PDT quer Jofran Frejat em 2018 e já ensaia romper com Rollemberg

De olho na candidatura de Jofran Frejat (PR) para o Palácio do Buriti, a sigla discutirá, na próxima terça-feira, a possibilidade de entregar os cargos ao Executivo local. Dessa forma, os pedetistas Joe Valle e Cristovam Buarque concorreriam ao Senado

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postado em 07/10/2017 08:00 / atualizado em 07/10/2017 00:49

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

Em quase três anos de gestão, PDT e PSB estiveram de mãos dadas à frente do Distrito Federal — ainda que entre apoios e alfinetadas. A aliança que emplacou Rodrigo Rollemberg (PSB) como chefe do Palácio do Buriti e rendeu a Joe Valle (PDT) e Reginaldo Veras (PDT) mandatos na Câmara Legislativa, entretanto, pode chegar ao fim na próxima terça-feira, em reunião da Executiva Regional pedetista. “A tendência é entregar os cargos ao governo e conquistar mais independência para debater”, adiantou o presidente da sigla na capital, Georges Michel. A movimentação escancara o descontentamento da legenda com as decisões do Executivo local e sinaliza as pretensões do partido a um ano das eleições.

Os pedetistas deixaram claro que não planejam estar ao lado de Rollemberg no pleito de 2018. A cúpula do partido, inclusive, abriu as portas para o ex-deputado Jofran Frejat (PR) concorrer ao Palácio do Buriti. Se o convite for aceito, o presidente do Legislativo local, Joe Valle (PDT), e o senador Cristovam Buarque (PPS) disputarão as duas vagas do Senado. O acordo envolve a filiação de Frejat à legenda — ele discutirá o assunto feira com Valdemar Costa Neto, comandante da Executiva Nacional do PR. Caso Frejat não aceite a articulação, Joe pode sair candidato ao Buriti. Apesar das negociações, é cedo para tomar quaisquer decisões políticas, acreditam os potenciais concorrentes.

Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press

A relação entre PDT e PSB começou a azedar ao fim de 2016, quando o governador decidiu apoiar a candidatura de Agaciel Maia (PR) à Presidência da Câmara Legislativa, em vez da de Joe Valle. A contragosto do chefe do Palácio do Buriti, o pedetista venceu o pleito com base em critérios de desempate (veja Linha do tempo). Desde então, Valle, que iniciou a carreira política ao lado de Rollemberg, levantou a bandeira de um mandato “desprovido de oposição sistemática ao governo, mas sem subserviência”, como havia adiantado ao ser eleito. Os posicionamentos frente às matérias prioritárias do Executivo local nem sempre atenderam aos anseios do governador.

A última posição destoante aconteceu na semana passada, durante a votação da reforma previdenciária do DF. Joe Valle votou contra a proposta, considerada a aposta do GDF para tirar os caixas do vermelho. “Trabalhamos para construir as melhorias e dar segurança aos servidores. Mas, no último momento, o governo adicionou (ao projeto costurado pelo pedetista) modificações não combinadas. Conseguimos suprimir essas alterações por meio de uma emenda. Mas, ainda assim, não concordei com o movimento. Além disso, havia deixado claro que não votaria favoravelmente ao projeto naquela data, porque ainda faltava diálogo”, argumentou.

Exonerações

Outra ofensiva que não agradou o parlamentar pedetista foi a exoneração de dezenas de comissionados da Secretaria de Trabalho indicados pelo correligionário Reginaldo Veras, às vésperas do pleito da reestruturação do regime previdenciário, após o distrital declarar voto contrário à proposição. “Foi uma atitude da velha política”, resumiu. “Pareceu que estávamos ali apenas por cargos. Falta diálogo. Perdemos o pertencimento ao governo, que é quando você toma decisões conjuntas; erra junto e acerta junto”, emendou Joe.

O presidente da Câmara Legislativa também confirmou que o PDT deve desembarcar da base aliada a Rodrigo Rollemberg. “A tendência é buscar a independência. Não faremos oposição, mas entregaremos os nossos cargos, com o intuito de estarmos mais à vontade para discutir”, pontuou. O distrital Reginaldo Veras preferiu não se posicionar sobre o tema, porém, tem deixado claro o desejo de deixar a base governista em diversas oportunidades. Na última convenção da Executiva Regional da sigla, foi enfático: “Passou da hora de rompermos com Rollemberg”.

Presidente do PDT no DF, Georges Michel aponta que o distanciamento entre a sigla e o PSB se deve “a recentes divergências ideológicas”. “No começo, quando fizemos a coligação, apresentamos um programa de governo, que está sendo pouco cumprido. Possivelmente, por falta de recursos e de uma boa gestão. E não concordamos com isso. Não estamos aqui por cargos, mesmo porque não fazemos política de fisiologismo”, defendeu.

Novos projetos

O desejo pelo rompimento, entretanto, não é unânime. Secretário do Trabalho e Empreendedorismo, Thiago Jarjour afirma que tem projetos pendentes na pasta, e a ruptura poderia significar atrasos na concretização das propostas. “Está pendente, por exemplo, a entrega da Câmpus Party (evento de tecnologia). É algo que depende muito de mim e um compromisso que fiz com os segmentos de tecnologia e inovação da cidade. Se saio, há o risco de o projeto ser interrompido e reiniciado do zero”, alegou.

Mesmo em meio às divergências, o Palácio do Buriti aposta na permanência do PDT na base aliada. “O governo espera que o partido continue contribuindo na gestão do DF, na qual ocupa espaços administrativos importantes para o desenvolvimento de Brasília. Além disso, o Executivo local não enxerga nenhuma razão concreta para o rompimento ou o afastamento”, destacou o secretário de Comunicação, Paulo Fona.

A partida do PDT em um ano eleitoral pode comprometer a facilidade do Executivo local em aprovar algumas matérias prioritárias. O GDF tem provas de fogo pela frente: em outubro, o governo encaminhará à Câmara o texto da Lei de Uso e Ocupação do Solo (Luos). A votação da proposta deve ficar para 2018, mas Rollemberg espera contar com a fidelidade da base para dar a largada nos debates do projeto.


Memória


Relação deteriorada

Pela conquista dos cargos majoritários, o PDT embarcou, em 2014, em uma coligação com PSB, PSD e Solidariedade — a chamada Somos Todos Brasília. A união de forças emplacou Rodrigo Rollemberg (PSB) na chefia do Palácio do Buriti; Renato Santana (PSD) na Vice-Governadoria; e Reguffe (PDT) no Senado. Em uma junção quase idêntica, Joe Valle (PDT) e Reginaldo Veras (PDT) conquistaram cargos na Câmara Legislativa. Com o tempo, porém, a relação entre os partidos azedou. Reguffe deixou o PDT devido à discordância quanto à votação de algumas propostas no Congresso Nacional e, por consequência, se distanciou do PSB. Em razão da falta de espaço no governo, ainda que sem uma ruptura oficial, Renato Santana deixou de apoiar as decisões de Rodrigo Rollemberg. Assim, o PSD planeja um voo solo para 2018. Agora, com a oposição de Reginaldo Veras e Joe Valle aos anseios do Palácio do Buriti por seguidas vezes, a tendência é que a Executiva Regional pedetista decida entregar os cargos ao Executivo local e governar de maneira independente. “Falta diálogo para governar”, resume Valle.


Linha do tempo


2010 — Joe Valle é eleito deputado distrital pelo PSB. À época, a sigla integrava a coligação que emplacou Agnelo Queiroz (PT) no Palácio do Buriti e Rodrigo Rollemberg (PSB) no Senado.

2012 — Após uma série de desgastes e de olho nas eleições de 2014, a Executiva Regional do PSB rompe com o PT. Apesar do afastamento de Rodrigo Rollemberg da sigla petista, o distrital Joe Valle mantém relações com a legenda de Agnelo Queiroz.

2013 — Joe Valle quase é expulso do PSB por relações próximas a petistas, como Gilberto Carvalho. Após a polêmica, o distrital desembarca da legenda e filia-se ao PDT.

2014 — O PDT embarca em uma coligação com PSB, PSD e Solidariedade para a conquista de cargos majoritários nas eleições de 2014. Com a união de forças, Rodrigo Rollemberg elege-se governador. Em uma junção similar, com a ausência apenas do PSD, Joe Valle conquista o mandato de distrital pela terceira vez.

2015 — Entre as movimentações para a eleição da Presidência da Mesa Diretora da Câmara Legislativa, Joe Valle pede apoio ao governador, que escolhe apostar na candidatura de Celina Leão, à época, do PDT. O chefe do Palácio do Buriti, contudo, o nomeia titular de uma supersecretaria: a de Trabalho, Desenvolvimento Social e Direitos Humanos.

2016 — Joe Valle retorna ao Legislativo local em tempo de colocar-se na disputa pela Presidência da Casa. Pela segunda vez, pede apoio à candidatura a Rollemberg. Novamente, ouve uma negativa: o governador decide dar a benção ao distrital Agaciel Maia (PR).

2017 — Após uma votação apertada e a contragosto de Rollemberg, Joe Valle assume a Presidência da Câmara Legislativa, com o discurso de uma gestão independente. Ao longo dos meses, o parlamentar se opõe aos desejos do governador em diversas oportunidades — a última delas, na votação da reforma da Previdência, proposta prioritária do Executivo local, que recebeu voto contrário do pedetista.




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Gilson
Gilson - 08 de Outubro às 08:26
Essa Briga entre Bandidos engravatados irá durar muito ainda, o raça de gente que não serve para nada nesse nosso pais baronil. Que uma bomba do kim, possa atingir essas desgraças logo.