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Estado de Minas

Muito além do 'alalaô': veja blocos que são opção para fugir do samba

Rock, reggae, eletrônico, forró... Blocos de Brasília são opção para quem quer fugir dos ritmos típicos do carnaval. A Secretaria de Cultura espera 2,5 milhões de foliões nas ruas para a festa


postado em 10/02/2018 08:00 / atualizado em 10/02/2018 16:08

(foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press - 27/2/17 )
(foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press - 27/2/17 )

 
A diversão para quem pretende pular o carnaval de Brasília, mas quer fugir do samba, axé e de outros ritmos típicos da festa de Momo está garantida. A programação reserva opções para foliões de todos os gostos. Rock, música eletrônica, reggae, forró e misturas de sons são algumas das atrações preparadas pelos blocos.


Desde 2015, quando esses grupos se tornaram o carro-chefe do carnaval da capital, o número de agremiações de ritmos variados tem aumentado. Blocos roqueiros, como Eduardo & Mônica, Rota 400 e Populares em Pânico, e de outros gêneros, como os “jamaicanos” CarnaReggae e Ska Niemeyer, o eletrônico BEM MEB e o forrozeiro Cabrueira, estão entre os destaques. 
 

‘Abrindo alas’


Um dos primeiros blocos a fazer uma folia fora do roteiro original em Brasília foi o Populares em Pânico (PEP), o “bloco do metal”. Eles costumam fazer um evento conceitual - neste ano o tema é a Copa do Mundo -, pulam e batem cabeça ao som de bandas como Led Zeppelin, Guns N’ Roses, Slayer e Metallica. 

“A gente teve a ideia por não ter um espaço de rock e metal no carnaval, só eventos fechados. A nossa ideia era tomar a cidade, se manifestar mesmo. Comecei sozinho, depois fomos juntando alguns amigos, começamos com um carrinho de rolimã, isopor e um som. No primeiro ano, foram 40 pessoas. Depois já foram 350, e foi crescendo”, afirma o criador do Populares, o professor de história Leo Krieger.

Na avenida desde 2010, o Populares conta com uma banda que executa as músicas ao vivo, intercaladas com som mecânico durante seis horas. O bloco reuniu 1,2 mil pessoas no ano passado. Pela primeira vez no espaço da Feira da Torre de TV, o PEP espera público semelhante para 2018.

Ao longo dos anos, o bloco atraiu uma plateia fiel. Um dos contumazes foliões é o professor Tiago de Araujo Santoro, de 36 anos, que segue o grupo desde 2013. 

“Conheci o bloco através de amigos. Em Brasília todos os roqueiros se conhecem, e eu já conhecia os organizadores do bloco nas roqueiragens da vida. Eu acho a iniciativa fantástica! Brasília tem uma variedade de gostos e tribos muito grande. É interessante ver como uma cidade, que infelizmente vem se tornando cada vez mais fechada para o entretenimento, acolhe tão bem as variedades de gosto musical e cultural no período do carnaval.” 
 
Sabrina Lins vai comemorar o aniversario no Bloco Eduardo e Monica e as amigas fizeram uma camiseta comemorativa com uma frase da musica Tempos Perdidos, da Legião Urbana - Somos tão jovens (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press )
Sabrina Lins vai comemorar o aniversario no Bloco Eduardo e Monica e as amigas fizeram uma camiseta comemorativa com uma frase da musica Tempos Perdidos, da Legião Urbana - Somos tão jovens (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press )
 
 

Festa nada estranha


O público tem aprovado a festa em ritmos diversos. Segundo a Secretaria de Cultura do Distrito Federal, o número de participantes cresceu de 370 mil, em 2015, para 870 mil em 2016. No ano passado, foram 1,5 milhão de pessoas.

Alguns se tornam fiéis seguidores e até criam “eventos particulares” dentro dos desfiles dos blocos. A servidora pública Sabrina Lins, que faz 40 anos no domingo de carnaval, vai celebrar a data com seu “Bloco Aniversário da Sabrina”, durante o bloco Eduardo & Mônica.

Ela, um grupo de amigos e familiares, incluindo o filho de 11 anos, estarão no SIG vestidos com uma camiseta especial escrita “Somos 40tão jovens”, em referência à idade da foliã e ao trecho da música “Tempo Perdido”, da Legião Urbana.

“Como já iria ao bloco mesmo e calhou de ser no dia do aniversário, resolvi unir o útil ao agradável”, diz Sabrina. Ela afirma que pretende ficar no local “até a hora que aguentar” e que depois vai “direto para casa”. 

Para a foliã, a ideia de tocar rock e a sensação de segurança que teve no ano passado foram fundamentais para a escolha do local como palco para a festa. “Cada um curtindo, sem confusão. Tanto que tenho filho pequeno e acho muito tranquilo levá-lo.”

O bloco Eduardo & Mônica vai para seu segundo carnaval. No ano passado, eles levaram 8 mil pessoas à folia. O repertório de clássicos do rock de Brasília é tocado em ritmos tradicionais carnavalescos. Para este ano, a expectativa é que 15 mil participem da festa.

“O bloco foi criado por três músicos que tinham a vontade de organizar uma festa diferente durante o período do mais tradicional festejo brasileiro. Com isso descobrimos, meio que sem querer, a quantidade de pessoas que, assim como a gente, ou não brincavam o carnaval ou buscavam por uma alternativa como a nossa”, afirma o co-fundador Rony Meolly.

A tese de que a cidade já queria um bloco do tipo, e de que a turma do rock gostou da ideia de tornar o local seu ponto de encontro, é confirmada pela técnica de serviços públicos Juliana de Souza Alves, de 32 anos. “A grande motivação, além do repertório musical, é a quantidade de amigos.”

Segundo ela, a galera que não gosta da música típica de Carnaval tinha dificuldade para se reunir durante o período. “Com o bloco (Eduardo & Mônica), conseguimos quase que agradar a gregos e troianos, tendo em vista as letras serem rock nacional cantante, fugindo do ‘embromation’ de outra língua.”
 
(foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press )
(foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press )
 
 

Outras tribos


O carnaval de Brasília também tem música eletrônica, forró, black music e reggae. No Museu Nacional, o “CarnaMuseu” tem um estilo diferente para cada dia. A série de eventos começou nesta sexta, com o Bloco Libre apresentando “toda a diversidade cultural” da capital.

O festejo segue neste sábado com o CarnaReggae, traz o eletrônico do BEM MEB no domingo, o Reveirock na segunda e o Bloco do Forró na terça. O espaço retorna aos moldes de carnaval tradicional na Quarta-feira de Cinzas, com samba, frevo e marchinhas, tocados pelo Bloco Filhos do Zé.

Idealizador do “CarnaMuseu”, Márcio Apolinário afirma que a proposta é contemplar todos os ritmos possíveis e dar atenção especial às “vertentes excluídas”. “Carnaval não é só samba, frevo e axé.”.

O CarnaReggae, por exemplo, estreia neste ano com o intuito de resgatar a produção musical do gênero na capital nos anos 1990, 2000. Entre os artistas que se apresentam estão o coletivo Ocupa Reggae, DJs e bandas tradicionais do estilo no DF, como Liberdade Plenna!, Deus Preto e Triato. “A ideia é fortalecer a cena.”

Outra atração no CarnaMuseu é o Bloco BEM MEB, ou simplesmente “Bloco do Bem”. O intuito é oferecer diversão nas várias vertentes da música eletrônica, como o trance, o house e o tecnopop. 

“O grupo começou como evento, em 2014, e virou bloco em 2015, com uma proposta diferente, tocando uma música ainda meio marginalizada. A música eletrônica ainda é uma música nova, como o jazz e o blues também já foram marginalizados. Nossa proposta é somar isso com responsabilidade social, arrecadar doações, colaborar com áreas de vulnerabilidade social”, afirma a coordenadora da agremiação, Thaísa Sabino.
 
(foto: Thais Mallon/Divulgação )
(foto: Thais Mallon/Divulgação )
 

Novas versões


O Bloco Eduardo & Mônica não é o único a fazer versões carnavalescas para artistas consagrados de outros gêneros. Entre os destaques, há ainda os Novos Candangos, que apresentam músicas dos Novos Baianos, e o bloco Divinas Tetas, com repertório repleto de composições de artistas da Tropicália.

“A gente já estava na pilha de fazer um bloco, o carnaval vinha crescendo em Brasília. No final de 2015, a gente se juntou e decidiu fazer o Divinas Tetas”, afirma um dos criadores do grupo, o produtor cultural Adolfo Neto.

Para este ano, o bloco promete animar o público ao som de canções como “Domingo no Parque”, de Gilberto Gil, “Minha Menina”, dos Mutantes, “Jimmy, Renda-se”, de Tom Zé, e “Vaca Profana”, de Caetano Veloso. “Também teremos hits do Carnaval, como Pabllo Vittar, Jojo Todynho e Anitta”, diz Neto.
 

Programe-se


» Arrota Mas Não Gorfa
Praça da Igreja Nossa Senhora do Rosário da Pompeia (Vila Planalto). Sábado, às 13h. Show com DJs Pezão, Cotonete e Manolo. Ingressos: R$ 120 (2º lote), R$ 85 (1º lote) e R$ 65 (associados Acerva). Classificação indicativa livre.

» Bonde das Montadas 
Museu da República (Eixo Monumental). Sábado, às 9h. Shows com diversas atrações musicais. Entrada gratuita. Classificação indicativa livre. 
 
» Bloco das Perseguidas
Praça dos Prazeres (201 Norte). Sábado, às 15h. Diversas atrações musicais. Entrada franca. Classificação indicativa livre.
 
» Bloco Ewè-Soul, groove e batucada
Ewè Etnogastronomia Bistrô (216 Norte Bl. D Subsolo). Sábado, das 15h às 21h. Show com banda Porta do Mundo e DJ Sá. Entrada franca. Classificação indicativa livre.

» Bloco Gruvipi
Entre a Feira do Produtor e a escola pública (Vicente Pires). Sábado, às 14h. Shows com diversas atrações musicais. Entrada gratuita. Classificação indicativa livre.

» Bloco Ovelha Kids 
(QNP 19, Ceilândia). Sábado, às 16h. Diversas atrações musicais. Entrada gratuita. Classificação indicativa livre.
 
» Carnapati 2018 
(Estacionamento 4, Parque da Cidade). Sábado, às 10h. Bloco de carnaval de rua para crianças. Entrada gratuita. Classificação indicativa livre.

» Carnarock 2018
Poizé Pub (305 Norte). Sábado, às 19h. Show com Megera, Matebolic, Metal of Puppets, Stoned, Baleias Ñ São Peixes e Lookout. Ingressos: R$ 30. Não recomendado para menores de 18 anos.
 
» Carnaguariba 
Guariroba (EQNN 18/20). Sábado, às 10h. Shows com diversas rodas de samba. Entrada gratuita. Classificação indicativa livre. 

» Concentra, mas não sai 
(404/405 Norte). Sábado, às 16h. Diversas atrações musicais. Entrada franca. Classificação indicativa livre.
 
» Cuecão de Lycra 
Espaço Cultural Canteiro Central (SCS Q. 3). Sábado, às 19h. Shows com diversas atrações musicais. Ingresso: R$ 25. Valores referentes ao primeiro lote, meia-entrada. Não recomendado para menores de 18 anos.
 
» Essa Boquinha Eu Já Beijei 
Torre de TV (Eixo Monumental). Sábado, às 14h. O bloco Essa Boquinha Eu Já Beijei vai sair junto do Tuthankasmona. Entrada franca. Classificação indicativa livre.
 
» Esquenta Mais Não Queima
(Rua 17 Sul, Águas Claras). Sábado, das 9h às 22h. Diversas atrações musicais. Entrada franca. Classificação indicativa livre.

» Eu Também Vou Reclamar
(Via Boulevard Norte, Águas Claras). Sábado, das 15h30 às 22h. Diversas atrações musicais. Entrada franca. Classificação indicativa livre.
 
» Filhos de São Jorge 
(Q. 6 cj G cs 27, Planaltina). Sábado, às 18h. Diversas atrações musicais. Entrada franca. Classificação indicativa livre.
 
» Folia com a banda Marafreboi
Taguatinga Shopping (QS 1 Rua 210, Lote 40, Pistão Sul; Taguatinga). Sábado, das 14h às 19h. Show com a banda Marafreboi. Entrada gratuita. Classificação indicativa livre.
 
» Galinho de Brasília 
(SAS Quadra 4). Sábado, às 11h. Shows com diversas atrações musicais. Entrada gratuita. Classificação indicativa livre.
 
» KD Você
(QN 10/147, Quadra Cultural, Riacho Fundo 2). Sábado, às 14h. Shows com diversas atrações musicais. Entrada gratuita. Classificação indicativa livre.
 
» Mamãe Taguá 2018 
(Taguaparque). Sábado, às 17h. Shows com diversas atrações musicais. Entrada gratuita. Classificação indicativa livre.
 
» Patubatê
(SCS). Sábado, às 15h. Show com Patubatê e diversas atrações musicais. Entrada gratuita. Classificação indicativa livre. 
 
» Tuthankasmona - Tombando a Pyramide
Torre de TV (Eixo Monumental). Sábado, às 14h. Shows com diversas atrações musicais. Entrada gratuita. Classificação indicativa livre. 
 
 

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