Conheça modelos do Brasil e do mundo para reduzir tragédias no trânsito

A série "Corrida para Salvar Vidas" mostra modelos para serem seguidos para evitar tragédias no trânsito do Brasil e do mundo

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postado em 06/12/2017 06:00 / atualizado em 06/12/2017 01:06

Luis Nova/Esp. CB/D.A Press

Conhecido internacionalmente, o sinal de vida diante da faixa de pedestre virou modelo na luta contra as tragédias do asfalto. Outras medidas tomadas no Distrito Federal também reforçaram a segurança no trânsito, como o tratamento do tema nas escolas, o aumento da fiscalização e o investimento em mobilidade urbana. Algumas são mais recentes, como a instalação de bolsões exclusivos para motos em alguns semáforos. As ações fazem com que o Distrito Federal siga modelos de outras nações que salvam vidas com investimento em políticas públicas, abordagem ao condutor infrator e leis específicas para estados diferentes, como ocorre nos Estados Unidos.


No quarto dia da série “Corrida para Salvar Vidas”, o Correio mostra os modelos aplicados no Distrito Federal e no mundo para que as tragédias no asfalto sejam reduzidas e, dessa forma, se alcance a meta da ONU de diminuir pela metade as mortes nas pistas. O trânsito da Suécia, por exemplo, é considerado o melhor do mundo, mas, lá, desde 1997, se estabeleceu o projeto Vision Zero (Visão Zero). O objetivo é que não haja nenhuma morte nem lesão no trânsito. O país europeu é o que tem o menor índice de mortes no tráfego do planeta: são dois anuais por 100 mil habitantes. Em 2013, chegou-se ao recorde de menos óbitos da história desde 1970: 264 pessoas perderam a vida.


Mas, segundo especialistas, em vez de focar em campanhas sazonais, o governo sueco projetou e construiu estradas mais seguras, investiu em faixas de pedestres protegidas por barreiras físicas e com sinal luminoso, determinou velocidade de 30km/h em locais onde há circulação de veículos, pedestres e ciclistas e adotou a fiscalização humana.


No Japão, a formação do motorista ocorre desde os primeiros anos de vida escolar. Quando se alcança a idade de ter a permissão para dirigir, o candidato a motorista recebe aulas, inclusive, em estradas. As infrações também são flagradas por câmeras, mas as fiscalizações por agentes de trânsito são aquelas consideradas efetivas, uma vez que o condutor é parado e identificado. Nos Estados Unidos, há regras de trânsito que diferem de acordo com a unidade federativa, mas o governo americano impõe a fabricação de veículos com equipamentos de segurança essenciais, como airbag.

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Em Londres, desde 2003, adota-se o pedágio urbano. Apesar de polêmico, a quantidade de veículos nas ruas centrais diminuiu, assim como aconteceu em Cingapura, que aderiu ao modelo em 1975. Neste último, a procura por transporte público aumentou.


Na avaliação do especialista em medicina de tráfego Alberto Sabbag, se houvesse a implantação de algumas medidas inspiradas em modelos internacionais, seria possível, após o primeiro ano, obter resultados. Segundo o também diretor da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet), no Brasil, a segurança viária não ganha prioridade em importância. Para ele, falta gerenciamento do tráfego. “Todas as tragédias no trânsito têm uma origem comum. Faltam políticas públicas efetivas e não se pode alegar falta de recurso. O setor automotivo brasileiro arrecada bilhões de reais, tanto na produção quanto, principalmente, nos impostos aplicados. Mas a principal atenção do governo é arrecadar e não preservar vidas”, criticou.

Instrução

O empresário Aristides Ribeiro Pinto, 45 anos, trocou Brasília por Los Angeles (EUA) há 4 anos e meio. Nesse tempo, observou que o respeito a ciclistas e pedestres é frequente. “Em todos os lugares há ciclovias bem sinalizadas e locais seguros para a travessia de pedestres. Os motoristas aqui sempre dão prioridade para quem está a pé. A educação é fascinante. Você não vê carros em canteiros, calçadas ou faixas exclusivas para bicicletas”, destacou.


Os irmãos Iago e Igor Drejann, 19 e 21 anos, tiraram a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) em outubro. Naturais do Rio de Janeiro, eles moraram na capital carioca e em Recife, além de passar um ano nos Estados Unidos. Em Brasília, estão há quatro meses. Chegaram em julho e frequentaram uma autoescola na Asa Norte.


Em comparação com o trânsito carioca e pernambucano, os irmãos consideram melhor o cenário de Brasília. Mas, em relação ao país norte-americano, eles acreditam que o DF ainda tem que melhorar. “Nos Estados Unidos, as vias são bem sinalizadas e o trânsito, muito melhor organizado. Quando o pedestre atravessa na faixa, tem um sinal que alerta a passagem. Brasília ainda respeita a faixa, mas, se for à noite e a pessoa estiver com roupa escura, a gente não vê atravessando”, contou Iago.


Igor também considera que as leis mais duras nos Estados Unidos acarretam efetividade. Para ele, o trânsito brasiliense, embora seja referência a nível nacional, se torna perigoso em razão da alta velocidade, além do uso do telefone ao volante. “A gente não encosta no celular enquanto dirige, e a autoescola foi muito eficiente em relação à instrução disso. Se comparado ao trânsito dos Estados Unidos, pode melhorar em relação à sinalização e a mais investimentos. Mas, em relação ao Rio de Janeiro e ao Recife, é muito melhor”, explicou.

 

Imprudência ao volante

Em 2016, o Governo do Distrito Federal (GDF) criou o programa Brasília Vida Segura, responsável pelo controle e pela captura dos dados de mortes e de acidentes no trânsito. Em meio ao trabalho está a caracterização das colisões para identificar os perfis críticos de motoristas e os pontos que precisam de atenção. A partir disso, o objetivo é agir na conscientização das pessoas e no investimento em infraestrutura.


Mas estudos demonstram que, de janeiro a outubro, aumentaram 138% os casos de pessoas flagradas com a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) cassada ou suspensa. No mesmo período, houve 963 autuações, contra 404 em todo o ano passado. A soma dos valores das multas de todos os condutores que dirigiram irregularmente neste ano chega a R$ 7,8 mil.


Em outubro de 2016, um motociclista morreu na BR-020. Além de acusar 1,09 decigramas de álcool por litro de sangue, a perícia constatou que ele também estava sob efeito de drogas. Segundo o Detran, a vítima tinha habilitação para dirigir apenas automóvel, mas estava com o documento vencido e suspenso.
No mesmo ano, outro motociclista perdeu a vida em Santa Maria. Ele tinha habilitação para conduzir moto, mas estava com a carteira suspensa. O exame também constatou que a vítima estava com 1,89 decigramas de álcool por litro de sangue e sob efeito de droga.


Na avaliação do diretor-geral do Detran, Silvain Fonseca, quando o motorista chega a ter a CNH suspensa ou cassada, é porque ele se envolveu em diversas infrações de trânsito e até acidentes. “Geralmente, são condutores contumazes que se envolvem inclusive em ocorrências gravíssimas. São pessoas que desrespeitam totalmente a legislação de trânsito, podendo levar a um acidente até com morte”, alertou.

 

Três perguntas para 

Daniele Valentini, diretora de Engenharia do Detran

Quais ações a equipe de engenharia executa para melhorar a segurança viária?

Trabalhamos a relação de acidentes com estatísticas, mas temos equipes contratadas para fazer sinalização viária, por exemplo, e aquelas próprias que executam a sinalização vertical, como é o caso das placas de trânsito.

Uma parte da segurança iária são o projeto e a execução de vias seguras. De que forma a engenharia executa essas ações?

Os projetos de via são por conta da Secretaria de Gestão do Território e Habitação (Segeth) e da Novacap, por envolver a questão urbanística. Mas estamos com um edital de licitação para trocar os semáforos a longo prazo. O investimento será em equipamentos inteligentes e adaptativos que consigam entender o fluxo do tráfego e se adaptar de acordo com isso.


Como funciona a operação dos semáforos no DF?

Fazemos estudos em zonas pontuais de engarrafamentos no decorrer do dia e programamos os equipamentos para atender aquela demanda com tempos fixos. Mas sempre que existe uma ação diferente são necessárias alterações pontuais. Com a nova tecnologia atrelada aos semáforos, haverá um planejamento no sentido de que a máquina entenderá que houve modificação e lançará um plano mais adequado. A expectativa é de que no início do próximo ano a licitação esteja concluída para começar as instalações em meados de 2018.

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