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Estado de Minas

UnB discute aumento de 160% nos cardápios do Restaurante Universitário

Conselho da Universidade de Brasília decide hoje se autoriza ou veta o aumento das refeições do restaurante, que mantém os mesmos preços desde 1994. Se aprovado, o almoço e o jantar passarão de R$ 2,50 para R$ 6,50


postado em 01/02/2018 06:00



O Conselho de Administração (CAD) da Universidade de Brasília (UnB) decide hoje se haverá aumento nos preços do cardápio do Restaurante Universitário (RU). A reunião, marcada para as 9h, avaliará a proposta de reajuste de até 160% no valor das refeições. A medida visa diminuir o deficit orçamentário da instituição. Enquanto isso, movimentos estudantis são contrários aos novos preços e se mobilizam para acompanhar a votação. Se aprovada, o almoço e o jantar passarão de R$ 2,50 para R$ 6,50 para estudantes de graduação, pós-graduação e estagiários.
 
 
Quem era contemplado com a gratuidade não será atingido. Os alunos com renda familiar per capita de até um salário mínimo e meio continuarão com a gratuidade, de acordo com a proposta. Além disso, um novo nível de vulnerabilidade socioeconômica foi estabelecido para quem tem renda de até dois salários-mínimos. Esses vão pagar R$ 3,90 por almoço ou jantar. O aumento deve acontecer em duas etapas: o primeiro reajuste começa a valer no início do período letivo, em março. O valor total será cobrado a partir de julho.

O valor do cardápio do RU não sofre alterações desde 1994. Em 2017, a UnB pagou R$ 27 milhões ao restaurante. Os gastos estão entre subsídios, manutenção dos equipamentos, segurança e atendimento aos usuários. A comissão também trouxe a proposta de retirar o subsídio de servidores e terceirizados. De acordo com a decana de Planejamento, Orçamento e Avaliação Institucional da UnB,  Denise Imbroisi, o benefício é ilegal, pois essas categorias recebem vale-alimentação, o que categoriza dupla contribuição.

A UnB começa 2018 com deficit orçamentário de R$ 91,2 milhões. De acordo com Denise, ainda haverá outras medidas para reduzir o impacto das dívidas. “No ano passado, criamos uma comissão de ajuste, para analisar os contratos firmados com a UnB, a fim de alcançar um equilíbrio orçamentário. O acordo com o RU foi um dos avaliados”, explica. A decana ressalta que a instituição se esforça ao máximo para não repassar os problemas financeiros para a área acadêmica. “Essas medidas são justamente para não afetar as pesquisas. Além disso, procuramos preservar quem está em situação de vulnerabilidade”, comenta.

Resistência

O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UnB se posicionou contra o reajuste. De acordo com a estudante de sociologia e integrante do DCE Lívia Reis Cairus, 25 anos, a medida afeta diretamente a permanência dos alunos na universidade. “Tem muita gente que não tem condições financeiras para pagar por isso. Sabemos que o país inteiro está com uma crise orçamentária, com cortes nas instituições, porém, a gente acredita que o estudante não deve pagar essa conta”, afirma.

Lívia ressalta que quem estuda na UnB começou a sentir os impactos das dívidas do local. “As coisas ficaram bastantes acentuadas. Quando há demissão de terceirizados e atraso na bolsa dos estudantes, a gente é atingido”, lamenta. A estudante diz ainda que não houve debate entre a instituição e os alunos durante a elaboração da proposta. O DCE convocou os alunos para comparecerem à reunião de hoje. “Continuaremos defendendo os nossos direitos. Faremos o possível para impedir que isso aconteça”, garante.

Para o estudante do curso de engenharia Mateus Santos, 19 anos, o aumento nos preços do cardápio do RU é alto. “Concordo que deva haver reajuste, no entanto, está acontecendo de uma forma muito gritante.” Morador do Gama, ele come diariamente no restaurante. Para Mateus, a preocupação maior é com alunos em situação de vulnerabilidade. “Muitos não têm condições de arcar com as refeições e não conseguiram as bolsas. Também temos muitos estudantes de fora do país que dependem desse auxílio.”

Efeitos

Como vão ficar os preços do RU, caso a proposta seja aprovada:
» Aluno com renda per capta familiar de até dois salários-mínimos pagará R$ 2,10 pelo café da manhã e R$ 3,90 no almoço ou jantar.
» Estudante de graduação, pós-graduação e estagiário pagará R$ 3,50 pelo café da manhã e R$ 6,50 no almoço ou jantar.
» Estudante com renda per capta familiar de até um salário-mínimo e meio continua sem pagar.
» Servidor, terceirizado e visitante pagará R$ 7 pelo café da manhã e R$ 13 no almoço ou jantar.

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