Incêndio subterrâneo atinge região de Águas Lindas de Goiás

No lugar, é possível ver a fumaça saindo de dentro do solo. Especialistas coletaram amostras para determinar a causa do fogo

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postado em 27/11/2017 21:15 / atualizado em 27/11/2017 21:37

Arthur Menescal/Esp. CB/D.A. Press
Há ao menos duas semanas, um incêndio subterrâneo incomoda moradores do Setor Royal, em Águas Lindas de Goiás, município goiano distante cerca de 50 km do Plano Piloto. A causa do fogo ainda não foi identificada pelas autoridades locais e a área permanece isolada. Especialistas da Secretaria de Meio Ambiente da região foram até lá coletar amostras para identificar o motivo da queimada.  
 
 
Na área do incêndio, é possível ver a fumaça sair do solo. As árvores começaram a cair, pois o fogo queima as raízes. O solo ficou fofo e quem pisa por ali corre o risco de afundar e de se queimar gravemente. Moradores relataram que ao menos duas vacas morreram. De acordo com a Secretaria de Meio ambiente, o local pertence a um morador que ainda não foi localizado.  
 
Arthur Menescal/Esp. CB/D.A. Press
 
 
O secretário responsável pela pasta, Mauro Rodrigues, afirma que o fenômeno se trata de uma combustão espontânea natural. Segundo ele, existem duas teorias para explicar o incêndio: acúmulo de lixo no subsolo, que entrou em combustão após sofrer decomposição; ou presença de carvão mineral concentrado há milhões de anos.
 
"De acordo com nossos analistas, a temperatura em baixo da terra está entre 100°C e 150°C. Estamos esperando as análises serem concluídas para apontarmos as causas para tomarmos alguma ação", afirma. A residência mais próxima fica a 400 metros de distância do local, informa o secretário, e a área de queimada é de 600 m² a 700 m². 
 
A professora do Departamento de Ecologia da Universidade de Brasília (UnB) Isabel Belloni Schmidt discorda que o fenômeno seja uma combustão espontânea. "Em vegetação de cerrado, a temperatura precisa chegar a 350°C para entrar em combustão, a não ser que tenha uma ignição, como uma faísca ou o próprio fogo", explica.
 
Na avaliação dela, o fenômeno é denominado fogo de tufa, comum em áreas que foram drenadas. A especialista ressalta que a presença de poços artesianos na região pode ter influenciado na queimada, já que retira a água do lençol freático. "O lugar é de vereda ou brejo, que geralmente são alagados. Com a extração de água dos poços ou da irrigação, há a possibilidade de queimadas", comenta. 
 
* Estagiário sob supervisão de Mariana Niederauer 
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