Acusado de homicídio em empresa de Constantino assume envolvimento

João Marques afirmou ter participado do crime e negou envolvimento de Nenê. Após revelação, defesa do réu abandonou o caso

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postado em 13/11/2017 20:45 / atualizado em 13/11/2017 21:55

Durante o julgamento do ex-proprietário da empresa Gol Linhas Aéreas, Constantino de Oliveira, o Nenê Constantino, 86 anos, e mais dois acusados, um dos réus, João Marques, assumiu envolvimento com o assassinato de Tarcísio Gomes, em fevereiro de 2001. A vítma morreu em uma garagem das empresas de ônibus que pertenciam a Nênê Constantino. A revelação veio na fase das oitivas dos réus, iniciada por volta das 18h50 desta segunda-feira (13/11). Além do réu confesso, João Miranda,  e do próprio Nenê Constantino também Vanderlei Batista é acusadode participação no homicídio qualificado.
 
 
Após ouvir as sete testemunhas pela tarde, os acusados começaram a ser ouvidos. O primeiro foi João Marques. Após cinco minutos de fala, a sessão teve que ser interrompida devido a problemas técnicos. Às 19h10 foi retomada. 
 
Apesar de ter sido orientado pela defesa a utilizar o direito de ficar em silêncio, o acusado disse que não ia mentir e que realmente participou do crime. "Eu que fui o cara que pegou a arma pra matar o Tarcísio. Peguei com o Vanderlei e entreguei para o Miranda", alegou. João disse que a motivação do crime seria a desocupação de um terreno e negou qualquer participação de Nenê Constantino. 
 
Devido  ao conflito entre o réu e a defesa, os dois advogados alegaram que foram surpreendidos com a mudança clara nas versões apresentadas. Assim, pediram para abandonar o caso e também solicitaram um exame de sanidade mental, pois consideram que João possua um desvio de conduta. Com esse pedido, o juiz entendeu que haveria danos financeiros ao Estado e aplicou uma multa de R$ 93.700 para cada profissional. O magistrado e a defesa entraram em conflito e a sessão foi interrompida mais uma vez.
 
Antes de deixar o plenário, os advogados que tinham João Marques como cliente, pediram desculpa pelo ocorrido e justificaram que, devido à reviravolta, não tinham condições de montar uma nova estratégia em curto período de tempo. "O que aconteceu aqui foi razão em plenitude de defesa, jamais por interesse próprio", alegaram. 
 
Depois da argumentação das outras defesas, o juiz decidiu prosseguir o julgamento, mas com o desmembramento do processo. Os atos como interrogatório e provas técnicas, feitos até o momento, devem ser preservados. 
 
O segundo réu ouvido foi Nênê Constantino. O empresário repetiu inúmeras vezes que este processo é uma "covardia" armada pelo ex-genro Eduardo Queiroz e pela delegada Mabel. Ele afirmou que só soube da morte de Tarcísio quando os autos deram início. "Nunca mandei matar ninguém. Sempre tratei funcionário meu como companheiro", informou. Nênê contou toda sua trajetória profissional e como chegou até a fortuna, mas sempre com o cuidado de falar que o dinheiro nunca foi prioridade. "A minha fortuna é minha família".

Os outros réus, João Miranda e Vanderlei Batista não foram interrogados devido a hora, idade e problemas de saúde. A sessão vai ser retomada na manhã de terça-feira (14/11), às 9h. 

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