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Estado de Minas

Mães que denunciaram negociata em fila se queixam de ficar sem vaga

Segundo mulheres que esperavam matricular os filhos, as poucos vagas oferecidas pela escola foram ocupadas por quem pagou. Regional registrará ocorrência


postado em 24/01/2018 06:00 / atualizado em 24/01/2018 08:48

Fábio Pereira de Souza (E), subsecretário:
Fábio Pereira de Souza (E), subsecretário: "Temos uma demanda alta" (foto: Toninho Tavares/Agência Brasília)


As mães que denunciaram ao Correio negociata de posições na fila para vagas remanescentes na Escola Classe Vila Buritis, no Recanto das Emas, não conseguiram matricular os filhos onde queriam. De acordo com elas, os poucos espaços oferecidos foram ocupados por quem pagou. “Eles (estelionatários) roubaram o nosso direito, roubaram a possibilidade de o meu filho estudar perto de casa”, desabafou uma delas. Nos áudios, obtidos com exclusividade pelo jornal, intermediários negociam lugares na fila organizada pelas pessoas em frente ao colégio. Quanto mais próximo do primeiro, maior era o valor cobrado.
 
 

Quem chegou ao centro de ensino ontem pela manhã foi hostilizado pelo grupo que aceitou a negociação, de acordo com as mães. “Eles foram agressivos, ameaçaram jogar tijolos quando reclamamos.” Com a abertura dos portões, a recepção lá dentro não foi muito melhor. “Cheguei às 5h, o horário que pude, esperei até ser recebida e ouvi que todas as vagas disponíveis tinham sido preenchidas. Quando eu disse que quem conseguiu as vagas pagou por elas, ouvi que ‘a escola não tinha nada a ver com o que tinha acontecido do lado de fora’. Fui embora”, lamentou uma das mães.

As matrículas para as vagas residuais começaram na manhã de ontem. Elas foram abertas depois de os inscritos pelo telematrícula não compareceram para efetivá-las. Foram, então, preenchidas por ordem de chegada, de acordo com a disponibilidade de cada escola. A Secretaria de Educação informou que ainda não tem um balanço de quantos estudantes foram matriculados na terça-feira. No total, havia 8 mil vagas remanescentes na rede pública de ensino.

O coordenador da Regional de Ensino do Recanto das Emas, Marcos Antônio Faria, informou que reúne informações para registrar ocorrência na 27ª Delegacia de Polícia (Recanto das Emas) na manhã de hoje. “Nós ouvimos pais, pessoas na fila e funcionários assim que soubemos da denúncia. Vamos entregar tudo para a polícia para que eles apurarem e tentem identificar os possíveis criminosos”, afirmou. Ao Correio, o delegado-chefe da 27ª DP, Pablo Aguiar, disse que aguarda o registro oficial, mas adiantou que será difícil tipificar criminalmente a ação de quem recebeu dinheiro por vagas na fila.

O discurso de que todos os estudantes que procuraram a rede pública de ensino serão matriculados foi repetido por Marcos Antônio. “Para atender à universalização da educação básica, que é a nossa maior demanda, nós tomamos medidas, como a contratação de 20 ônibus para o transporte escolar. Os veículos terão monitores para levar os estudantes que foram matriculados nas escolas mais distantes”, explicou o coordenador da Regional de Ensino do Recanto das Emas.

Transporte


Sem conseguir vaga na escola mais próxima de casa, uma das mães ouvidas pelo Correio matriculou o filho de 5 anos em outro colégio, também no Recanto das Emas. “Não consegui a vaga na Escola Classe Vila Buritis e procurei a Coordenação Regional de Ensino do Recanto das Emas. Eu argumentei que eu vou precisar pegar dois ônibus para deixar o meu filho no colégio. É no Recanto das Emas, mas muito longe”, reclamou. “Que mãe tem coragem de deixar o filho de 5 anos ir sozinho em um ônibus? Ainda mais aqui, que é um lugar violento.”

O subsecretário de Planejamento, Acompanhamento e Avaliação Educacional da Secretaria de Educação, Fábio Pereira de Souza, disse que o transporte escolar é uma alternativa para atender a todos os estudantes. “Temos uma demanda alta em regiões administrativas como Paranoá, Recanto das Emas e São Sebastião, mas estamos investindo na criação de vagas nessas regiões “, reforçou.

"As filas são uma realidade humilhante para os pais"
Luís Cláudio Megiorin, 
presidente da Associação de Pais e Alunos das Instituições de Ensino do DF

Sistema para fim de filas 

A modernização é a aposta da Secretaria de Educação para dar fim às filas de pais na porta das escolas durante o período de matrícula para vagas remanescentes. A situação que se repete há anos no DF. O sistema que permite o remanejamento de vagas e a inclusão de estudantes após o período e matrículas foi testado e funcionou sem problemas, segundo o subsecretário de Planejamento, Acompanhamento e Avaliação Educacional da Secretaria de Educação, Fábio Pereira de Souza. “Utilizamos o sistema de matrículas totalmente eletrônico para preencher as vagas dos CILs (centros interescolares de línguas) no segundo semestre do ano passado. A nossa expectativa é de que ele seja usado na matrícula de toda a rede no próximo ano letivo”, adiantou.

Para o presidente da Associação de Pais e Alunos das Instituições de Ensino do Distrito Federal (Aspa-DF), Luís Cláudio Megiorin, a precariedade do sistema de matrículas abre espaço para negociatas como a denunciada pelo Correio. “As filas são uma realidade humilhante para os pais, que, além de terem de passar horas esperando, precisam lidar com a desonestidade de outras pessoas”, criticou. Para ele, é necessário um modelo mais moderno. “É necessário que o poder público aja para desburocratizar e que todo o processo de matrícula seja pelo 156. É uma maneira de respeitar os cidadãos e não submetê-los a sacrifícios desnecessários”, completou.
 
 
 
 

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