Quase uma semana depois, greve dos metroviários ainda parece longe do fim

"Até o momento, não fomos convocados para nenhuma reunião e não houve o mínimo acordo apresentado pelo governo", disse Leandro Santos, secretário jurídico do SindMetrô

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postado em 15/11/2017 08:00 / atualizado em 15/11/2017 11:20

Antonio Cunha/CB/D.A Press

 

A quinta-feira para o brasiliense que depende dos serviços do metrô deve seguir complicada. Isso porque o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Metroviários (SindMetrô) promete manter a greve, iniciada há quase uma semana. “Até o momento, não fomos convocados para nenhuma reunião e não houve o mínimo acordo apresentado pelo governo. Sem acordo, não voltamos”, explica Leandro Santos, secretário jurídico da entidade. Os metroviários exigem a contratação de mais de 600 aprovados em concurso de 2014, assim como o reajuste no Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de 8,41%, em atraso desde 2015.

 

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Por enquanto, o Metrô-DF trabalha para manter o serviço. Para isso, a empresa abrirá os portões hoje, das 7h às 19h. “Vamos operar com horário de feriado. Teremos, ao todo, oito trens percorrendo as estações. Estamos fazendo o possível para que a população não seja mais prejudicada”, informou. Na última quinta-feira, os metroviários decidiram fechar todas as 24 estações. Isso prejudicou cerca de 170 mil passageiros de Ceilândia, Taguatinga, Samambaia e Águas Claras. Durante os dias de greve, a companhia opera com 18 dos 24 trens. Além disso, o Metrô estima que, graças a paralisação, há prejuízos financeiros de mais de R$ 250 mil por dia.


O estudante de filosofia Carlos de Almeida, 25 anos, não consegue mais chegar ao trabalho no horário. Morador de Ceilândia, ele precisa acordar, pelo menos, uma hora mais cedo para chegar com certa tranquilidade ao serviço. “Nos primeiros dias, precisei contar com a sorte. Apesar de hoje (ontem) ter conseguido pegar o Metrô, tem dia que gasto quatro passagens a mais. Quem paga é sempre o povo”, reclama o jovem.


A servidora pública Karen Lourenço, 35, também precisou mudar a rotina para sair de Taguatinga e chegar a tempo ao Ministério do Planejamento. “Só peguei o metrô hoje (ontem) por causa de uma amiga, que me disse estar em funcionamento. Não dá para ficar sendo pego de surpresa. Isso afeta muita gente”, lamenta a servidora.


Apenas no último domingo, os metroviários voltaram ao trabalho com 100% da operação para não prejudicar os candidatos inscritos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). “Isso acabou sendo decretado por nós. Não íamos deixar os estudantes na mão”, ressaltou a categoria.

Justiça

Um dia antes de os metroviários declararem greve, o Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10) exigiu o funcionamento parcial das estações. De acordo com a decisão, o metrô deveria operar com 90% da frota (22 trens) em horários de pico e 60% (15 trens) nos demais. Em nota, o SindMetrô informou que a iniciativa de fechar os portões é da empresa. Mas a companhia alega que a categoria está ciente de que não cumpre com o acordo. “É uma contradição entre eles (SindMetro). Falam que estão 100% em greve, e a culpa é da companhia. Não é bem assim. Respeitamos o sindicato, mas precisam cumprir a ordem”, alegou o diretor administrativo do Metrô-DF, Gustavo Andrade.

 

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