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Estado de Minas

Artigo: Fim do Lixão, um novo patamar civilizatório


postado em 21/01/2018 10:16 / atualizado em 21/01/2018 14:33

Por Rodrigo Rollemberg, governador de Brasília

(foto: Gomez/CB/D.A Press)
(foto: Gomez/CB/D.A Press)


Uma ferida aberta no coração do Brasil atendia pelo nome de Lixão da Estrutural. Fruto da indiferença e da inépcia de governos anteriores, o lixão perpetuou-se por quase seis décadas, transformou-se em espaço de degradação ambiental, social, de desrespeito e desmando. Alcançou o desonroso posto de segundo maior lixão do mundo. Nunca me conformei com essa vergonha nacional, encravada em plena capital do país, onde concentram-se as sedes do Executivo, Legislativo e Judiciário e uma das maiores rendas per capita da população brasileira.

Nunca me conformei, principalmente, em ver milhares de pessoas tirando seu sustento de forma indigna, degradante, correndo risco de serem atropeladas por caminhões ou esmagadas por tratores. Alguns desses trabalhadores, lamentavelmente, tornaram-se vítimas.  Quando assumi o governo, todos os resíduos produzidos por residências e comércio tinham um único destino: o descarte a céu aberto no lixão da Estrutural. Era inaceitável, em pleno século 21, continuar convivendo com tantas mazelas.

Desde ontem essa realidade faz parte do passado. A prioridade absoluta para reverter o quadro dado nesta gestão permitiu desativar o Lixão da Estrutural, em cumprimento à Política Nacional de Resíduos Sólidos e à Política Distrital de Resíduos Sólidos, com a inclusão de catadores e de catadoras de materiais recicláveis.

Operamos estrategicamente para reinseri-los na triagem de resíduos e coleta seletiva em Brasília. O primeiro aterro sanitário, uma demanda histórica da cidade que entregamos à população um ano atrás e consistia em prérrequisito para o fim do lixão, vinha recebendo um terço dos resíduos coletados na capital, em vez da totalidade de 2,7 toneladas diárias, porque estava em construção acordo com a categoria.

Por três vezes, recebi cerca de 300 catadores no Palácio do Buriti para conversas, nem sempre amenas, mas com todo o respeito devido a esses profissionais que desempenham  papel essencial na sociedade e com o compromisso de resgatar o trabalho com dignidade e livrá-los de condições insalubres.

No processo de diálogo, decidimos estender a este mês de janeiro a data do encerramento definitivo do lixão para garantir aos catadores o exercício de atividades de triagem em condições operacionais adequadas até a inauguração de modernas instalações de recuperação de resíduos ainda neste primeiro semestre.

Os catadores que atuavam no lixão começam imediatamente a trabalhar em cinco galpões que o governo alugou e equipou com esteiras, empilhadeiras e material de proteção, como o da Ceilândia, onde nesta semana assinamos 14 contratos com 13 cooperativas de catadores, elevando para 22 o número de cooperativas contratadas para realizar triagem e coleta seletiva no Distrito Federal.

Reajustamos também de R$ 92 para R$ 300 a tonelada do valor pago pelo serviço ambiental de separação de resíduos. Essas ações se somam aos pagamentos de bolsa de R$ 300 por mês a 900 catadores que recebem formação de agentes ambientais e de compensação temporária financeira de R$ 360 mensais a outros 1,2 mil profissionais. Reforçaremos ainda as bolsas do Jovem Candango para filhos de catadores se capacitarem em órgãos públicos como auxiliares administrativos, no valor de R$ 1.050,00/mês. Frequentar regularmente a escola é condição para participar do programa.

Essas ações do Governo de Brasília integram o acordo firmado com o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis e são necessárias para minimizar os efeitos do período de transição entre a desativação do lixão e o novo modelo de gestão dos resíduos sólidos na capital.

Um dos próximos desafios é recuperar a área degradada do lixão, que recebeu montanhas de lixo equivalentes a 55 metros de altura, ao longo dos anos. O GDF já tem um Termo de Referência para contratar os estudos e busca o financiamento desta ação, enquanto toma medidas para evitar a ocupação ilegal do sítio do lixão.

Parte da gleba será usada para atividades de triagem e reciclagem de resíduos da construção e demolição, conforme recomendação do Plano Distrital de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos. Há previsão de licitação de unidades de processamento desses resíduos em outras regiões do DF para resolvermos a questão dos entulhos.

Gradualmente, com participação de 17 órgãos locais e adoção de um conjunto de iniciativas, solucionamos um problema que se arrastou por tantos anos. Sem dúvida, fechar o lixão é uma vitória da qual nós, moradores de Brasília, muito nos orgulhamos. O dia 20 de janeiro é um marco: o início de um novo patamar civilizatório na capital do país. Uma conquista inquestionável para Brasília e para o Brasil.

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