O adeus a Lindalva, a mulher que gostava de comida boa e casa cheia

Lindalva chegou em Brasília aos 13 anos e escreveu sua história cuidando dos filhos e de quem mais necessitasse de ajuda

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postado em 15/09/2017 16:53 / atualizado em 15/09/2017 17:56

Arquivo pessoal

  
Cabelos e unhas impecáveis, rosto maquiado, sorriso e braços abertos. A vaidade, a alegria e a generosidade de Lindalva Antão de Macedo da Silva, 69 anos, manteve a casa cheia a vida toda. E não eram só de conhecidos. Acolhedora, Lindalva trazia para debaixo do teto quem precisasse de apoio. "Ajude sempre o próximo sem olhar a quem. Essa foi a maior lição que ela deixou para os filhos", afirma a caçula, Dora Macedo, 45, irmã de Alideljam Dora, 47; Amaro Júnior, 49; e Aurian Macedo, a “filha do coração”.  

 
Lindalva nasceu no Rio Grande do Norte, município de Assu, que na Certidão de Nascimento — não se sabe se por erro do cartório ou por mudança de grafia — está escrito Açu, com cedilha. Chegou a Brasília aos 13 anos e aqui construiu uma vida. Na antiga Divinéia, no Núcleo Bandeirante, conheceu Antônio Amaro da Silva, 74, e, com ele, se casou, aos 19. A união durou até 1994, quando decidiram que a vida seria melhor com cada um seguindo seu rumo.  

Desde então, Lindalva dedicou-se ao cuidado dos filhos. Cozinheira de mão cheia, preparava charuto de couve para agradar a um; estrogonofe para satisfazer outro; além de berinjela recheada e arroz à grega. Aos domingos, o cardápio trivial não tinha vez na cozinha dela. "A minha mãe dizia que a gente não tinha paladar apurado para comer os pratos que ela preparava", lembra Dora, sorrindo. 

E quem quisesse agradar ao paladar de Lindalva que chegasse com pastel de palmito e frango, acompanhado de caldo de cana bem geladinho. Ou um pote de doce de abóbora cristalizado para mordiscar depois das refeições. 

Na manhã desta sexta-feira (15/9), Lindalva despediu-se do plano terreno. Encerrou uma luta de três anos contra o transtorno de ansiedade, a demência e a depressão. Deu o último suspiro em casa, na companhia dos filhos, do genro e da cachorra Laila, a quem ela tratava, carinhosamente, como "minha neta".

Aos que quiserem se despedir, o velório será neste sábado (16/9), na Capela 5 do Campo da Esperança, na Asa Sul, das 10h às 16h, quando o corpo será enterrado.
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