Brasilienses constroem casas para proteger corujas do calor na Asa Norte

O buraco da coruja-buraqueira ganhou proteção extra para enfrentar o verão do Distrito Federal

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postado em 15/09/2017 17:17 / atualizado em 15/09/2017 18:24

Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press


No auge da seca brasiliense, duas moradoras ilustres da Asa Norte ganharam uma sombra para se refrescar. As corujas-buraqueiras, que vivem há pelo menos cinco anos em um gramado da 710 Norte, ficam, agora, debaixo de uma casinha durante as horas mais quente do dia. O alívio veio em boa hora, justamente quando os termômetros batem escaldantes 30°C e a umidade relativa do ar desaba a 9% no Distrito Federal. 

 

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A casinha da coruja foi construída há pouco mais de um mês, exatamente em cima do buraco onde o casal de aves escolheu para viver há, pelo menos, cinco anos. Ali, elas cuidam do ninho, vigiam o gramado e até já tiveram filhotes. Os "pombinhos" são da espécie buraqueira, conhecida por cavar buracos na terra na intenção de se proteger de predadores, além, é claro, de ter um lugar seguro para por seus ovos e criar seus filhotes. É uma das aves mais comuns na capital federal, pois se adapta muito bem aos ambientes urbanos, tanto que pode ser vista com facilidade em quase todos os canteiros centrais das grandes avenidas de Brasília.

 

Na tarde desta sexta-feira (15/9), as duas corujinhas se acomodavam sob a sombra do telhado construído com muito cuidado e que fica exatamente em cima do ninho. De vez em quando, uma delas sai de baixo do abrigo, estica as asas e se ajeita nos galhos secos das árvores. Sempre atenta à movimentação e de olho em sua toca, como conta a educadora física Paula Americano do Brasil, 50 anos. "Elas estão sempre ali. Eu imagino a qualidade de vida que as casinhas deram a elas. Essa pessoa trouxe sobrevida aos bichos. Nesse sol quente, elas saíam da toca e se deparavam com o sol rachando", conta.

 

 

 

Outras casinhas de coruja construídas por moradores estão espalhadas em outras quadras da Asa Norte, no Park Way e no Cruzeiro.  No Plano Piloto, ninguém sabe apontar exatamente quem são os benfeitores, mas quem passa pelo local e fica sabendo do abrigo elogia a atitude de proteção às aves. “Foi um gesto de amor e solidariedade. Fiquei emocionada quando vi. E eles fizeram sem deixar identificação, sem esperar nenhum retorno. É disso que o mundo precisa, de atitudes”, elogia a educadora física.

Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press

Dizem que quem construiu o abrigo foi caprichoso e passou um dia inteiro se ocupando do serviço. "Sei que passaram um sábado inteiro construindo a casinha", comenta o vigilante Cleiton dos Santos, de 40 anos, que trabalha em uma escola exatamente em frente à toca das corujas. Mesmo sem saber a identidade do benfeitor, Cleiton diz que se surpreendeu com o gesto. "Pra mim essa pessoa já tem um lugar no céu, foi uma atitude muito linda fazer isso pelas corujas", admira. 

 

Sem a casinha, em dias quentes, elas procuravam abrigo na sombra de uma das árvores da região. Segundo explica a médica veterinária e diretora de aves do Zoológico de Brasília, Ana Cristina de Castro, a coruja não tem predadores naturais e, portanto, seu maior inimigo são os humanos. A presença das corujas em áreas urbanas pode ser muito útil, inclusive, para o controle de pragas, já que as aves se alimentam de pequenos mamíferos, ratos, besouros e insetos.

 

Aparentemente, as corujas-buraqueiras da 710 Norte estão muito bem adaptadas a casinha nova, mas a médica alerta para o cuidado de interferir com exagero no habitat dos animais. Embora estejam na cidade e convivam bem com seres humanos, elas ainda são aves de rapina e podem ser ariscas, principalmente se estão com filhotes no ninho. “Elas são aves muito urbanas, mas se a movimentação em torno delas aumentar, elas podem se sentir ameaçadas e abandonar o local”, explica a especialista.

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Flavio
Flavio - 15 de Setembro às 18:45
Santa tolice, Batman! As corujas não precisam disso pra sobreviver. A reportagem é totalmente desnecessária. E as corujas possuem, sim, predadores; basta pesquisar.