Tragédia da L4 Sul: MPDFT denuncia os motoristas e pede prisão preventiva

Para Promotoria de Justiça do Tribunal do Júri, os envolvidos no acidente agiram de forma torpe e com recurso que dificultou a defesa das vítimas

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 05/10/2017 09:35 / atualizado em 05/10/2017 10:23

Hugo Gonçalves/Esp. CB/D.A Press
 
A Promotoria de Justiça do Tribunal do Júri de Brasília pediu a prisão preventiva do advogado Eraldo José Cavalcante Pereira e do sargento do Corpo de Bombeiros e enfermeiro da Secretaria de Saúde, Noé Albuquerque Oliveira, envolvidos no acidente da L4 Sul, em 30 de abril deste ano. A promotoria também os denunciou por tentativa de homicídio e homicídio triplamente qualificado, por motivo torpe; recurso que dificultou a defesa das vítimas; e perigo comum. Os acusados ainda vão responder por omissão de socorro e embriaguez ao volante.

 
Eraldo e Noé são acusados de provocar o acidente que matou Cleusa Maria Cayres, 69 anos, e filho dela, Ricardo Cayres, 46, na L4 Sul. Segundo o Ministério Público, os denunciados estariam alcoolizados e disputavam racha quando voltavam para casa após participar de uma festa no Lago Paranoá. A denúncia foi apresentada na quarta-feira (04/10). Caso sejam condenados, a pena pode ser agravada porque uma das vítimas era maior de 60 anos e porque Eraldo e Noé fugiram do local sem prestar socorro.  

Entenda as qualificadoras da denúncia

Motivo torpe: satisfação proporcionada pela disputa de velocidade

Recurso que dificultou a defesa das vítimas: aproximação súbita do veículo das vítimas, que trafegava de acordo com as normas de trânsito e não pode realizar nenhuma manobra de defesa
Perigo comum: emprego de velocidade excessiva e realização de manobras perigosas em via de grande movimento
 
A viúva, Fabrícia Gouveia, ficou surpresa com a rapidez da denúncia, pois ela e advogado da família Cayres acreditavam que iria levar , pelo menos, mais uma semana. "Essa resposta do MP e da Polícia Civil é importante, pois significa que ainda podemos confiar. As pessoas acham que a justiça funciona apenas para os ricos, mas não temos dinheiro e ninguém influente que nos ajudou até aqui", afirmou. Fabrícia disse que desde o início, amigos e parentes lutam para que Ricardo e Cleusa não virassem mais um número.
 
"Vamos continuar nessa estrada que é longa e temos consciência disso. Não é uma questão de vingança, mas sim, de justiça. A família do lado de lá também está destruída. São sofrimentos completamente diferentes, mas tenho certeza que a vida deles também mudou depois desse acidente. Prova disso é que eles não se pronunciam", alega. Para ela, a divulgação de casos como este alerta a população sobre a relação álcool e direção. "As pessoas acham que não dá nada e aí está um exemplo de que dá sim. Muita gente relativiza, acham que é comum beber e dirigir. Elas precisam entender que há punição sim e que consequentemente, famílias sofrem com essas atitudes."
 
O Correio entrou em contato com advogado de defesa dos denunciados, mas está desligado. Também enviou mensagens via Whatsapp e não obteve resposta.  
 
Aguarde mais informações.  
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.