DF se prepara para enfrentar cortes de água no Natal e no Réveillon

GDF amplia por mais 180 dias a situação de emergência e, assim, pode realizar compras sem licitação e receber repasses do governo federal. Adasa continua definindo restrições no uso do recurso para atividades que não sejam direcionadas ao consumo humano

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postado em 28/11/2017 06:00 / atualizado em 27/11/2017 22:53

Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press
 
O baixo nível no volume dos reservatórios que abastecem o Distrito Federal fez com que o governador Rodrigo Rollemberg prorrogasse por mais 180 dias o decreto de situação de emergência relacionado à crise hídrica. Com  isso, além do racionamento de água em vigor há 10 meses, a Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do DF (Adasa) continua responsável por definir restrições no uso do recurso para atividades que não sejam  para consumo humano, e o GDF segue podendo realizar compras sem licitação, além de poder receber repasses do governo federal.


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A decisão foi publicada no Diário Oficial do DF de segunda-feira e ocorre no momento em que os reservatórios começam a apresentar altas. Em medição na tarde de ontem, o Descoberto subiu para 6,7% do volume total e o de Santa Maria chegou a 22%. Segundo a Adasa, no momento não haverá adoção de novas medidas, tendo em vista que todas as ações citadas pelo decreto já foram adotadas e serão mantidas. Entre elas está a restrição na captação de água bruta por produtores rurais.

Com a prorrogação da situação de alerta por pelo menos mais quatro meses, a população começa a se preparar para enfrentar os cortes de água no Natal e no réveillon. O cabeleireiro Sandoval Alves, 36 anos, proprietário de um salão de beleza na Candangolândia, teme que o racionamento espante os clientes na época do ano mais esperada pelo comércio. “Às vezes, eu nem abro o salão quando não tem água, porque além de ficar impedido de fazer procedimentos químicos, é bastante constrangedor não deixar os clientes usarem o banheiro. Agora, o medo é que o racionamento afete o trabalho no período das festas de fim de ano, que é a época que mais faturamos”, afirma.

A crise hídrica é motivo de alerta para os brasilienses, que agora estão de olho em como manter o abastecimento das suas residências. Após 10 meses tendo que encher baldes e garrafas PET no dia do racionamento, a dona de casa Josiane Machado, 33, decidiu comprar uma caixa-d’água de mil litros. “Tínhamos que ter atenção redobrada para saber quando seria o corte para nos prepararmos”, relembra. A residência onde ela mora abriga três casas, nas quais vivem 11 pessoas. “Estamos poupando o máximo que podemos, mas parece que não está fazendo efeito, pois os reservatórios continuam baixos. É horrível que o racionamento se mantenha ainda por mais tempo”, reclama.
  
A decisão por comprar uma caixa d’água de mil litros também foi tomada por Alani Passos, 27, e Valmon Imperiano, 31. O casal comprou um lote na Candangolândia e antes mesmo de subir as paredes, adquiriram a caixa. “Hoje em dia não dá para ficar sem reservatório próprio. Estamos fazendo obra, então precisaríamos logo do reservatório para que a construção não pare nos dias sem água”, conta Valmon.

Novas metas 

 
Faltando três dias para o fim de novembro, o reservatório do Descoberto está 5,3 pontos percentuais abaixo do previsto pela Curva de Acompanhamento da Adasa para o período. A meta serve como volume mínimo que o reservatório pode apresentar até o fim do mês e é estipulado a partir da expectativa de chuva e da vazão de água. Em outubro, pela primeira vez desde o começo do racionamento, a meta foi batida, e, após um segundo mês abaixo dela, a Adasa informou que criará uma nova curva com as metas a serem seguidas nos próximos meses.

Segundo o governo, a explicação para uma nova curva de acompanhamento e para a ampliação do estado de emergência foram as chuvas abaixo do esperado para o mês de outubro. Em novembro, a situação foi diferente e, até o momento, choveu 255 milímetros, superior aos 231mm previstos para o mês.
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