Associação em Ceilândia reúne artistas interessados em difundir o forró

Criada em 7 de novembro de 2004, a Associação de Forrozeiros do DF (Assforró-DF) realiza eventos em todo o Distrito Federal

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postado em 15/11/2017 08:00 / atualizado em 14/11/2017 23:30

Assforro/Divulgação

 

O Nordeste tem em Ceilândia sua maior sucursal no Distrito Federal. Essa representatividade se reflete na promoção e divulgação de manifestações artísticas que remetem à cultura popular daquela região. Entre elas estão o tradicional São João do Cerrado, os encontros de repentistas e cordelistas na Casa do Cantador; e, em maior escala, os rala-buchos, comandados por incontáveis trios de forró-pé-de-serra, com a tradicional formação de sanfona, zabumba e triângulo.
 

Quarenta deles são filiados à Associação de Forrozeiros do DF (Assforró-DF), criada em 7 de novembro de 2004, que, há seis, anos tem como presidente Marques Célio Rodrigues de Almeida, cearense de Morada Nova, morador de Ceilândia há três décadas. A entidade está sediada na Área Especial 1, n QNN 30, Loja 13 A.

“Em nossa sede, além da parte administrativa e da produtora de eventos, funcionam um estúdio de gravações de 32 canais, e a rádio Asa Branca Brasil, hospedada na web, cujo slogan é ‘Forró e MPB de qualidade’”, conta Marques Célio. “O acesso à emissora — no ar 24 horas —, é por aplicativo no site www.asabrancabrasil.com”, acrescenta.

Segundo ele, á rádio é uma das mais acessadas do país e, para que isso ocorra, a Assforró-DF tem intercâmbio com outras associações do gênero, principalmente do Nordeste. “Temos parceria com a Associação Forrozeiros do Brasil, de Exu (PE), terra natal de Luiz Gonzaga; Associação Balaio Cultural, de João Pessoa; Associação Forrozeira de Campina Grande (PB); Associação de Artistas e Compositores de Forró Nordestino, de Caruaru (PE), e Associação de Forrozeiros de Juazeiro (BA), entre outras”, ressalta o presidente.

Filantropia

“Utilizado para a gravação de discos dos trios ligados à associação, o estúdio, instalado em 2011, produz trabalhos de outros artistas basilienses. Em geral, nos CDs lançados pelos trios, são registradas composições autorais, criadas por artistas como como Carlos Silva (Trio Forrojada), Araújo do Norte (Trio Asa Branca), Sinésio do Acordeon (Trio do Nordeste) e Luizão do Forró (Forró Du Bom). “Todos eles costumam vender seus discos em shows e projetos promovidos pela associação, e as músicas são veiculadas nos programas de nossa rádio”, complementa.

Marques vê o forró como “um alimento para a alma, um legado que, ainda criança, recebi dos meus pais e dos meus avós, e que busco passar para as novas gerações”. E é essa energia que se espalha quinzenalmente na Casa do Cantador (prédio com a assinatura de Oscar Niemeyer), com o Sabadão do Forró, que chegou à 10ª edição, com média de público de 400 pessoas. O próximo, no dia 18, o evento da associação terá a participação do Trio Campo Alegre, Trio Asa Norte, Trio Sanfona Nova,Trio Forrozão Bambolê, e a exemplo dos anteriores, com entrada franca. Os últimos ocorrem nos dias 2 e 9 de dezembro. “Os trios foram selecionados em edital da Secretaria de Cultura. Cada um participa apenas de uma edição do projeto e recebe cachê de R$ 4 mil”, esclarece.
 
Assforro/Divulgação
 

Na Feira tem Pé de Serra, Pé de Serra nas Estações e Itinerância Forrozeira são outros projetos criados pela Assforró, que promove também o Encontro de Forrozeiros, em comemoração ao Dia Nacional do Forró. A celebração ocorre em 13 de dezembro, data de nascimento de Luiz Gonzaga. “A associação, por meio dos trios filiados, atua de forma filantrópica, ao atender pedidos feitos por hospitais, asilos, igrejas. Além disso, fazemos palestras sobre essa manifestação da cultura popular em escolas das redes de ensino público e privada”, destaca Marques Célio.

Líder do Forró Du Bom, Luiz Gonzaga da Rocha, o sanfoneiro Luizão do Forró criou o grupo em 1979, quando se instalou em Ceilândia, vindo de Sumé (PB). “Sou ligado a esse tradicional gênero musical desde a infância, quando ouvia meus ídolos Jackson do Pandeiro, Sivuca, Dominguinhos, Oswaldinho do Acordeon, Marinês e, claro, o mestre Gonzagão”, lembra. “Aos 14 anos aprendi a tocar sanfona”, complementa.
 
Com dois discos de produção independente lançados em 2010 e 2014, o Forró Du Bom costuma fazer show em clubes sociais do Plano Piloto, em festas particulares e toma parte em projetos criados pela Assforró. Em 2007, fomos tocar em São Tomás e Príncipe, na África. Os atuais companheiros de Luizão no trio são Calango (zabumba) e George (triângulo. “Músicas nossas como o xote As meninas piram e Forró fiado são bem conhecidas do público”, comemora o sanfoneiro.

Formação

Sinésio de Araújo, pernambucano de Custódia, mora em Ceilândia desde 1973. Foi ali onde, sete anos depois, criou o Trio do Nordeste. “No ano passado lançamos o CD Homenagem ao Rei, com a formação atual. Que tem Cleofas Cordeiro (zabumba) e Adeilson da Silva (triângulo). O disco é de músicas autorais e, obviamente, homenageia Luiz Gonzaga. Temos uma boa agenda de shows no DF e nos apresentamos em Pernambuco, Paraíba, Bahia e em Tocantins”, acrescenta.

Marques Célio tem como referência Emanuel Gurgel, o cearense que, na década de 1990, criou o chamado forró eletrônico, tendo como prinipal referência a banda Mastruz com Leite. “Em seu projeto, o Emanuel manteve a essência do forró tradicional, com sanfona, zabumba e triângulo, mas adicionando instrumentos eletrônicos à formação. Ele criou um movimento que marcou a história da música nordestina, contando com a estrutura de um estúdio e uma gravadora SomZoom, de sua propriedade”. Na Asssociação dos Forrozeiros do DF, porém, o presidente da instituição mantém fidelidade ao forró-pé-de-serra. Gênero que faz parte do trabalho de todos os trios filiados. 
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