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Estado de Minas

Amigos pedalam 2,1 mil quilômetros em expedição de Belém a Brasília

Os amigos Marcelo Victor Nery e Casemiro Nunes partiram em 22 de dezembro e pisaram em Brasília em 10 de janeiro. A meta para este ano é ir até a Argentina


postado em 17/01/2018 06:00 / atualizado em 17/01/2018 09:06

Descanso depois da longa jornada, Casemiro (E) e Marcelo posam com uma das bikes da viagem(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Descanso depois da longa jornada, Casemiro (E) e Marcelo posam com uma das bikes da viagem (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)


Foram mais de 2,1 mil quilômetros em um trajeto que percorreu 48 cidades para que a Expedição Belém-Brasília, dos servidores públicos paraenses Marcelo Victor Nery, 37 anos, e Casemiro Nunes, 57 anos, pudesse ser concluída.


Os amigos partiram em 22 de dezembro do ano passado e pisaram no Distrito Federal em 10 de janeiro. O meio de transporte? As inseparáveis bicicletas. A próxima edição da viagem deverá acontecer em dezembro deste ano. Eles pretendem sair da capital e seguir até a Argentina. “É um desejo enorme. Espero conseguir”, afirmou Casimiro Nunes. Quanto à escolha para pausa na capital federal, é pelos familiares e amigos na cidade. “Nosso plano era passar as festas de fim de ano, mas tivemos imprevistos. Eu, particularmente, adoro Brasília”, completou o servidor. Nesta semana, Marcelo e Casimiro devem voltar para casa de avião ou ônibus. Mas com a meta portenha definida.

Tudo começou depois de um convite feito em um grupo de cicloturistas do qual os servidores participam. A ideia veio de Casimiro, que, há dois anos, costuma participar de maratonas de 10 a 13km no Pará. Ele planejava fazer a viagem há meses, mas não gostaria de encarar o desafio sozinho. “Comentei no grupo sobre isso e o Marcelo falou comigo. Nós já nos conhecíamos de outros desafios de ciclismo”, explicou Casemiro. O parceiro de viagem, então, aceitou na hora. “Era um desejo grande. Pratico pedal há seis anos e nunca tinha percorrido distância como essa. Foi incrível”, completou Marcelo.



Com a decisão, a dupla arquitetou dois minuciosos planos para a expedição. O objetivo: evitar contratempos. Primeiro fizeram um levantamento sobre a distância entre as cidades que passariam durante o trajeto. O segundo constava os dias e a rota a ser percorrida. A meta era pedalar diariamente uma distância de 130km de estrada. Além disso, sempre saíam às 5h e paravam às 17h. No “momento de descanso”, os servidores lavavam as roupas e compravam comida. Para eles, bastava ter um lugar com hotel, mercado e restaurante. “Quanto mais cedo deixávamos da região, melhor, principalmente por conta da temperatura”, contou Casemiro.

(foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)

Preparo

 

Duas semanas foram suficientes para montar a viagem. Antes, inclusive, as bicicletas passaram por vistoria para evitar qualquer problema. Na bagagem, poucas roupas, remédios, suportes, ferramentas e até um minifiltro com água potável para quando a sede batesse. Precisavam levar pouco peso. “Chegávamos a alcançar 30 km/h em estrada reta e 60 km/h em descida. O problema começava nas subidas”, lembrou Marcelo. A bandeira do Pará não podia faltar na expedição. Era uma maneira de identificar de onde os ciclistas saíram.


Outro ponto pensado pela dupla era em como levariam dinheiro. Por não terem noção do que poderiam encontrar pela estrada, estipularam uma quantia de até R$ 150 escondida entre as vestimentas. Casimiro, por exemplo, guardava as notas no braço quando a blusa era de manga comprida. Marcelo, por sua vez, resolveu manter as notas escondidas entre as roupas. “Mesmo assim, usamos mais cartão. O dinheiro em espécie serviu para emergências”, contou. As urgências incluíam a manutenção das rodas e dos equipamentos das bicicletas.

(foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)

Solidariedade

Mesmo com a experiência e o preparo técnico e físico, os viajantes contaram com a bondade das pessoas que conheceram pela estrada. Moradores auxiliaram no conserto das bicicletas e, inclusive, chegaram a oferecer comida. “Os caminhoneiros paravam para entregar pão e sucos e as pessoas que viviam em vilarejos faziam questão que nos receber em casa. Há muita gente boa por esse Brasil”, constatou, emocionado, Marcelo.

 

Uma dessas pessoas amigas foi o bombeiro Jean Carlos Panpoja, 40. Ele, que vive em Brasília há 22 anos, conheceu a história dos ciclistas por meio da rede social sobre pedaleiros. Resolveu fazer contato e passou a cobrir a viagem dos servidores. “Eles passavam os vídeos de cada local que estavam para mim, eu editava e postava no YouTube”, explicou Jean.


Além da cobertura, o bombeiro resolveu chamar um amigo para fazer a escolta dos viajantes assim que eles chegassem a Brazlândia. Isso garantiu a segurança e possíveis emergências que poderiam surgir pelo caminho. “Quem sabe ano que vem viajo com eles. Quero muito”, destacou Jean.
Marcelo Nery também enfatizou os aprendizados que adquiriu durante a viagem. É como se no Brasil, para ele, existissem vários países em um só. “É uma diferença grande de culturas. Além de você perceber na prática a desigualdade social do país. É gritante”, desabafou. “É até injusto escolher qual momento mais significativo. Mesmo com o cansaço, essa expedição foi uma lição de vida”, reconheceu o ciclista.

 

 

Tendência

O cicloturismo é um estilo de viagem saudável, econômico e ecológico para quem gosta de fazer turismo e conhecer culturas. É uma prática bastante utilizada na Europa e nos Estados Unidos, e vem ganhando força no Brasil, com inúmeros adeptos.

 

 

 

Dicas para futuros viajantes

» Planejar com antecedência (o que inclui verificar se a bicicleta é adequada);
» Comprar uma bike de modelo mais simples, pois, para encontrar peças é mais fácil e barato;
» Não deixar de carregar pelo menos um pneu para possível troca;
» Programar a rota;
» Consultar se as cidades de parada têm assistência emergencial;
» Fazer meta de quilômetros percorridos por dia;
» Tentar sair de cada ponto de parada o mais cedo possível;
» Criar um plano emergencial;
» Carregar um kit de primeiros socorros;
» Treinar com muita antecedência antes de decidir partir.

 

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