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Estado de Minas

Suvaco da Asa abre o carnaval de Brasília; 60 mil seguiram o frevo

Há 12 anos, o bloco, fiel às tradições pernambucanas, vai às ruas para anunciar a chegada da maior festa popular do país


postado em 28/01/2018 08:50 / atualizado em 08/02/2018 19:31

Apesar do temporal, segundo os organizadores, o bloco atraiu 60 mil pessoas, que percorreram o Eixo Monumental ao som da Orquestra Marafreboi (foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press)
Apesar do temporal, segundo os organizadores, o bloco atraiu 60 mil pessoas, que percorreram o Eixo Monumental ao som da Orquestra Marafreboi (foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press)

Um dos blocos mais tradicionais do pré-carnaval de Brasília, o Suvaco da Asa levou ontem cerca de 60 mil foliões ao Eixo Monumental, de acordo com os organizadores. A Polícia Militar estimou que o público era de 30 mil pessoas por volta das 20h. Ao som de muito frevo, maracatu, samba, samba reggae e afoxé, grupos de amigos, famílias e casais se divertiram debaixo de muita chuva. O evento teve início às 15h, em frente à Funarte. A Orquestra Popular Marafreboi foi a responsável pela animação do bloco, que seguiu pelo Eixo Monumental até a Torre de TV.

As fantasias foram destaque este ano. A estudante Natália Lobato e as amigas não abriram mão do glitter e da purpurina. “Vim vestida como anjinha porque estou namorando”, justificou. O clima ruim não desanimou Juliano Carvalho, 29 anos. Fantasiado de Noé, personagem bíblico que construiu uma arca para sobreviver ao dilúvio, ele fez sucesso quando os primeiros pingos de chuva caíram. “Todo carnaval de Brasília é embaixo de água, então, este ano, eu decidi me preparar e curtir com isso”, conta. Para completar a brincadeira, os amigos do administrador se vestiram como animais. “O ruim é que não cabemos na arca que ele construiu”, brincou Carla Rabeiro, que se vestiu de pássaro.

Ver galeria . 9 Fotos Luis Nova/Esp. CB/D.A Press
(foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press )


O diretor do Suvaco da Asa, Pablo Feitosa, afirmou que todos os anos chove durante o desfile, mas que isso nunca impediu o grupo de reunir os foliões. “É tradicional ter chuva no Suvaco, mas nunca desanimou as pessoas nem diminuiu nossa festa”, garante.

Desde 2015, o bloco deixou de se concentrar entre o Cruzeiro e o Sudoeste Econômico por conta da reclamação de moradores da região, que chegaram a acionar o Ministério Público do DF e Territórios. Moradores do Cruzeiro, o grupo de amigos Danilo Rocha, 29, Vitor Antunes, 23, e Tiago Amoras, 35, criticou a mudança. “Não faz sentido mudar o local do Suvaco”, reclamou Danilo. Fantasiado da sereia Ariel, personagem principal do desenho animado A Pequena Sereia, ele pegou a fantasia da namorada após ela ter desistido de ir para a festa.

Há 12 anos na rua, a agremiação se consolidou como uma das maiores da cidade. No ano passado, mais de 100 mil pessoas acompanharam o desfile, que homenageou o Galinho de Brasília, o bloco de inspiração pernambucana que comemorou 25 anos. A homenageada deste ano foi a Associação Recreativa Unidos do Cruzeiro (Aruc) — escola de samba com maior número de títulos do DF. A bateria do clube entrou em cena para reforçar a folia com clássicos nacionais do samba.

A maior parte do público presente era de jovens e estudantes. As amigas Giovana Torres, 19, Laura Santana, 20, e Litza Neriy, 19, saíram de Sobradinho para curtir a festa. Elas se inspiraram nos memes da internet para montar as fantasias e decidiram brincar com os dois nomes mais populares de bebês nascidos na última década no Brasil. Uma das amigas estava vestida de gestante e as outras duas usavam camisas com os nomes Enzo e Valentina. “Esta é a nossa primeira vez no Suvaco e queríamos usar fantasias mais produzidas. Estamos fazendo sucesso. Muita gente comenta e para a gente para tirar foto”, contou Laura.

Samba e piquenique

A versão infantil do bloco — Suvaquinho da  Asa — atraiu quase mil pessoas, que se reuniram no estacionamento da Funarte. As amigas Kalline Araújo, 40 anos, técnica de enfermagem, Ibiticiane Fernandes, 29, enfermeira, Carla Siqueira, 35, dona de casa, e Fran Terceiro, 35, secretária escolar, levaram as filhas aos bloco. Estenderam uma canga no gramado, embaixo de uma árvore e, equipadas com suco, cerveja, salgadinhos, frutas e dindim, aproveitaram a folia. Mas não deu para só ficarem sentadas. Queriam aproveitar de perto o som do grupo de percussão Patubatê.

Ibiticiane era a única que conhecia o Suvaquinho da Asa em seu novo local e planejava deixar a filha, Sophia, com a avó e voltar à tarde. Todas moradoras do Cruzeiro, elas preferiam quando o bloco desfilava no bairro. “Era mais aconchegante e fácil de ficar com as crianças o dia inteiro. Aqui é muito aberto”, afirmou Kalline. Mas, para as crianças, não faz diferença. Elas se divertem e correm do mesmo jeito. “O que eu mais gosto é de dançar e do spray de cabelo”, disse Milena, de 6 anos, filha dela.

A carioca Carla Danielle, 30, biomédica, está em Brasília há seis anos, e foi ao Suvaquinho da Asa pela primeira vez. Ela e a família voltavam à cidade natal quase todo carnaval, mas, este ano, passarão aqui. “Estávamos lá há pouco tempo”, conta. A maior diferença entre os blocos de lá e daqui, segundo ela, é a quantidade de pessoas. Lá, mesmo os blocos infantis ficam cheios. “Além disso, lá, nós caminhamos atrás do carro elétrico, não ficamos parados. Mas é até bom assim, a Júlia está se divertindo”, referindo-se à filha de 4 anos.

Foi também a estreia de Hélida Trevizan, 35, professora, e de sua filha, Maria Cecília, 4 anos. Para ela, levar a filha aos blocos de carnaval é muito mais do que diversão. “Além de oportunidade de ela socializar, é uma chance de passar essa cultura para ela, porque carnaval é cultura”, afirmou. Ela parabenizou a organização do evento, que disponibilizou até brinquedos infláveis gratuitos para a garotada.

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