Ação no HRC conscientiza mulheres sobre uso do contraceptivo

Ação no Hospital Regional de Ceilândia leva às pacientes da maternidade orientação e acesso a métodos contraceptivos; dispositivo intrauterino (DIU) é um dos métodos destacados

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postado em 05/12/2017 06:00

Arquivo pessoal
 
Uma ação conjunta entre diversos setores do Hospital Regional de Ceilândia (HRC) está conscientizando as mulheres e fornecendo métodos contraceptivos para as pacientes da maternidade, em especial para aquelas em situação de vulnerabilidade social. Um desses métodos ganha destaque dentre os outros: o dispositivo intrauterino (DIU). Assim, a ação acabou por ser batizada Ambulatório do DIU.

O projeto começou no início do ano passado com apenas um médico, e logo se tornou uma ação interdisciplinar entre a psicologia, a ginecologia, a terapia ocupacional e o serviço social do Hospital de Ceilândia. “Antigamente, a Secretaria de Saúde tinha os ambulatórios, era uma coisa que deveria ser feita nos postos de saúde, não era necessário que fosse feito em nível hospitalar. Porém, com o fim dos ginecologistas nessas unidades básicas, ficou essa demanda reprimida”, explica Sebastião Rodrigues de Oliveira, médico ginecologista e obstetra do HRC responsável pelo início da ação.

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Esses setores encaminham as mães para um grupo de acolhimento, onde há acompanhamento psicológico individual e orientação para o planejamento reprodutivo. Em vez de limitar a decisão apenas ao médico, os métodos contraceptivos são apresentados à mulher, ou ao casal, e todas as dúvidas dissolvidas, assim deixando aberto à paciente a escolha sobre o método a ser utilizado.

Laqueadura


“Não importa o método contraceptivo escolhido, em alguns casos até recomendamos ao homem que faça a vasectomia, procedimento muito mais simples que uma laqueadura. O homem fica sete dias sem manter relações sexuais e cinco dias sem pegar peso após o procedimento, faz apenas anestesia local no ambulatório e sai caminhando para casa”, explica Denise Percilio, psicóloga do setor da maternidade do HRC.

“Está dentro das nossas práticas cotidianas ajudar a mulher a fazer uma reflexão sobre a própria vida, em especial porque ela tem a escolha. Nós criamos um ambiente que empodera a mulher, acolhendo sem julgamentos e mostrando que ela tem autoridade de escolha sobre a própria vida. A mulher não precisa abandonar seus sonhos”, afirma a psicóloga.

Amanda Gonçalves, 37 anos, foi uma das pacientes do ambulatório. Nascida e criada em Ceilândia, ela escolheu o DIU por acreditar que o método não é tão agressivo ao corpo se comparado à ingestão de hormônios. “O DIU é muito eficaz e seguro, e o acompanhamento médico foi excelente. Todo o processo é muito esclarecedor e fui muito bem atendida tanto antes como após a colocação”, conta.

Segundo o ginecologista Sebastião Rodrigues de Oliveira, há três grupos principais de risco: adolescentes, usuárias de drogas ilegais ou alcoólatras, e pessoas em situação de rua. Caso o método contraceptivo de alta eficácia não seja utilizado, há muita probabilidade de a gravidez ocorrer novamente em um período muito rápido.

“Em parceria com a doutora Denise, nós passamos a oferecer para essas pacientes de risco e para as mulheres com muitas cesáreas já feitas a oportunidade de, após a alta, deixarem marcada a consulta de retorno para que houvesse orientação sobre os métodos contraceptivos, inclusive o de longa duração que temos, que é o DIU de cobre, com uma duração de 10 anos”, destaca o médico.

Há uma média de 10 pacientes atendidas e três DIUs colocados por dia, com dois dias de ambulatório por semana, o que gera uma média de 24 DIUs por mês e 312 por ano. Antes da aplicação, é necessário que se faça dois exames, uma ecografia para checar se não há infecções ou gravidez inesperada, e o papanicolau, para prevenção de doenças. Então, são feitas cinco consultas iniciais anteriores e cinco para o acompanhamento e controle após o procedimento, além de uma ecografia para verificar se o DIU ficou bem posicionado.

Continuidade


A recomendação do DIU surgiu pela facilidade que o método traz comparado aos outros meios contraceptivos femininos. O dispositivo é o principal da categoria conhecida como Larc (long-acting reversible contraception, contracepção reversível de ação prolongada). “A taxa de continuidade dos métodos de curta duração é em torno de 50%. Já a taxa de continuidade e satisfação do DIU após um ano é de 80% a 86%”, afirma o médico.

“O ambulatório traz muitos benefícios para nós que moramos aqui. As informações oferecidas sobre os métodos contraceptivos, todo o acompanhamento recebido, isso favorece muito os serviços básicos de saúde”, aponta Amanda. “Tenho uma menininha de 4 anos, sei os desafios que criar um filho traz. Oferecer esse planejamento familiar e acompanhamento psicológico para a população de Ceilândia faz toda a diferença”.

Segundo o ginecologista, a taxa de natalidade mundial está diminuindo, mas não nas camadas mais desfavorecidas da sociedade, que possuem pouco acesso à informação. “Em função disso e do local ser composto por uma população majoritariamente de baixa renda, se você não atuar com um método contraceptivo reversível de longa duração, a chance de as pacientes voltarem a engravidar é muito grande. Você sente a necessidade do método, existe a demanda. Para onde encaminharíamos essas mulheres? É necessário que se faça alguma coisa”.

* Estagiária sob supervisão de José Carlos Vieira.
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