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Estado de Minas

Artistas revitalizam monumento em homenagem a primeiro animal do Zoo

Elefanta chegou em 1957 e viveu até 1994; a estátua foi esculpida há mais de 30 anos


postado em 07/02/2018 06:00 / atualizado em 07/02/2018 00:06

Grafite na estátua do elefante no Jardim Zoológico de Brasília. Na foto, os grafiteiros Daniel Toys (camisa preta) e Mikael Omik(foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press)
Grafite na estátua do elefante no Jardim Zoológico de Brasília. Na foto, os grafiteiros Daniel Toys (camisa preta) e Mikael Omik (foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press)


A estátua da elefanta Nely no Zoológico de Brasília começou a ganhar novas e vivas cores a partir desta semana. Construída em homenagem ao primeiro animal que viveu no Zoo, antes mesmo da fundação da capital, a estrutura virou painel nas mãos dos artistas plásticos Daniel Toys e Mikael Omik, que criaram novas formas, traços abstratos, figuras geométricas e bichos do cerrado sobre toda a imagem.

A intervenção se torna uma espécie de antecipação do “Holi — A festa das cores”, evento tradicional da Índia — país de origem da paquiderme que inspirou o monumento — e celebra a chegada da primavera entre o fim de fevereiro e o início de março.



A elefanta Nely chegou ao Zoo em 6 de dezembro de 1957, como uma doação da Embaixada da Índia. O animal permaneceu no local até 1994, quando morreu por artrose.

A linguagem artística de Toys e Omik e a relação dos dois com Brasília e o Brasil foram os aspectos que levaram a dupla a decidir pela técnica sobre o monumento. Os dois trabalham juntos há quatro anos e atuam, principalmente, com a pintura de superfícies planas.

“Quisemos desenvolver um trabalho dentro da nossa linguagem e, ao mesmo tempo, mostrar algo que tem um valor especial para a gente, que tem a ver com a nossa história, com um valor sentimental”, diz Toys.

Manutenção


A ideia de transformar a estátua de Nely em um painel multicolorido surgiu de um encontro entre os dois e uma amiga que trabalha no Zoo, a assessora de Preservação e Pesquisa Natália Guimarães.

“A gente falou sobre fazer um trabalho deles no Zoo e pensou em uma peça daqui. Veio a estátua da Nely na cabeça, eu levei a ideia ao diretor e, antes de eu falar, ele propôs justamente a peça”, declara Natália.

“A estátua estava meio esquecida, precisava de manutenção, por isso a gente pensou em fazer uma coisa viva, dinâmica. O trabalho deles contribui com essa coisa pop, atual, um tipo de linguagem que incorpora parte disso, ajuda a consolidar o zoológico no aspecto cultural”, afirma o diretor-presidente do Zoo, Gerson Norberto.

Ver galeria . 8 Fotos Antonio Cunha/CB/D.A Press
(foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press )


Nova Nely


O presidente do Zoo estima que o monumento tenha mais de 30 anos. Desde a instalação da peça, ela passou por pontos como as bilheterias e a área próxima à manutenção. Atualmente, a estátua fica perto do local dos elefantes.

Para compor a “nova Nely”, Toys e Omik mantiveram a forma de atuação; o primeiro desenha as formas geométricas e o segundo faz os animais do cerrado.

Omik diz que ele e o parceiro fizeram um passeio pelo Zoo para saber mais sobre os animais retratados. “A gente fez uma turnê, ficou mais tempo em lugares específicos, pôde saber coisas de cada animal do Cerrado, saber por que cada um tem cada característica.”

Segundo ele, o maior desafio foi estabelecer a relação entre a linguagem dos artistas e a “nova missão”. Omik diz que foi preciso adaptar as formas à superfície da peça, mas que isso foi positivo para o resultado final. Como exemplo, ele cita uma das orelhas da elefanta, que se tornou a asa de um carcará e, ao mesmo tempo, envolveu o dorso de um tucano.

Para o mosaico de formas, o dueto estima usar entre 50 e 60 latas de spray, de diferentes cores. A composição é feita por puro “feelling”, com a construção de palheta de modo aleatório, de acordo com Toys. A opção por cores vivas é um jeito de mostrar “a cara do Brasil”. “As cores estão na nossa terra, nas frutas, na pelagem dos animais. A gente busca que as cores do nosso trabalho representem isso”, declara Omik.

Cooperação


O grafite foi uma doação dos artistas ao Zoo de Brasília. Segundo eles, um trabalho deste porte tem um custo estimado em R$ 1,5 mil, com valor de mercado chegando a R$ 4 mil. A intervenção teve início na última segunda-feira e deve ser concluída amanhã.

Frequentadores do Zoo, os artistas dizem que o trabalho tem um sabor especial por envolver parte da história deles e da cidade. “Eu costumava vir aqui com o meu avô. Ontem, eu mostrei para ele como estava e ele disse: ‘Parece que o elefante ganhou vida’”, diz Toys.

Para Omik, o trabalho tem um aspecto ainda mais especial. “Eu, particularmente, gosto do elefante, do animal em si. E ainda tem a ligação com o zoológico, carrega a nossa história. Então esse valor é multiplicado.”

Os dois podem até fazer novas intervenções dentro do próprio Zoo. Direção do parque e artistas conversam sobre a possibilidade de novas pinturas, em painéis instalados em outras áreas.

Segundo o presidente do Zoo, ainda neste semestre deve ser feito um chamamento para artistas que desejem deixar sua marca no parque. “Queremos ressaltar esse aspecto cultural. Há diversos espaços, 22 pontos de água, vamos promover esse incentivo à cultura pop”, diz Norberto.
 
 

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