Após crime brutal, moradores de Alexânia pedem justiça em nome de Raphaella

Mais de duas mil pessoas foram ao enterro de Raphaela Noviski, assassinada com 11 tiros dentro da escola. Mesmo abalada, a família (foto) da jovem esteve no fórum da cidade para acompnahar o depoimento de Misael Olair, criminoso confesso

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postado em 08/11/2017 06:00 / atualizado em 08/11/2017 06:47

Ed Alves/CB/D.A Press


“Onze tiros fizeram a avaria”. A frase faz parte da canção Onze Fitas, interpretada pela cantora Elis Regina. O mesmo número pôs em choque e desencadeou uma onda de revolta em Alexânia, a 91km de Brasília. Um dia após a barbárie contra a estudante Raphaella Noviski, 16 anos, morta no Colégio Estadual 13 de Maio com 11 disparos no rosto, amigos e familiares se mobilizaram para o sepultamento da jovem e para a audiência de custódia do assassino confesso Misael Pereira Olair, 19 anos.

À tarde, na calçada do Fórum da Comarca de Alexânia, dezenas de pessoas cobraram punição exemplar, em um protesto com cartazes e palavras de ódio. Elas chegaram a cercar o carro da polícia que trouxe e levou Misael. Algumas gritaram “lincha”, lincha”.



Ele chegou ao fórum usando um colete a prova de balas, camiseta, bermuda e chinelos. “Vou olhar na cara dele e quero que ele me responda por que fez isso com ela”, disse, com os olhos marejados, Rosângela Pereira da Silva, mãe de Raphaella. “Eu não perdoo”, ressaltou.

Ed Alves/CB/D.A Press


O juiz Leonardo Lopes dos Santos Bordini ouviu Misael por cerca de 30 minutos. Ele ficará preso na Cadeia Municipal de Alexânia enquanto aguarda julgamento, sob a acusação de feminicídio, assim como motorista Davi José de Souza, 49, que também prestou depoimento.

Davi é acusado de ter dado cobertura ao assassino confesso, que alegou ter planejado a morte de algoz de Raphaella após ser rejeitado pela menina. Davi dirigiu o carro que levou Misael à escola. Policiais militares detiveram ambos em flagrante, a cerca de 300m do colégio, após a execução de Raphaella.

O atirador respondeu todas as perguntas do juiz. Um detalhe chamou atenção do magistrado: o ferimento extenso no olho esquerdo. O machucado estava roxo e inchado. Misael disse não ter sofrido violência desde a prisão e que recebeu visita de advogado e familiares. Desconversou sobre o hematoma. “Escorreguei no banheiro”, resumiu.

Rosângela ficou cara a cara com o algoz da filha durante a audiência. Muito abalada, a mulher desabafou: “Ele destruiu a minha vida, a vida da minha família.” Misael não encarou Rosângela em momento algum.

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Cortejo

O corpo de Raphaella saiu em cortejo pelas ruas de Alexânia. Amigos, parentes e moradores comovidos com o brutal assassinato caminharam cerca de 3km até o Cemitério Campo da Saudade. Muito abalado, o pai da vítima, o agente penitenciário Leandro Márcio Romano, 40 anos, também clamou por Justiça. Ele mora em Belo Horizonte, mas chegou em Alexânia, na manhã do domingo, para passar férias. O pai iria se encontrar com Raphaella no dia do crime, após a aula. “É uma mistura de sentimentos. Raiva e tristeza caminham juntos. Espero que ele (o assassino) fique bastante tempo preso”, afirmou.

Mais de 2 mil pessoas passaram pelo velório realizado na Igreja Assembleia de Deus Madureira. A cerimônia começou na noite de segunda-feira, dia do assassinato. Parentes e amigos soltaram balões para simbolizar a partida da jovem. Centenas de coroas de flores foram deixadas no local. “Ele (Misael) destruiu um sonho num ato frio e covarde. Espero que ele pague pelo que fez”, lamentou Alex dos Santos, 26 anos, amigo da jovem.

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Amigos e familiares diziam não entender por que o assassino matou simplesmente pelo fato de ter sido rejeitado pela jovem. Segundo relato de uma prima de Raphaella, o rapaz chegou a ameaçar a estudante, por telefone, horas antes do assassinato. “Ele já a ameaçava desde o ano passado. Quando foi hoje cedo (ontem), ela recebeu uma ligação e ouviu: ‘Está preparada?’. Aí, logo em seguida, ele desligou”, contou a jovem, que preferiu não se identificar.

Raphaella morava com a avó e, em outra ocasião, Misael ameaçou entrar na casa da menina com uma faca. “Ela não procurou a delegacia porque pensou que isso fosse acabar. No ano passado, ele foi à casa da minha avó ameaçando entrar com faca. Minha avó, cadeirante, ficou desesperada. E o meu tio ameaçou ligar para a polícia se ele continuasse indo para lá”, contou a prima da vítima.

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Escola vai ser reaberta amanhã


As aulas no Colégio Estadual 13 de Maio, palco do assassinato, continuarão suspensas até amanhã. Professores, coordenadores e demais profissionais da instituição de ensino estão sob acompanhamento psicológico. A Secretaria Municipal de Educação acompanha o caso. Os alunos do 9º ano, período em que Raphaella estava, serão os primeiros a retomarem os estudos.



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wilden
wilden - 08 de Novembro às 17:47
Fez isso pq confia na impunidade que impera nesse País, enquanto nossos legisladores se preocupam em encher os bolsos,e não mudar esse código penal, ficamos a mercê dessa bandidagem