Campanhas de conscientização na infância contribuem para direção respeitosa

No segundo dia de reportagens da série "Trânsito: corrida para salvar vidas", o Correio detalha as principais causas dos acidentes

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postado em 04/12/2017 06:00 / atualizado em 04/12/2017 00:21

Ed Alves/CB/D.A Press
O desafio de reduzir pela metade as mortes no trânsito em uma década esbarra no crescimento da frota anual, no aumento do número de motoristas e na quantidade de habitantes. Esses três fatores influenciam no número de vítimas do asfalto. O tripé para um tráfego mais seguro combina fiscalização, investimento em educação e aplicação de engenharia para melhorar a segurança das vias e projetar pistas mais seguras.

No segundo dia de reportagens da série “Trânsito: corrida para salvar vidas”, o Correio detalha as principais causas dos acidentes e as iniciativas para reduzir os índices de violência nas pistas. Na casa da família Passos Otto, cada integrante tem o próprio carro. No total, eram quatro veículos até maio. Quando a filha mais velha de Eliane, 53 anos, e Herbert, 60, casou, ficaram três, um automóvel para cada um. A caçula do casal, Viviane, 24, ganhou o carro depois de seis meses de habilitação. A realidade da família reforça o cenário do Distrito Federal. De 2009 a 2016, a frota cresceu, em média, 5,6% ao ano. Além disso, o total de motoristas aumentou cerca de 4% (veja De CNH na mão).

Herbert concorda com a equação de que, quanto mais carro na rua, mais risco de acidente. Mas, na visão dele, as tragédias acontecem em razão do desrespeito. “Cada um quer reivindicar só o seu direito. Se o outro quer andar mais rápido do que a via permite, você precisa sair da pista. O trânsito de Brasília é cruel”, opina. Por se sentir insegura em pistas mais rápidas, Viviane evita dirigir. “No Plano Piloto, é mais tranquilo, mas, em outros locais, acho perigoso. Pelo fato de as pessoas sempre estarem com pressa, acabam dirigindo com mais velocidade. O uso do celular também faz diferença, porque, em um segundo de falta de atenção, o trânsito muda a direção”, observa.

No DF, as causas mais frequentes dos óbitos no asfalto são, além do uso do celular, embriaguez ao volante e consumo de outras drogas, como maconha, e a alta velocidade. Segundo o diretor-geral do Departamento de Trânsito (Detran), Silvain Fonseca, alguns condutores que saem para se divertir e consomem álcool têm adotado o comportamento de procurar outros meios de transporte.  “Tem ocorrido uma mudança de comportamento, mas lamento que não seja pelo medo de matar ou de morrer no trânsito, mas, sim, pelo medo de ser preso e de ser autuado”, diz Silvain.

Na avaliação do diretor-geral do Departamento de Estradas de Rodagem do DF (DER-DF), Henrique Luduvice, é preciso eliminar o comportamento arrogante e vaidoso no trânsito. “É significativo o número de motoristas que se colocam nas rodovias de uma forma absolutamente antidemocrática, desrespeitando regras de convivência e a própria legislação”, pontua.

Educação

Com 6 anos, Sara Campos Eckel sabe o que precisa fazer ao se aproximar de uma faixa de pedestre, mas sempre precisa advertir a mãe. “Eu faço o sinal de vida, mas a minha mãe esquece”, diz. Na Escola Classe da 410 Sul, a menina aprende sobre as leis de trânsito com atividades lúdicas e brincadeiras. “Fiz um quebra-cabeça e aprendi que não pode andar de bicicleta sem capacete e joelheira”, conta, durante uma das ações de educação de segurança do colégio.

Brenda Veras de Sousa, 8, está no 3º ano do ensino fundamental e também participa das atividades. Em uma das brincadeiras, aprendeu o significado de algumas placas e da importância da ciclovia. “Os carros precisam respeitar, porque, senão, batem em quem está de bicicleta”, alerta a garota. Professora do 1º ano da Escola Classe, Josy Gullo ressalta a importância das ações lúdicas. Com elas, as crianças são alfabetizadas sobre trânsito, leis e sinalização. “Quando os alunos brincam, eles se colocam como partícipes daquele processo.”, detalha.
 
Desde 2015, começou a ser desenvolvido o projeto Detran nas Escolas, que trabalha a consciência no trânsito e o respeito às leis de forma lúdica e com palestras. “As cidades são construídas para pessoas. Não para veículos. Quando fazemos essas ações, inserimos crianças e adolescentes no trânsito, assim como nós”, ressalta o pedagogo e chefe do Núcleo de Campanhas Educativas do Detran, Antônio Carlos dos Anjos Filho. “

Comprometimento

A Década de Ação pela Segurança no Trânsito, de 2011 a 2020, foi lançada em maio de 2011. O programa envolve 10 países que se comprometeram a tomar medidas para prevenir os acidentes que, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU) matam cerca de 1,3 milhão de pessoas por ano no Brasil. A Organização Pan-Americana de Saúde, da Organização Mundial da Saúde, coordena os esforços globais e monitora os progressos a níveis nacional e internacional.

O que diz a lei

O artigo 74 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) prevê que a “educação para o trânsito é direito de todos e constitui dever prioritário para os componentes do Sistema Nacional de Trânsito”. Assim, cada órgão executor é obrigado a trabalhar ações de conscientização e de educação voltadas para a população. Além de campanhas e mensagens publicitárias transmitidas nos meios de comunicação social, o Código prevê o trabalho nas escolas em todas as séries, por meio de planejamento e ações coordenadas entre os órgãos. Até outubro o Detran-DF gastou, ao todo, R$ 22 milhões com investimentos em educação: R$ 5,1 milhões com campanhas educativas, R$ 1,3 milhão para a implantação da plataforma de educação a distância e formação de professores e R$ 14,2 milhões com publicidade.
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