serviços (foto: Edy Amaro/Esp. CB/D.A Press)


O faturamento do setor no DF foi de R$ 4,6 bilhões em 2016, 1% a mais do que em 2015. Para 2017, não há uma expectativa local, mas os empreendimentos apostam em crescimentos de até 10%. A injeção do dinheiro proveniente do FGTS deu especial ânimo para os lojistas e para os shoppings. Segmentos como o de eletrônicos foram os que mais sentiram. “O Conjunto Nacional depende muito de eletro. No ano passado, o setor puxou o shopping para baixo. Neste ano, com o incremento do FGTS, sentimos, desde março, o aumento nas vendas dessas lojas que têm muito valor agregado”, analisa Fernando Marchesi, superintendente do Conjunto Nacional.

Adriana Colloca, diretora de Operações da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), explica que, de março a maio, as vendas e o fluxo de visitas cresceram. Em junho e julho, caíram — em parte pela instabilidade política —, mas a confiança vem se recuperando no segundo semestre. “Os shoppings mais consolidados passaram mais tranquilos do que aqueles em maturação. Mas, em geral, a tendência é de crescimento. Vemos melhoras nos setores de alimentação, lazer, serviços, assim como recuperação de lojas-âncoras”.

Jk Shopping, do Grupo PauloOctavio: aposta fora do Plano Piloto(foto: Bruno Peres/CB/D.A Press)
Jk Shopping, do Grupo PauloOctavio: aposta fora do Plano Piloto (foto: Bruno Peres/CB/D.A Press)


De acordo com a Abrasce, em todo o Brasil, são 17 inaugurações previstas para 2017. Uma delas é em Brasília, com a chegada do DF Plaza, em Águas Claras, na próxima semana. Outros grupos empresariais traçam metas para crescer.

O grupo PauloOctavio, que administra o Brasília Shopping, Terraço, Taguatinga Shopping, JK Shopping e tem participação no Iguatemi, apostará em shoppings de vizinhança fora do Plano Piloto. “O mercado do Plano está saturado. Para nós, o futuro está nos shoppings menores e nas cidades satélites. Esse movimento de ‘interiorização’ — coloco entre aspas porque não tem interior no DF — já aconteceu na última década no Brasil”, analisa Edmar Barros, superintendente de shoppings das organizações PauloOctavio.
 

Receita para crescer

 
Se há grande oferta de shoppings, a concorrência também é uma realidade. E em tempos de crise econômica, as administrações dos shoppings tiveram de traçar estratégias para manter o cliente circulando, as lojas ativas e a inadimplência dos lojistas em baixa. Conter a vacância era um dos principais desafios, assim como a taxa de turn over — índice que reflete a troca do mix de lojas. No Brasil, a vacância cresceu. Passou de 2,8% para 4,6%, entre 2014 e 2016, o que preocupa os condomínios de shoppings.

Embora não haja percentual de vacância consolidado no DF, as administrações dos shoppings agiram para evitar as lojas vazias. O Conjunto Nacional, por exemplo, tem 260 lojas e, praticamente, nenhum espaço ocioso. Em 2016, houve a troca de 30 lojas. Segundo Fernando Marchesi, superintendente do empreendimento, no momento de crise, a opção do Conjunto foi entender a situação dos lojistas. “Seguramos o preço do aluguel e, pontualmente, fizemos descontos para serem pagos depois. Tudo isso para manter a tabela nos moldes pré-acordados com acionistas.”

Para manter os clientes circulando, os shoppings tiveram de atrair os clientes. Os empreendimentos com mix mais heterogêneo — lojas e serviços — foram os que conseguiram manter mais fluxo. Por isso, alguns shoppings apostaram na ampliação de serviços, com a instalação de academias, lavanderias e bancos. “O cliente quer resolver o problema dele em um só lugar. Isso é fruto da dificuldade de locomoção na cidade”, analisa Edmar Barros, superintendente de shoppings das organizações PauloOctavio. “No momento em que temos um mix mais completo, a gente se torna polo de desejo de consumo. A variedade de serviços também nos dá uma certa ancoragem”, explica Marcelo Martins, superintendente do ParkShopping.

Promoções


Sorteios e promoções do estilo “comprou-ganhou” também foram estratégias utilizadas pelos empreendimentos na capital. De almofada a cerveja, de caneca a lenço, de carro a moto. “Não tivemos sensação de corredores vazios. O que percebemos é uma pesquisa maior dos consumidores antes de comprar. O cliente precisava de incentivo. Juntamos isso ao aniversário do shopping para fazer promoção quase todos os meses em 2016”, diz Marchesi.

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