Comissão da Câmara Legislativa define caso de bombeiro como "grave"

Nota da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa do DF alerta para um "quadro de tensão" grave no Corpo de Bombeiros

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postado em 04/12/2017 16:55 / atualizado em 04/12/2017 16:58

Carlos Silva/CB/D.A Press
A Câmara Legislativa do Distrito Federal alertou, em nota divulgada nesta segunda-feira (4/10), para "um quadro de tensão" no Corpo de Bombeiros, definido como "grave" pela Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Casa. O texto foi redigido um dia depois de o 2º sargento Fabrício Marcos Araújo ter furtado uma viatura do 8º Grupamento Bombeiro Militar e só ter parado quando policiais alvejaram os pneus do caminhão.


A nota, assinada pelo deputado Ricardo Vale (PT), indaga: "como um profissional admirado e querido por seus colegas de farda, mas sem condições psicológicas de trabalhar segue em serviço? A serviço da população do DF?". Amigos e testemunhas disseram que Fabrício enfrentava problemas psiquiátricos, mas "estava ciente de suas atitudes", frisou uma das pessoas ouvidas pela Polícia Civil.

Fabrício se recusou a fazer novos exames toxicológicos que poderiam atestar que ele estivesse sob efeito de álcool ou outras substâncias. Ele continua detido no 19º Batalhão da PM, unidade dentro do Complexo Penitenciário da Papuda.
 
Em outra nota, a Secretaria de Segurança Pública e da Paz Social (SSP/DF) e o Corpo de Bombeiros dizem que "uma equipe multidisciplinar da corporação, composta por médicos, psicólogos e religiosos, está acompanhando o militar e prestando apoio aos familiares". Sobre o documento enviado pela CLDF, a pasta e a corporação ainda não se pronunciaram. 
 
Confira íntegra da nota divulgada pela Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da CLDF:
 
"Brasília foi surpreendida na madrugada de domingo, 03 de dezembro, por um incidente que soa como uma sirene de alerta. O 2° Sargento Bombeiro Fabrício Marcos de Araújo, de 44 anos, apoderou-se de uma viatura da corporação, no 8° Grupamento de Bombeiros Militar, na Ceilândia, onde é lotado, e saiu, fazendo manobras arriscadas, em direção à Esplanada dos Ministérios. 

Fabrício Marcos de Araújo ignorou as advertências da Polícia Militar depois de ser avistado pelos policiais e cumpriu o trajeto do 8° Grupamento até a Esplanada e só foi detido na Esplanada, quando os pneus da viatura foram atingidos. 

Esta Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, Cidadania, Ética e Decoro Parlamentar, acompanhou o incidente com preocupação e busca - dentro do escopo institucional que orienta suas intervenções - alertar a sociedade e, em particular o comando das Corporações (Bombeiros e Polícia Militar do DF), para um quadro de tensão sobre seus profissionais, que se afigura grave. 

A sociedade do Distrito Federal reconhece o trabalho inestimável que lhe prestam suas corporações. A Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa se soma à sociedade e, a partir do acompanhamento realizado ao longo desses três últimos anos, busca dialogar com os Comandos das Corporações e oferecer espaço para debater os problemas reais seja no que toca aos equipamentos, infraestrutura e, sobretudo, no que toca às condições de trabalho dos seus profissionais.

Entendemos que o incidente provocado pelo 2° Sargento deve ser registrado como um alerta para a sociedade e para o Comando da Corporação. A prisão em flagrante foi convertida em prisão preventiva porque, na avaliação do Juiz a ação, o Sargento “pôs vidas em risco e pela iminência de causar danos de grandes proporções ao local”. A defesa do Sargento Fabrício apresentou um relatório com exames psicológicos alegando que ele não teria condições para responder por suas ações. Fica a pergunta: como um profissional admirado e querido por seus colegas de farda, mas sem condições psicológicas de trabalhar segue em serviço? A serviço da população do DF? 

A Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, Cidadania, Ética e Decoro Parlamentar seguirá acompanhando o andamento desse processo e se coloca à disposição para contribuir com soluções adequadas e duradouras em benefício da Sociedade, das Corporações e dos profissionais que trabalham para garantir a segurança dos cidadãos e cidadãs do Distrito Federal. 

Brasília, 04 de dezembro de 2017. 

Deputado Ricardo Vale
Presidente da Comissão de Direitos Humanos – CLDF "
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