Nenê Constantino é condenado a 13 anos de prisão por homicídio qualificado

Empresário foi considerado culpado pela morte de Tarcísio Gomes na garagem de suas empresas de ônibus, em fevereiro de 2001

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postado em 15/11/2017 01:08 / atualizado em 15/11/2017 01:23

Iano Andrade/CB/D.A Press

 
O empresário Nenê Constantino e outras duas pessoas foram consideradas culpadas, na madrugada desta quarta-feira (15/11), pela morte de Tarcísio Gomes em garagem das empresas ônibus de Constantino, em fevereiro de 2001. O ex-proprietário da Gol Linhas Aéreas foi condenado a 13 anos de reclusão pelo crime de homícidio qualificado por motivo torpe. Esta é a segunda condenação de Nenê neste ano. Em maio, ele foi condenado a 16 anos de prisão por outra morte, a de Márcio Leonardo da Sousa Brito.
 
 
João Alcides Miranda e Vanderlei Batista Silva, que trabalhavam para Nenê, também foram condenados. O primeiro pegou uma 15 anos de cadeia. Já o segundo deve passar 13 anos na prisão. Assim como o empresário, Vanderlei teve a pena reduzida por ter mais de 70 anos. 

A sessão no Tribunal do Júri de Taguatinga começou às 9h48 desta terça-feira (14/11), com o juiz João Marcos Guimarães Silva interrogando Vanderlei e, em seguida, João Miranda. Na noite de segunda-feira (13/10), João Marques e Nênê foram ouvidos. Durante a manhã, um dos pontos mais importantes foi a confissão de Vanderlei na participação do assassinato de Márcio Leonardo, em outubro de 2001. A justiça julgou o caso em maio deste ano. Mas, negou qualquer atuação na morte de Tarcísio. 

Após parada para o almoço, por volta das 13h a sessão voltou com o Ministério Público que teve 3h para apresentar a tese de acusação contra os réus, ocasião em que os promotores Thiago Gomide e Marcelo Leite dividiram a fala. A questão da defesa do empresário querer atacar a investigação foi bastante citada. Como a contratação de peritos para desmoralizar os laudos e as ofensas à delegada Mabel, por exemplo. “Não tem covardia maior do que fugir da responsabilidade”, disse Marcelo em direção a Nênê. 

A confissão de João Marques no interrogatório também foi um ponto trabalhado pelos promotores. “Ele que já foi taxado como louco pela defesa e de que não deveria ser levado a sério, todas as histórias contadas por ele ontem bate com diversas questões dos autos”, afirmou leite. Ao final do tempo, Thiago Gomide decidiu falar aos jurados o motivo da acusação e o papel fundamental que eles têm no julgamento. “Se os senhores entenderam que a vítima morreu e que os réus participaram de alguma forma, não absolvam. Podem alegar a alta idade e pra isso temos a prisão domiciliar. É o mínimo que pode se feito para os filhos que choram a morte dos pais. Precisam pagar pelo que fizeram”, alegou. 

Por volta das 16h45 a fase da defesa iniciou com os advogados de Constantino. Pierpaolo Bottini argumentou logo no começo que iria mostrar com provas e evidências que a investigação foi fraudada e que o mandante do crime seria Eduardo Queiroz. “Eu tenho uma coisa a mais que a acusação que é a verdade. Ele sim deveria estar sentado no banco dos réus”, disse. Durante a defesa, promotores e o advogado divergiram diversas vezes. Inclusive, o juiz ameaçou suspender a sessão. “Essa reação da acusação é desespero ao ver que a tese deles não faz sentido  e essa aqui que apresento, sim“, provocou Bottini. Ele terminou a fala com alegação de que o júri não deve praticar impunidade, pois segundo a defesa, Eduardo está realizado com a vingança que fez contra a família de Nênê. “Em nome da justiça, não condenem um inocente”, finalizou.
 
A defesa de Vanderlei na maioria do tempo, se preocupou em falar de alguns mitos do processo. E chegou a questionar o peso que João Marques tinha nos autos. “Por que tudo ele fala é considerado e os demais não? Para que tanta relevância?”, questionou. O fato de Vanderlei ter confessado a participação no assassinato de Márcio, Cleber Lopes afirma que foi uma escolha do cliente não falar no julgamento anterior. “Ou eu renunciava ou continuava a defesa. Eu fui junto com ele. Mas isso não é um problema, estou mais confortável em defendê-lo”, contou. Cleber terminou a argumentação com a fala de que a denúncia não prova nada contra Vanderlei. “Ou seja, deve ir ao latão de lixo é imprestável.” 
 
A defesa de João Miranda foi feita pelo defensor público Alexandre Marques. Ele alegou que não há provas objetivas que apontem a participação dele. Pois, ele também estava na linha de tiro e poderia ter sido atingido. “Se tivesse o acertado ele também estaria aqui, mas não como réu e sim, como testemunha”, afirmou. Alexandre pediu aos jurados que os fatos fossem afastados de Miranda.
 
Depois, o Ministério Público teve 2h15 para réplica e a defesa 2h15 para tréplica. A sentença dos acusados saiu perto de 1h desta quarta-feira (15/11), após quase 15 horas de sessão.
 
Ao fim do julgamento, o promotor Thiago Gomide avaliou que ninguém sai ganhando em um júri.  “Já perderam os familiares das vítimas e também os dos acusados, pois eles também sofrem. A única coisa boa é fazer justiça e acabar com a impunidade”, disse. Thiago garante que apesar condenação, a situação não é um custo benefício para a sociedade. “Se não tivéssemos o homicídio, estaríamos melhor.” 
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