Operação Caronte: médico envolvido com a quadrilha pode perder o registro

Médico-legista preso na Operação Caronte deverá enfrentar processo no Conselho de Ética do CRM e da OAB-DF

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postado em 27/10/2017 16:42 / atualizado em 27/10/2017 17:16

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press
O médico-legista Agamenon Martins Borges, suspeito de liderar uma quadrilha que se beneficiava com o “mercado da morte” no Distrito Federal, poderá perder direito de exercer a profissão. O Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF) informou, na tarde desta sexta-feira (27/10), que uma sindicância será instaurada para apurar a denúncia contra o profissional. Ele, que também é advogado, deverá passar pelo mesmo processo investigativo na Ordem dos Advogados do Brasil do DF (OAB-DF). 

Segundo a assessoria de comunicação do CRM-DF, uma sindicância será aberta para apurar a denúncia contra Agamenon. Se os indícios forem confirmados, o médico-legista pode ser alvo de um processo ético-profissional, podendo perder o direito de exercer a profissão. Além de médico-legista, Agamenon também é formado em direito e atua como advogado. Em contato com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-DF), a reportagem do Correio foi informada pela assessoria de imprensa, que o caso será analisado. No posicionamento, a comunicação da entidade reforçou que “se a OAB avaliar que houve infração ético-disciplinar, pode ser aberto processo contra Agamenon.”. O processo contra o suspeito corre em segredo de justiça. 
 
Operação Caronte

De acordo com as investigações, Agamenon agia com o auxílio do sobrinho Conrado Augusto de Farias Borges, que fazia o papel de falso médico. De dentro do Hospital Regional de Taguatinga, servidores e vigilantes repassavam às funerárias dados pessoais de pacientes mortos. Em troca, os envolvidos recebiam uma porcentagem em propina. A polícia suspeita da participação de funcionários de pelo menos três funerárias de Taguatinga e Samambaia.
 
O delegado informou que o profissional atuava para as três empresas suspeitas de fazerem parte do esquema, mesmo elas sendo “rivais”. Segundo o delegado da Divisão de Assuntos Internos da Corregedoria da Polícia Civil, Marcelo Zago,  ele não mantinha vínculo formal com nenhuma e cobrava até R$ 500 pelo documento, que é gratuito se feito pelo Governo do Distrito Federal (GDF). "Ele fazia o serviço para uma e também para as demais. Não mantinha uma fidelidade", informou.  

Acusado de liderar um esquema de funerárias, Agamenon Martins Borges possui 18 processos transitando em primeira instância no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT). A maioria são cobrança de dívidas de impostos. Ele responde ainda por posse de arma e por crime ambiental. O médico-legista foi preso na operação Caronte da Polícia Civil na manhã de quinta-feira e liberado hoje, após uma audiência de custódia e o pagamento de uma fiança de R$ 937. 
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Helder
Helder - 27 de Outubro às 19:21
O senhor Agamenon Martins Borges não pertence mais ao quadro da Polícia Civil do DF há quase vinte anos; portanto, não pode ser denominado como médico-legista. Tudo isso só ocorre porque ainda não foi implantado o SVO (Serviço de Verificação de Óbito), o que faz com que a população seja vítima dos achaques de algumas funerárias inescrupulosas. Absurdo!!!