Após greve, CEB viverá "momento de transformação", diz Lener Jayme

À frente da Companhia Energética de Brasília desde maio, Jayme segue plano de gestão centrado em reformulação e investimentos

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postado em 25/11/2017 08:00 / atualizado em 25/11/2017 01:02

Luis Nova/Esp. CB/D.A Press
 
Passadas as turbulências da greve de servidores da Companhia Energética de Brasília (CEB), que reivindicaram reajustes salariais ao longo de 10 dias, a concessionária direcionará esforços à concretização do plano de gestão elaborado em 2015 por Francisco Santiago e Ari Joaquim da Silva e convalidado pelo presidente da empresa, Lener Silva Jayme: o fim da crise financeira que prejudica a empresa há anos. A ideia é sanar, no primeiro semestre de 2018, a dívida de R$ 456,4 milhões, por meio da venda de ativos, como os da CEB Gás, CEB Lajeado, Corumbá Concessões, Corumbá III e BSB Energética.

A efetivação do planejamento, somada ao aumento do lucro líquido da concessionária, que atingiu R$ 184,8 milhões no terceiro semestre de 2017 — acréscimo de 509% em relação ao mesmo período do ano anterior —, daria fôlego à companhia para incrementar os investimentos em infraestrutura, que, neste ano, devem totalizar R$ 80 milhões. O presidente da empresa, entretanto, é cauteloso ao comentar o tema. “A CEB ainda está inserida em uma situação financeira que requer cuidados”, disse Lener Silva, em entrevista exclusiva ao Correio. Para 2018, a estimativa é de manutenção do mesmo volume de aplicação de subsídios.

O alto número de ocorrências em residências e estabelecimentos comerciais com falta de luz neste mês é classificado como uma “exceção”, relacionada à greve dos servidores. A CEB aponta melhorias no índice de duração equivalente de interrupção de energia. Em setembro de 2016, a população ficava, em média, 12 horas sem luz. No mesmo mês deste ano, contudo, houve uma redução para 7,8 horas. O mesmo aconteceu com a frequência equivalente de interrupção, que baixou de 9,1 vezes, em setembro do ano passado, para 7,1 vezes, no mesmo mês deste ano.

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A melhoria de todos os percentuais está diretamente ligada ao plano de reestruturação da companhia, entregue à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), após a agência reguladora considerar a situação da empresa “insustentável”. “Estávamos em vias de perder a renovação da concessão, mas reavaliamos o nosso planejamento e realizamos mudanças na gestão. Hoje, temos um desempenho operacional que nos leva à condição de segunda melhor empresa no termo de confiabilidade na distribuição de energia elétrica”, pontuou o presidente, que assumiu o cargo em maio.

Em 2018, o objetivo é otimizar os índices relativos ao atendimento ao cliente e organizar a casa. “Precisamos entregar essa empresa com uma dívida menor e com menos participação de capital de terceiros. Obviamente, a ideia é melhorar, ainda mais, os indicadores”, apontou.

Qual é o balanço dos primeiros meses à frente da CEB como presidente? 

A CEB passa por um momento de transformação desde o início de 2015. Nessa nova gestão, basicamente definida como gestão técnica, sem nenhuma interferência ou ingerência política, visa-se sanear a companhia por aspectos operacionais e financeiros. Quando Francisco Santiago assumiu, tínhamos uma situação muito complicada com a agência reguladora, a Aneel, que havia classificado a empresa como insustentável. Estávamos, inclusive, em vias de perder a renovação da concessão. Então, fizemos um plano de resultados com a Aneel. Entre as 16 concessionárias captadas, fomos uma das únicas a entregar resultados. Conseguimos isso apenas com mudanças de gestão.


Quais são os resultados do plano de recuperação?

Somos conhecidos por um dos melhores indicadores operacionais do país. Índices que são requeridos para o exercício de 2020 e já atendemos. Temos um desempenho que nos leva à condição de segunda melhor empresa no termo de confiabilidade na distribuição de energia elétrica.

A CEB tem enfrentado uma grave crise financeira nos últimos anos. Os indicadores econômico-financeiros melhoraram?

A situação financeira ainda requer cuidados, principalmente quanto ao nosso maior negócio, a distribuidora. Mas houve melhorias drásticas. Assumi em maio, e os resultados foram extremamente favoráveis. Tivemos um aumento do lucro líquido. No terceiro trimestre de 2014, havia um prejuízo acumulado de R$ 158 milhões. Em 2015, o valor subiu para R$ 174 milhões. No ano passado, finalmente, tivemos lucro, que atingiu R$ 30,3 milhões; e, agora, avançamos em 509%, saindo com o lucro líquido saltando R$ 184,8 milhões.


Como se conseguiu avançar?

As ações estão dando resultado e são revisadas rotineiramente. A equipe também é orientada a revistar incentivos de reduções. Reavaliamos, ainda, contratos com servidores e de prestação de serviços. Assim, os bons resultados aparecem simultaneamente. O nosso endividamento caiu. A empresa caminha a passos largos.

Houve incremento nas faturas em 22 de outubro. O aumento será suficiente para equalizar a situação da empresa?

Claro que o aumento, de certa forma, ajuda a melhorar as contas, mas é importante reforçar o conceito de parcelamento desse valor. Grande parte do reajuste concedido pela Aneel diz respeito à compra de energia e aos custos não gerenciáveis da companhia. Dentro da majoração, apenas cerca de 3,2% estão vinculados aos aspectos gerenciáveis, que impactam nosso orçamento.

Apesar dos avanços pelo aspecto econômico-financeiro, a CEB detém uma grande dívida. Quando deve ser sanada?

Dentro do nosso plano de projetos, existe a possibilidade de venda de ativos, como os da CEB Gás, CEB Lajeado, Corumbá Concessões, Corumbá III e BSB Energética. Há uma previsão de desoneração da concessionária no primeiro semestre de 2018. Efetivando essas vendas, os recursos vêm para equalizar as contas da distribuidora.


Qual é o volume de investimentos da CEB neste ano? Que setores tiveram prioridade?

A CEB deve investir, só no exercício de 2017, R$ 80 milhões. Em 2016, também foi algo dessa multa. Os investimentos são priorizados nas regiões que requerem uma atenção maior. A despeito disso, temos indicadores de duração de interrupções bem abaixo do limite da Aneel. É algo muito bom. Claro que existem regiões que requerem uma atenção maior e um atendimento mais robusto. Estamos instalando uma série de equipamentos novos, de última geração, na rede. São religadores, que garantirão melhorias. Estamos revisitando o planejamento de 2018 e devemos manter o volume de investimento.

Qual será a prioridade da sua gestão em 2018?

O saneamento financeiro da empresa. Precisamos entregar essa concessionária com uma dívida menor e com menos participação de capital de terceiros. Além disso, obviamente, priorizamos a manutenção dos indicadores.


O impasse com grevistas foi, de fato, sanado?

Não existem pendências de atendimento, e estamos dentro do patamar normal para o período. As interrupções são atendidas rapidamente. Para você ter uma ideia, o nosso tempo médio de atendimento, agora, gira em torno de duas a três horas. Durante a greve, chegou a durar 23 horas. Quanto aos servidores, atendemos as demandas, e a situação está normalizada.


O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 10ª Região determinou que a concessionária exonere todos os funcionários comissionados. Como a empresa procederá?

A CEB tem em torno de 125 funções gratificadas. Dessas, apenas 24 são ocupadas por comissionados. Isso em um universo de 909 funcionários. Ainda vamos avaliar como proceder. Temos cinco dias para recorrer da decisão, caso desejemos.

Houve novas conversas sobre a privatização da CEB? Pelo seu ponto de vista, seria algo positivo?

Essa é uma decisão unicamente dos acionistas. Não passa pela gestão da empresa. A minha preocupação é mantê-la saudável, sanear o financeiro e implementar cada vez mais melhorias nos indicadores. Sobre a privatização: ouvi e vi na mídia. Na minha visão, há aspectos positivos e negativos. Acho que vale consolidarmos a empresa como uma estatal que deu certo. Além disso, mantê-la pública dá mais garantias aos funcionários. Mas, obviamente, entregá-la ao regime privado tem suas vantagens, porque desvincula a empresa de processos em que estatais têm mais dificuldade no mercado e a concessionária se torna mais competitiva e ágil.


A crise hídrica do Distrito Federal afeta a concessionária e, por consequência, o bolso da população?

A crise hídrica afeta diretamente os preços e os custos para os nossos consumidores. Hoje, o sistema de tarifa previsto no país, é regulado pela parcela A e pela B. A parcela A é o custo de compra de energia e de recolhimento de energia do usuário. Com a crise hídrica, esse valor aumentou. O de aquisição e, posteriormente, com o bandeiramento, o custo repassado ao consumidor. Mas, para a empresa ou para a distribuidora, há neutralidade. Não existe esse impacto para a situação financeira das concessionárias. Isso porque, aqui, temos de trabalhar apenas em custear a companhia, o serviço, o quadro de pessoal. Isso tudo está dentro da parcela B, que é a gerenciável. O que nos traz preocupação é a energia mais cara do mercado de curto prazo. Como a energia imediata está mais cara devido à crise hídrica, isso pode, eventualmente, afetar o desempenho financeiro da empresa.

1,053 milhão 
Número de clientes da CEB

R$ 1,8 bilhão 
Receita operacional líquida da companhia

R$ 456,4 milhões 
Valor da dívida da empresa

R$ 184,8 milhões
Lucro líquido da concessionária


* Dados referentes ao último trimestre de 2017
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