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Estado de Minas

Festival de Cinema e Alimentação começa nesta quinta em Pirenópolis

A 8ª edição do festival trata das identidades dos povos a partir da gastronomia e da cultura alimentar


postado em 14/09/2017 06:00 / atualizado em 14/09/2017 07:52

Os sírios Yasmin e Ammar conversarão com a plateia sobre a vinda da família para o Brasil(foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press)
Os sírios Yasmin e Ammar conversarão com a plateia sobre a vinda da família para o Brasil (foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press)
 
Ammar Abou Nabout fala com os filhos em árabe. Um menino e duas meninas, com 8, 11 e 14 anos, respectivamente. À mesa, se os pequenos podem escolher, nada de arroz e feijão. Preferem a culinária síria. A mesma que Ammar e a mulher, Yasmin Abou Nabout, mãe das crianças, vendem no restaurante que abriram na 413 Sul. O sabor acabou se tornando uma forma de a família de refugiados manter a identidade com a terra natal. A cozinha de refugiados e imigrantes é, também, o tema da 8ª edição do Festival Internacional de Cinema e Alimentação Slow Filme, em Pirenópolis (GO), município a 150km da capital federal.
 
 
O evento começa hoje e vai até domingo. Na sexta, após a apresentação do filme Faça homus, não faça guerra, Ammar e Yasmin vão conversar com a plateia sobre a fuga da família para o Brasil e servirão homus aos presentes (veja Programação). O longa trata da cultura gastronômica que pode unir povos que se consideram inimigos no Oriente Médio. Além do casal, a imigrante Fatoumata Aboua, que deixou a Costa do Marfim fugindo de uma guerra étnica, falará sobre a própria vivência e cultura.

Ammar explica que algo da identidade da família fica pelo caminho. Mesmo que, dentro de casa, o árabe seja a língua vigente, os filhos não conseguem mais compreender os avós, por exemplo. Ele e a mulher seguem lutando pela preservação da cultura. “Em algum momento, terão mais tempo de Brasil que de Síria”, relata Ammar.

Os produtores do evento chegaram até o imigrante Fatoumata com ajuda do projeto paulista Comida de (I)migrante, gerido por Maria Conceição Oliveira, que trabalha com resgate de receitas afro-brasileiras e quilombolas. Fatou, como é chamada pelos amigos, conta que sua educação culinária sempre veio carregada de valorização da cultura e dos produtores da Costa do Marfim. “Comecei a cozinhar aos 8 anos. Cresci no meio das cozinhas da minha mãe, tias e da minha avó”, relata. “Hoje, cozinho em eventos e festas a comida Africana. A minha avó dizia em bambara ‘domini eh dunia dia’. Traduzindo: o gostoso da vida é a comida”, completa.

Diversidade

Curador do festival, Sérgio Moriconi, que também é diretor, crítico e professor de cinema da Universidade de Brasília (UnB), fala sobre a importância dessa preservação, bem como da aproximação entre imigrantes e brasileiros. Para ele, ao tratar do tema, o festival ganha contornos políticos importantes para a época e traz reflexões sobre a diferença entre os produtos industrializados e homogeneizados e a produção local.

“Todos os filmes, mesmo em assuntos universais, fazem um contraponto com culturas locais de diferentes partes do mundo. É uma forma de promover uma reflexão sobre a importância dessas culturas. Culturas que têm de se reafirmar a partir da compreensão da importância do consumo de seus próprios produtos e pratos”, avalia Sérgio Moriconi.

Uma das idealizadoras e produtora do evento, Carmem Moretzsohn destaca que o Slow Filme é o único festival do tipo no país. A ideia nasceu de um evento semelhante, que ocorreu na comuna italiana de Bolonha. “O festival estava ligado ao movimento slow food, que também nasceu na Itália. Esse festival italiano já nem existe mais. Teve poucas edições. Começamos a estudar. Não existia nada parecido no Brasil. Estamos falando de cinema, mas também da qualidade de identidade cultural por meio da culinária, de sustentabilidade e de respeito ao meio ambiente”, explica.

A maioria dos filmes que serão exibidos são inéditos no Brasil. “Fizemos pesquisas em festivais da Espanha e de Berlim, que têm mostras ligadas à gastronomia. Também garimpamos entre outras produções e recebemos alguns filmes nacionais”, detalha Carmem. O principal apoio para a realização do evento veio das embaixadas da Espanha, França, Austrália, Argentina, Turquia, Itália e Alemanha.

Mais qualidade


O movimento slow food surgiu na Itália. Inicialmente, foi promovido por uma organização não governamental de mesmo nome. Porém, como ideia, difundiu-se pelo mundo. O objetivo é melhorar a qualidade das refeições e dar prioridade a produtores locais, agregando valor à comida de diversas formas. O nome faz frente ao fast food, relacionado à massificação e padronização dos alimentos.


Programação


Confira os destaques do Festival Internacional de Cinema e Alimentação Slow Filme de Pirenópolis

Quinta, 14 de setembro
19h – Walachai

Sexta, 15 de setembro
19h – Faça homus, não faça guerra Após a sessão, haverá um bate-papo com Maria Conceição Oliveira, representante do projeto Comida de (I)migrante, e com os cozinheiros Fatou Aboua, da Costa do Marfim e Yasmin e Ammar Nabout, da Síria

Sábado, 16 de setembro
15h15 – Senhor Maionese
19h – Pelos Caminhos da Turquia Sessão seguida de degustação de quitutes turcos cedidos pela embaixada do país no Brasil.

Domingo, 17 de setembro
18h30 – O Prato Perene/The Perennial Plate – exibição dos curtas Uma história de massa, Faces da Turquia, Os fornos de Cappoquin, Santuário animal e Pequeno Rabanete (40min)

Serviço


Local: Cine Pireneus – Rua Direita, Pirenópolis, Goiás
Data: 14 a 17 de setembro de 2017

Entrada franca

Confira a programação completa e as sinopses dos filmes no site objetosim.com.br/slow-filme


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