Pesquisa, difusão e ensino de arte: conheça o Galpão do Riso

Galpão do Riso se firma como um importante e movimentado local de formação e propagação cultural no DF

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Galpão do Riso/Divulgação


O Galpão do Riso, importante espaço cultural de Samambaia, se consagra no Distrito Federal como um eficiente
centro de pesquisa, difusão e ensino da arte. A iniciativa começou em 2003, tendo como sua primeira sede o Parque Três Meninas e, em 2011, acabou transferido para um Centro Comunitário que se encontrava ocioso havia mais de dois anos, na Área Especial 02 de Samambaia. O espaço foi revitalizado e se transformou em sede do grupo Nutra Teatro, que realiza pesquisas, práticas e apresentações sobre o ofício do ator e técnicas de artes cênicas. O Galpão busca manter um forte diálogo com a comunidade ao redor e, em 2010, foi reconhecido como Ponto de Cultura pelo Ministério da Cultura. As oficinas e espetáculos, assim como as atividades formativas, são constantes.

Paula Sallas, uma das integrantes do projeto, conta que se encantou pela arte do palhaço ainda na adolescência, durante uma apresentação do ator João Porto Dias. Desde então, a tradição da arte circense começou a fazer parte de seu cotidiano, sempre dedicado à arte. Para a atriz, o Galpão do Riso influencia e movimenta a cultura de Samambaia, colaborando para a sensibilização de plateia através de atividades e cursos de formação profissional em teatro e circo.

Além disso, o espaço conta com um festival bianual chamado Mostra o Clown, em que palhaços iniciantes se apresentam para o público em espaços fechados e nas ruas. O local recebe constantemente apresentações de grupos do DF e de diferentes regiões do Brasil, firmando-se como um espaço de reconhecimento e encontro cultural.
 
Galpão do Riso/Divulgação


O Galpão completa seis anos de resistência no Centro Comunitário e busca promover um trabalho de circulação e saberes artísticos não somente em Samambaia, mas em todo o DF. “Anualmente, alcançamos mais de 3 mil pessoas, por meio de nossas ações, gente que costuma frequentar espetáculos e também que sequer teve contato com uma apresentação artística antes e acaba por se encantar com a possibilidade que se abre”, destaca Paula.

Aumentar a frequência das apresentações e atividades de pesquisa é uma das metas dos responsáveis. “Queremos atingir pessoas que se interessem por transformar a sociedade em que vivem, sem se preocupar apenas com um reconhecimento em massa, e sim um reconhecimento afetivo de quem presencia nosso ofício”, afirma.


Rede de colaboradores

João Porto, aquele que despertou em Paula Salles o encanto pelo circo e pela arte do ator, iniciou sua prática no teatro brasiliense em 1996, em uma oficina de confecção e manipulação de bonecos com outra figura importante da cidade: José Regino. Depois de passar por diferentes grupos, cidades e pesquisa de diversas técnicas em artes cênicas, o ator decidiu que deveria existir um espaço artístico de qualidade e com atividades contínuas para a comunidade em Samambaia. Foi assim que, em 2004, ele iniciou a criação do Galpão do Riso.

A administração de Samambaia disponibiliza o espaço físico e a UnB entra com projetos artísticos e pedagógicos e orientação de pesquisa. O local foi revitalizado e reformado por iniciativa dos próprios artistas, que pintaram, trocaram telhas, piso e deixaram o espaço adequado para as atividades artísticas. “O espaço colabora para a formação sociocultural de Samambaia, com o objetivo de despertar vivências e reflexões provocadas pelo teatro e o circo”, destaca João.

O artista conta que há 15 anos o espaço alcançou mais de 30 mil pessoas por meio de cursos, oficinas, apresentações artísticas, encontros e intercâmbios, tanto com artistas locais, quanto nacionais e internacionais. O Galpão busca potencializar a circulação cultural de maneira descentralizada, no Distrito Federal, e conta com uma rede de colaboradores e artistas para manter suas atividades.


Diálogo constante

Willy Costa também integra o grupo que trabalha no Galpão do Riso e conta que o espaço mantém forte diálogo com as escolas públicas da cidade. A ideia é investigar e promover a manutenção e a difusão do fazer artístico na capital. Para Willy, a arte do palhaço pode proporcionar o empoderamento do corpo de cada praticante. Além disso, os projetos do grupo trabalham a favor da manutenção dos artistas locais e das tradições populares, mantendo vivo o fazer artístico e alimentando as redes culturais da cidade.

Para saber mais

Movimentação cultural contínua no Galpão
Todas as atividades são gratuitas. Existem quatro projetos contínuos no espaço: o Projeto de Extensão de Ação Contínua (Peac); o Núcleo de Trabalho do Ator (Nutra), vinculado ao Departamento de Artes cênicas da UnB, que se organiza no formato de laboratório, realizando estudos e práticas de pesquisas voltadas ao treinamento do ator, estudo da linguagem do clown e de instrumentos musicais; o Projeto Ginga Menino, que envolve a arte da capoeira, danças e cantos de origem afrodescendentes, com reciclagem de lixo orgânico para crianças, jovens e adultos.

O Projeto de Ginástica e Educação Corporal é voltado para jovens adultos e idosos. Além deles, funciona um laboratório com foco no estudo e treino do palhaço, que envolve artistas e estudantes empenhados na profissionalização da linguagem do palhaço.

Outro ponto alto é o encontro bienal Mostra o Clown, que reúne artistas experientes e iniciantes para, durante oito dias, vivenciarem o estudo da linguagem com oficina, apresentações e conferências sobre arte do palhaço.
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